
Flávio Bolsonaro e o áudio para Daniel Vorcaro

Ao conceder entrevista coletiva aos jornalistas catarinenses no sábado, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a dedo a camiseta com a mensagem “o pix é de Bolsonaro, o Master é de Lula”. Questionado sobre o tema por causa das recentes investigações envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL), ele desvinculou-se do cacique pepista e elencou relações que, segundo ele, ligavam o hoje tóxico Daniel Vorcaro ao governo Lula (PT).
Enquanto escrevo esta coluna, Flávio Bolsonaro ainda não havia respondido aos inúmeros pedidos de contraponto da imprensa nacional à revelação pelo The Intercept Brasil de uma mensagem gravada que teria sido enviada por ele a Daniel Vorcaro cobrando uma parcela dos R$ 134 milhões prometidos para o financiamento do filme The Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada pelo ator Jim Cavaziel.
A fala de Flávio Bolsonaro cita o “momento difícil” pelos quais ambos passavam e que revela constrangimento em cobrar parcelas dos repasses prometidos. A produção teria recebido R$ 61 milhões ate a prisão de Vorcaro. Estava prevista ainda para esta tarde uma manifestação do presidenciável em suas redes sociais. Todos seus apoiadores estão em compasso de espera, enquanto lideranças do PT e da esquerda já começam a se manifestar – alguns comemoram como um gol. Os pré-candidatos presidenciais que orbitam a direita também mantém a cautela.
Em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro é peça-chave na disputa eleitoral do Estado. O PL do governador Jorginho Mello apostou quase todas suas fichas em uma possível terceira Onda Bolsonaro no Estado, agora liderada pelo filho de Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, após ser “descredenciado” como liderança de direita pelo presidenciável no final de semana, João Rodrigues (PSD) pode ver aberta uma trilha eleitoral da direita não bolsonarista em Santa Catarina.
Tudo vai depender de como Flávio Bolsonaro vai explicar a relação com Vorcado, de como a bolha bolsonarista vai assumir as justificativas e replicá-las e, especialmente, de como o eleitorado vai assimilar essa essas explicações.
O direito à pergunta
Ainda falando em Flávio Bolsonaro, fica o registro de que João Rodrigues não gostou da pergunta que a colunista Maga Stopassoli fez a ele no final de semana sobre qual seria a verdadeira candidatura da direita em Santa Catarina. Todo jornalista tem o direito de perguntar, especialmente porque a mais singela das dúvidas às vezes produz respostas melhores que o mais elaborado dos questionamentos.
A pergunta de Maga Stopassoli tirou a única notícia factual dos dois dias de visita de Flávio Bolsonaro a Santa Catarina: não haverá jogo duplo (às vezes até triplo) dos Bolsonaro no Estado em 2026, como houve em 2022 e 2018. A resposta importa mais que a pergunta.
Se Flávio tivesse respondido que, apesar de ter seus candidatos em Santa Catarina, respeita as trajetórias de João Rodrigues e Esperidião Amin e os reconhece como legítimos nomes da direita, quem estaria chateado seria Jorginho Mello. Com a mesma pergunta.
Colombo e Moisés nos devolveram a Ponte Hercílio Luz

É curioso que os dois responsáveis pela devolução da Ponte Hercílio Luz aos catarinenses não se bicam e vivem trocando farpas sobre esse tema em comum.
Se Raimundo Colombo (PSD) não toma a decisão política de romper o contrato com a Espaço Aberto e fazer uma dispensa de licitação internacional para entregar aquela obra monumental a quem realmente conseguiria concluí-la – os portugueses da Teixeira Duarte.
Se Carlos Moisés (hoje no União Brasil) não tivesse ignorado as vozes anti-tudo que pairavam a seu redor e compreendido imediatamente que era preciso concluir o quanto antes aquela obra tão próxima do fim, talvez ainda tivéssemos lá um canteiro de obras.
Não é mera tentativa minha de conciliar antagonistas. Governador entre um e outro, Eduardo Pinho Moreira (MDB) reduziu o ritmo da obra e criticou publicamente Colombo por priorizar a Ponte Hercílio Luz em detrimento de outros investimentos no interior do Estado. Moisés devolveu o ritmo que Colombo deu à obra após a troca da empreiteira.
Então, nesses dia dos 100 anos da Ponte Hercílio Luz, saúdo Colombo e Moisés, mesmo que eles não gostem. Curiosamente, estarão ambos na coligação de João Rodrigues, concorrendo a vagas de deputado federal.





