11/05/2026

Como o CentroSul ajudou Florianópolis a se tornar destino de negócios. Por Leonardo Vieira

Artigo de Leonardo Vieira, Diretor Geral do CentroSul

Florianópolis consolidou, ao longo das últimas décadas, uma posição que vai muito além do turismo de lazer. A cidade passou a disputar, e a sediar, alguns dos principais eventos corporativos, científicos e institucionais do país.

Esse movimento não aconteceu por acaso. Ele foi construído ao longo dos anos e um dos pilares dessa construção é o CentroSul.

Desde a sua inauguração, em 1998, o equipamento desempenha um papel contínuo na atração de eventos e na formação de um ecossistema que hoje sustenta uma cadeia econômica ampla e integrada. De 2008 a 2025, foram mais de 2 mil eventos realizados e 8,6 milhões de participantes recebidos, com uma média de 272 dias de ocupação por ano.

O turismo de eventos é um dos segmentos de maior valor agregado. Em Florianópolis, cada participante gasta, em média, entre R$ 900 e R$ 1.200 por dia, movimentando hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e serviços especializados. Não por acaso, a cidade alcançou uma das maiores taxas de ocupação hoteleira do país e se posiciona entre os principais destinos brasileiros no ranking internacional da ICCA (International Congress and Convention Association).

Esse resultado é coletivo, mas depende de infraestrutura. Eventos de grande porte não escolhem destinos apenas pela atratividade turística. Eles exigem previsibilidade, capacidade operacional e espaços preparados. Sem isso, simplesmente não vêm ou vão para outras cidades.

Em 2025, o CentroSul sediou 132 eventos e recebeu mais de 600 mil pessoas, com forte presença de congressos médicos, encontros de inovação e eventos corporativos de grande escala. Para 2026, a projeção é de um impacto direto entre R$ 75 milhões e R$ 150 milhões na economia local, considerando apenas os eventos já confirmados.

Quando há incerteza sobre a continuidade operacional ou sobre as regras futuras, os eventos não esperam. Eles migram para outras praças e, quando saem, levam consigo não apenas público, mas receita, empregos temporários e visibilidade para a cidade.

Esse é um ponto central no debate atual sobre o futuro do principal centro de eventos da cidade.

O CentroSul não é apenas um equipamento físico. Ele é parte de uma engrenagem econômica que envolve dezenas de setores e sustenta a presença de Florianópolis no calendário nacional e internacional de eventos.

Isso não significa que não haja espaço para evolução. Ao contrário.

Todo equipamento público ou concedido precisa acompanhar as transformações do mercado, incorporar novas tecnologias e elevar o padrão de experiência. A nova licitação representa exatamente essa oportunidade: atualizar o modelo, ampliar a competitividade e preparar o CentroSul para um novo ciclo.

Mas é importante separar duas discussões.

Uma é sobre o futuro, que passa por melhorias e novos investimentos. Outra é sobre o papel já exercido e os resultados concretos entregues à cidade ao longo de mais de duas décadas. Confundir essas dimensões desqualifica o debate.

Florianópolis construiu, com esforço consistente, uma posição relevante no turismo de eventos. Preservar e fortalecer os ativos que sustentam essa posição é uma decisão estratégica sobre o modelo de desenvolvimento da cidade.

Para nós, o objetivo é um só: manter Florianópolis no mapa onde os grandes eventos acontecem.

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