11/05/2026

Direita de Joinville entra em campo para 2026 com Adriano Silva na majoritária e disputa intensa por espaço

O time do PL com Adriano Silva na primeira fila (entre o governador Jorginho e a vice Marlisa Boehm)

O evento realizado pelo PL em Florianópolis, na tarde chuvosa e fria do último sábado serviu para muito mais do que uma demonstração de força do campo conservador em Santa Catarina. Foi também uma espécie de fotografia antecipada da eleição de 2026. E, nessa imagem, Joinville aparece com o seu time praticamente escalado.

A maior cidade do Estado, que muitas vezes reclama da falta de protagonismo político proporcional ao seu peso econômico e eleitoral, entra no tabuleiro com nomes definidos, posições marcadas e a estratégia de ocupar espaço na chapa majoritária, reforçar a bancada estadual e tentar ampliar presença em Brasília.

Adriano Silva discursa no evento e é chamado de companheiro por Jorginho Mello 

Adriano fez discurso em defesa da união da direita no Brasil e sonha com Romeu Zema vice de Flávio Bolsonaro

O principal movimento já está desenhado com o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva como candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Jorginho Mello. Sentado na primeira fila de camisa amarela, Adriano discursou como integrante do time no evento dos liberais. Falou da sua entrada na política e manteve o discurso de “sair da indignação e ir pra prática política”. Destacou também a visão de Jorginho Mello de juntar a direita para um projeto único e deixou escapar que esse deve ser o modelo para o Brasil. Seu sonho é ter o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como vice de Flávio Bolsonaro. (Para fugir do desconforto, ex-prefeito de Joinville sonha em ver Zema vice de Flávio Bolsonaro )

A escolha de Adriano para vice de Jorginho é um cálculo político evidente. Para o governador ter Adriano ao lado significa agregar a força eleitoral de Joinville, a marca de gestor aprovado e o discurso de eficiência administrativa. Para Adriano, a vice abre uma porta estadual sem o desgaste de uma candidatura isolada ao governo.

Mas também há um recado para Joinville. Depois de anos cobrando mais espaço nas decisões estaduais, a cidade passa a ter, ao menos no desenho da direita, presença direta no núcleo da chapa ao governo. Há a promessa de Adriano não ser um coadjuvante e ter voz ativa em caso de vitória nas urnas. 

A bancada estadual inflada em disputa por cada voto

Joinville também terá uma disputa interna forte para a Assembleia Legislativa dentro do próprio PL. Maurício Peixer buscará a reeleição. É o nome mais experiente do grupo, com longa trajetória política e base consolidada. Ao lado dele, aparecem William Tonezi, o vereador mais votado de Joinville e de Santa Catarina em 2024, e Fabi Venera, novidade até então, como pré-candidatos a deputado estadual.

A composição mostra uma tentativa do PL de ocupar diferentes faixas do eleitorado conservador joinvilense. Peixer representa a política tradicional, de base, construída ao longo de mandatos. Tonezi e Fabi entram como nomes para renovar discurso, ampliar alcance e disputar espaço em um eleitorado que já demonstrou força à direita nas últimas eleições.

O desafio será administrar a convivência entre aliados que, na prática, disputarão o mesmo voto. Em eleição proporcional, o adversário mais difícil muitas vezes está dentro do próprio partido.

Zé Trovão e Sargento Lima miram Brasília como favoritos

Para a Câmara dos Deputados, o PL também deve colocar Joinville no centro da estratégia. Zé Trovão buscará a reeleição a deputado federal, enquanto Sargento Lima aparece como o novo nome do campo conservador para a disputa. Lima vem com a base de 71 mil votos na última eleição para deputado estadual.

Zé Trovão já tem mandato, presença nacional e forte identificação com o eleitorado bolsonarista. Sargento Lima, por sua vez, carrega capital político local e discurso ligado à segurança pública, uma pauta de forte apelo junto à base da direita.

Brandel Junior troca PL por Republicanos, mas tem apoio de Zé Trovão

Mesmo no Republicanos, o vereador Brandel Junior fará sobradinha com Zé Trovão do PL

Outro nome presente no evento foi o vereador Brandel Junior, hoje no Republicanos e ex-PL. Pré-candidato a deputado estadual, Brandel também se movimenta dentro desse campo político e deve formar dupla com Zé Trovão.

A presença dele reforça uma leitura importante: a direita de Joinville não estará concentrada apenas no PL. Haverá nomes em partidos aliados, orbitando o mesmo eleitorado, dialogando com a mesma base e tentando transformar a onda conservadora em votos proporcionais.

Risco de superlotação pode prejudicar projeto da cidade

A direita joinvilense chega forte, mas também chega cheia. E esse é o ponto sensível da estratégia. Pode faltar cadeira como já abordado nesta coluna (em novembro coluna abordou assunto) e também pelo colega Frutuoso Oliveira (leia aqui). É muito otimismo para uma limitação de votos. 

Quando muitos nomes disputam o mesmo território eleitoral, o risco é a dispersão. Joinville pode ter votos suficientes para eleger vários representantes, mas também pode desperdiçar força se a campanha virar uma disputa fratricida entre candidatos do mesmo campo.

O eleitor conservador terá muitas opções. A coordenação política será decisiva para evitar que a abundância de candidaturas se transforme em perda de eficiência eleitoral.

Ensinamento quem vem do futebol em tempo de Copa do Mundo

Com camisa do Brasil e aproveitando a onda da Copa do Mundo a direita de Joinville parece já estar escalada. Adriano Silva na chapa majoritária. Maurício Peixer, William Tonezi, Fabi Venera e Brandel Junior mirando a Assembleia. Zé Trovão e Sargento Lima na disputa federal.

A cidade entra no jogo com elenco, palanque e narrativa. Agora falta transformar escalação em resultado e evitar o “cheirinho de tragédia” quando o otimismo vira decepção.  Porque, na política, como no futebol, não basta ter time no papel. É preciso comprovar o favoritismo e vencer.

Joinville já reclamou muitas vezes de ficar fora da mesa principal de Santa Catarina. Em 2026, ao menos pela direita, parece disposta a puxar uma cadeira e sentar.

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