11/05/2026

Jorginho mostra a força do PL em SC e ouve de Flávio Bolsonaro que ele é o único candidato da direita

Ao reunir cerca de 5 mil pessoas no Stage Music Park na chuvosa tarde deste sábado em Florianópolis, o PL mostrou a força de um partido constituído em torno da figura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que se apresentará ao eleitor catarinense quatro anos depois da eleição do governador Jorginho Mello (PL) repetindo por vontade própria uma estratégia que em 2022 foi a que restou: o abraço ao bolsonarismo e o discurso que seu palanque é o único da direita.

Jorginho Mello no palco com Flávio Bolsonaro, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro
Jorginho Mello no palco com Flávio Bolsonaro, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. Foto: PL-SC, Divulgação.

Em agosto de 2022, Jorginho Mello promoveu evento semelhante na Associação Catarinense de Medicina (ACM), já às vésperas da oficialização da candidatura (leia o texto publicado no UpiaraOnline). Naquele encontro, eram cerca de 3 mil pessoas, mas de uma militância que parecia menos organizada. Desta vez, o PL ostenta a maior bancada catarinense na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa e tem o maior número de prefeitos. Desta vez, Jorginho não corre o risco de dividir Bolsonaros.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, foi a estrela do evento. Quatro anos atrás, Jair Bolsonaro, presidente e candidato à reeleição, compareceu em vídeo, em um depoimento burocrático. Ainda havia dúvida no PL, em plano nacional, sobre colocar todas as fichas na pré-candidatura de Jorginho diante da postulação de Esperidião Amin (PP) e na existência de outros palanques que declarariam voto em Bolsonaro – notadamente Gean Loureiro (União Brasil) e até o então governador Carlos Moisés (Republicanos à época, hoje União Brasil).

.:: Leia também a análise de Maga Stopassoli sobre o evento ::.

Jorginho estava certo em suas apostas e o evento desta tarde foi a confirmação do trabalho feito nesse ciclo de quatro anos para – com o governo do Estado nas mãos – consolidar o PL como o maior partido de Santa Catarina e ele mesmo como o maior aliado da família Bolsonaro no Estado. Questionado sobre João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo e amigo do pai, Flávio Bolsonaro não levou meio segundo para responder que Jorginho é seu único candidato ao governo. Perguntado sobre Amin, pré-candidato a reeleição como senador, o presidenciável sequer citou seu nome ou a antiga amizade: seus pré-candidatos ao Senado em Santa Catarina são e serão Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.

Aliás, Carlos surpreendeu no palanque visivelmente emocionado. Tentou mostrar atenção e futuro empenho por diversos temas da agenda catarinense, fez críticas ao governo Lula e à atuação do Judiciário em relação Bolsonaro, mas também admitiu que faz parte das conversas dele com Flávio e com o próprio pai a avaliação dos “pequenos erros” cometidos em seu governo e que não devem ser repetidos caso o irmão chegue à presidência da República.

Flávio Bolsonaro recebeu o “passaporte catarinense” de Jorginho. Foto: PL-SC, Divulgação.

Em sua participação, Jorginho foi breve e exaltou a parceria com os Bolsonaro – entregando a Flávio uma versão do “passaporte catarinense”, aquele que causou uma fugaz polêmica nas redes sociais. O presidenciável, por sua vez, usou praticamente todo o discurso para apresentar-se como uma versão moderada do pai. Boa parte da fala, inclusive, direcionada ao eleitorado feminino, apontado nas pesquisas como menos aderente aos Bolsonaro do que o masculino. O combate à violência contra a mulher entrou no discurso do bolsonarismo – com Flávio apontando aumento do número de feminicídios sob a gestão Lula.

Flávio Bolsonaro apresentou estilo “Bolsonaro moderado”, mas crítico ao STF e a Lula. Foto: Ana Schoeller.

Na entrevista coletiva antes do evento, prometeu revogar a reforma tributária, lutar pelo fim da reeleição (defendendo uma ampliação do mandato para cinco anos) e ampliar os investimentos na infraestrutura, seja por investimentos diretos, seja por concessões. Não entrou em detalhes. Não defendeu o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, ministro da Casa Civil de Bolsonaro e enredado no Caso Master. Argumentou que as ligações do governo Lula com o escândalo são maiores.

Flávio Bolsonaro concedeu entrevista coletiva antes do evento. Foto: Ana Schoeller.

Passados quatro anos, Jorginho Mello chega à eleição podendo repetir uma frase que disse lá no evento de 2022 na ACM: “minha maior coligação é o 22”. A chapa majoritária pronta desde fevereiro, com o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como pré-candidato a vice e o único nome do fora do PL na composição é maior prova disso. Atrás deles no palanque, os pré-candidatos proporcionais do PL atestavam a força de uma legenda que deve eleger sozinha pelo menos um terço dos deputados estaduais e federais do Estado.

Palco reuniu futura chapa majoritária e os pré-candidatos a deputado estadual e federal do PL. Prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), abriu os discursos.

Agora é botar esse time em campo, consolidar a coligação com Republicanos, Novo e Podemos através do fortalecimento de suas postulações à Câmara e Alesc e continuar fustigando as divisões internas do MDB e PP – que todos já sabem que estarão com o CNPJ na campanha de João Rodrigues, mas que têm muitos CPFs alinhados a Jorginho e aos Bolsonaro.

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