20/05/2026

Única boa notícia da pesquisa Atlas para Flávio é a fragilidade da direita sem sobrenome Bolsonaro

Primeira pesquisa presidencial registrada com todas as entrevistas realizadas após a publicação pelo Intercept Brasil do áudio que Flávio Bolsonaro (PL) mandou para o banqueiro Daniel Vorcaro, o levantamento da Atlas mostra um considerável abalo na pré-candidatura presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na conversa, o presidenciável cobra do dono do Banco Master o que seriam parcelas atrasadas para financiamento do filme Black Horse, sobre a vitória de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2018. Ele nega irregularidades.

Os números mais crus e evidentes mostram que Flávio Bolsonaro perdeu pontos nos cenários de primeiro e segundo turno, permitindo que o presidente Lula (PT) abrisse vantagem na disputa pela reeleição. Em primeiro turno, o que era 46,6% para o petista contra 39,7% de Flávio, cresceu para 47% a 34,3%.

Flávio Bolsonaro no Senado. Foto: Ton Molina/Agência Senado
Foto: Ton Molina, Agência Senado.

Na simulação de segundo turno, fetiche das editorias de política nesta pré-campanha, Flávio Bolsonaro viu Lula abrir sete pontos percentuais – 48,9% a 41,8%. Em abril, ambos estavam empatados na casa dos 47%, mas era o presidenciável do PL que estava em viés de alta.

Ou seja, Lula ficou estável, o presidenciável do PL caiu. E se há alguma boa notícia para Flávio Bolsonaro na pesquisa é que nenhum de seus adversários na própria direita ou centro-direita cresceu de forma consistente sobre ele.

Pela Atlas, Renan Santos (Missão) tem 6,9%, Romeu Zema (Novo) aparece com 5,2% e Ronaldo Caiado (PSD) atinge 2,7%. Importante ressaltar que a metodologia do instituto, com toda a colheita de dados feita pelas redes sociais, potencializa nomes de mais impacto nessa seara – caso do presidenciável do Missão. Também reduz drasticamente o número de indecisos, brancos e nulos em relação aos levantamentos de outros institutos. Esse contingente será fundamental, mesmo que por omissão, na definição do próximo presidente.

O Atlas testou um cenário com os atuais pré-candidatos, mas sem Flávio Bolsonaro. Mais uma vez, ninguém leva vantagem claramente. Os votos dele se distribuem: Romeu Zema sobe para 17%, Ronaldo Caiado avança para 13,8% e Renan Santos só oscila, chegando a 8%. Todos muito longe de Lula, com 46,7%. É percentual de vitória em primeiro turno.

Para deixar bem chateada a ala mais sanguínea do bolsonarismo, o Atlas também testou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como substituta de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O resultado, no entanto, não é ruim para o filho de Jair: Michelle soma 23,4%, fica em segundo lugar, mas abaixo do resultado de Flávio. O pontos que separam o filho da esposa, neste cenário, se distribuem entre Zema e Caiado, que alcançam 10% e 6%, respectivamente.

Há uma pergunta que tem sido meu ponto de atenção em todos os institutos de pesquisa: se o eleitor pesquisado tem mais medo da reeleição de Lula ou da volta dos Bolsonaro ao poder. Ano passado, a família do ex-presidente era ligeiramente mais temida que a continuidade do petista. Em 2026, no Atlas, essa tendência se inverteu nos levantamentos de fevereiro, março e abril. No cenário novo, o medo de eleição de Flávio Bolsonaro voltou a liderar.

Em resumo, a pesquisa é um alívio para Lula, uma decepção para os demais postulantes da direita e centro-direita e um abalo nas pretensões de Flávio Bolsonaro. Mas não ainda o suficiente para ele ser considerado um Black Horse – expressão emprestada das corridas de cavalo que pode ser traduzida como “azarão” ou como “pangaré”, dependendo do humor ou de suas preferências políticas, leitor.

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Leia a pesquisa Atlas na íntegra

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