
Por muito tempo, era comum que as mulheres estivessem nos bastidores dos grandes eventos sobre gestão pública e comunicação política. Organizavam campanhas, desenvolviam estratégias, coordenavam equipes e construíam narrativas, mas raramente eram maioria entre as vozes que ocupavam os palcos. No Summit Cidades 2026 e no COMPOL Brasil, esse cenário deu mais um passo em direção à mudança.
Nesta edição, o Summit Cidades reuniu 753 palestrantes, dos quais 302 eram mulheres, cerca de 40% do total. Entre elas, estiveram lideranças e especialistas de diferentes áreas, como a secretária-geral da Alesc, Marlene Fengler; a desembargadora substituta do TRE-SC, Luiza Portella; a prefeita de Joinville, Rejane Gambin; a presidente da Uvesc, Marcilei Vignatti; a secretária de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, Adeliana Dal Pont; a secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta; e a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan, além de profissionais de diversas regiões do Brasil e de outros países. Paralelamente, o COMPOL Brasil realizou sua maior edição, reunindo mais de 3.800 participantes de mais de 600 cidades brasileiras. Dos 190 palestrantes que passaram pelos palcos do evento, 86 eram mulheres. Mais do que números, os dados revelam uma presença crescente de profissionais que vêm ocupando espaços de protagonismo em áreas historicamente dominadas por homens.
Uma das palestrantes do COMPOL, a jornalista Rossani Tomas, avalia que o crescimento da presença feminina representa uma transformação importante para o setor.
“O marketing político é mais um espaço que nós, mulheres, precisamos e devemos ocupar, assim como qualquer outro setor da sociedade. Historicamente, o cenário político (e a comunicação dentro dele) sempre foi predominantemente masculino. Por isso, vejo com muita alegria o aumento do espaço dedicado às mulheres nesta edição do ComPol.”
Rossani destaca que o diferencial desta edição foi perceber mais mulheres ocupando os palcos como especialistas.
“Essa mudança precisa ser celebrada e fortalecida. Quando somamos a sensibilidade e a empatia mais aguçadas das mulheres ao pragmatismo e à capacidade logística que já dominavam o setor, o resultado é uma comunicação muito mais inclusiva e efetiva.”
Também palestrante do COMPOL, a jornalista e estrategista Mariana Ramos acredita que o espaço conquistado pelas mulheres vai além do reconhecimento individual.
“Durante muito tempo, as mulheres estiveram nos bastidores da política e da comunicação, construindo discursos, gerenciando crises e sustentando grandes projetos, mas sem ocupar os espaços de fala e decisão. Estar em um palco como o do COMPOL, compartilhando a minha trajetória e acompanhando tantas mulheres incríveis, é uma demonstração de que esse cenário está mudando.”

Para Mariana, cada mulher que assume um espaço de fala ajuda a abrir caminho para outras profissionais.
“Quando uma mulher fala de política, de estratégia, de imprensa, de poder, ela não está apenas dividindo conhecimento, ela está mostrando a todas as mulheres e às próximas gerações que esse espaço também é nosso.”
Outra palestrante do COMPOL, a pesquisadora, professora e consultora em comunicação política Vanessa Marques afirma que a maior presença feminina nos palcos representa uma reorganização dos espaços de poder dentro da comunicação política brasileira.
Segundo ela, as mulheres sempre estiveram presentes nas campanhas eleitorais, coordenando estratégias, liderando equipes e tomando decisões importantes, mas sem receber o mesmo reconhecimento público.
“O problema nunca foi ausência de competência feminina. O problema foi ausência de espaço.”
Vanessa avalia que o COMPOL tem contribuído para romper essa lógica ao colocar mulheres em posição de protagonismo.
“Quando uma mulher vê outras mulheres ocupando o palco, sendo ouvidas e reconhecidas como referências, algo se desloca também nela. A presença feminina em espaços de prestígio produz autorização simbólica para que outras mulheres também ocupem esses lugares.”
Entre as palestrantes do Summit Cidades esteve também a secretária de Justiça e Reintegração Social de Santa Catarina, Danielle Amorim Silva. Para ela, o crescimento da participação feminina é consequência da qualificação das profissionais que atuam na gestão pública.

“A presença das mulheres em espaços como o Summit Cidades é resultado de competência, qualificação e capacidade técnica. Cada vez mais, vemos mulheres ocupando posições estratégicas na gestão pública por mérito e pela contribuição que podem oferecer à sociedade.”
Danielle defende que ampliar esses espaços fortalece a gestão pública e incentiva novas lideranças femininas.
“É importante que esses ambientes continuem abrindo oportunidades para que outras mulheres que buscam capacitação, conhecimento e desenvolvimento profissional também possam ocupar espaços de liderança e decisão. Quando ampliamos essa participação, fortalecemos a gestão pública e construímos políticas mais representativas e eficientes.”
Os números desta edição mostram que a presença feminina deixou de ser exceção para se tornar uma característica cada vez mais evidente dos principais fóruns de discussão sobre gestão pública e comunicação política. Mais do que ocupar cadeiras na plateia, centenas de mulheres ocuparam os palcos para compartilhar conhecimento, experiências e estratégias, contribuindo para um debate mais diverso, plural e representativo. A presença de lideranças públicas, pesquisadoras, magistradas, gestoras, estrategistas e especialistas brasileiras e internacionais demonstra que as mulheres não apenas ampliaram sua participação no Summit Cidades e no COMPOL, mas consolidaram seu protagonismo nos debates sobre os rumos da gestão pública e da comunicação política.





