
Entre petróleo, dívida e produtividade, o agro amplia a pressão por solução estrutural
A semana deixa um recado claro.
O agro deixou de tratar o endividamento como problema isolado e passou a integrá-lo à discussão macroeconômica do país, busca recursos onde eles existem. Pressiona por soluções mais amplas e reage a um cenário externo que não controla.
Ao mesmo tempo, continua produzindo, inovando e abrindo novas frentes, como mostra Santa Catarina.
Mas o tempo político e o tempo do campo seguem em ritmos diferentes.
E, no meio disso, a conta continua aberta, e em elevação.
Pré-sal entra na conta do agro e bancada pressiona por R$ 30 bilhões para dívidas rurais
A discussão sobre o endividamento do agro ganhou um novo ingrediente e ele não é pequeno.
A Frente Parlamentar da Agropecuária passou a mirar diretamente os recursos extraordinários do petróleo como alternativa para destravar a renegociação das dívidas no campo. A ideia, levada à mesa na reunião-almoço da última terça-feira (5), é simples na lógica, mas complexa na execução: usar parte do excedente arrecadado com a alta do petróleo para aliviar o passivo rural.
Segundo levantamento da própria bancada, a União deve fechar o ano com um ganho bruto de R$ 128,7 bilhões vindo de royalties, dividendos e tributos ligados ao setor de óleo e gás. Mesmo descontando renúncias fiscais, especialmente sobre combustíveis, a estimativa é de uma sobra de R$ 41,2 bilhões.
É nesse espaço que o agro quer entrar.
O presidente da FPA, Pedro Lupion, foi direto:
“Esse superávit extraordinário pode ser bem empregado não apenas para mitigar os efeitos da elevação dos combustíveis, mas também em outras necessidades, como as renegociações.”
A proposta passa a ser considerada como complemento ao Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata do endividamento rural e segue em negociação no Senado.
Negociação avança sem consenso e conta do agro segue aberta
A articulação em torno do projeto de endividamento continua sem definição clara sobre a origem dos recursos.
A senadora Tereza Cristina deixou evidente o tamanho do desafio:
“O que o governo está trazendo para a gente é o que sobrou do Plano Safra passado, cerca de R$ 82 bilhões. Mas isso não é suficiente. Nós precisamos de, no mínimo, R$ 180 bilhões.”
As equipes técnicas do Congresso e do Ministério da Fazenda seguem em negociação, buscando alternativas que incluem o Fundo Social do Pré-sal, o Fundo Garantidor de Investimentos e os próprios recursos extraordinários do petróleo.
Guerra no Oriente Médio já custa mais de R$ 7 bilhões ao agro brasileiro
O cenário externo voltou a pesar e rápido.
Segundo dados apresentados na reunião da FPA, o aumento do diesel já gerou impacto superior a R$ 7 bilhões para o agro brasileiro.
O economista Antônio da Luz foi direto no efeito:
“A cada R$ 0,25 de aumento no diesel, o custo para o produtor cresce R$ 1,3 bilhão.”
Com alta acumulada de cerca de 23%, o impacto já atinge colheita, plantio e planejamento da próxima safra.
PIB do agro cresce 12,2% e reforça peso do setor na economia
Mesmo sob pressão, o agro segue entregando resultado.
O PIB do setor chegou a R$ 3,2 trilhões em 2025, com crescimento de 12,2%, segundo a CNA e o Cepea.
O avanço foi puxado pelo setor primário, com destaque para soja, milho e pecuária. Já a agricultura teve crescimento mais moderado, impactada pela queda de preços.
O retrato é claro: o agro cresce, mas com margem cada vez mais apertada.
De Brusque ao Senado: Hermes Klann assume vaga e leva perfil do setor produtivo para Brasília
A terça-feira também foi marcada por um movimento político com forte leitura para o setor produtivo.
O empresário Hermes Artur Klann (PL-SC) tomou posse no Senado Federal na vaga de Jorge Seif, que se licencia temporariamente.
Natural de Brusque e com trajetória construída no setor de transporte e turismo, Klann chega ao Congresso com um perfil diretamente ligado à realidade empresarial e também às pautas que impactam o agro, como logística, custo de frete e ambiente regulatório.
Em seu discurso, reforçou a defesa do pacto federativo e da autonomia dos estados:
“Santa Catarina trabalha, produz e paga caro, mas vê grande parte do que arrecada ficar em Brasília.”
A posse também teve forte presença do setor produtivo catarinense. O empresário Luciano Hang acompanhou o ato e reforçou publicamente a amizade e a confiança no novo senador.
A coluna Política e Agro esteve lá, in loco, acompanhando a posse, que marca um momento simbólico: Santa Catarina passa a ter dois representantes brusquenses no Senado: Ivete Appel da Silveira e Hermes Klann.
Para Brusque, para Santa Catarina e para o agro, a expectativa é de uma atuação alinhada às pautas de quem produz, especialmente em temas como custo logístico, infraestrutura e ambiente de negócios.
Ivan Ramos é homenageado e reforça o peso do cooperativismo catarinense
A comunicação e o cooperativismo catarinense também ganham reconhecimento.
O comunicador e dirigente Ivan Ramos será um dos homenageados no 17º Encontro da Imprensa Catarinense, em agosto, em Chapecó.
Com mais de cinco décadas de atuação, sua trajetória se confunde com a própria evolução do cooperativismo no estado.
Hoje, como diretor executivo da Fecoagro, segue atuando na articulação entre produção, mercado e informação.





