
Quando soube da existência de um restaurante senegalês na cidade, minha curiosidade despertou. Ele fica bem no Centro, próximo à Praça XV, uma localização que me deixou feliz, pois a chegada do Teranga ajuda a revitalizar, enriquecer e valorizar ainda mais aquela região.

Era sábado, aquela hora em que o Centro ferve e a fome começa a dar sinal. Espremido entre as lanchonetes e o comércio de sempre, avistei o logotipo do restaurante. Lá dentro, fomos recebidos com o sorriso e a simpatia do proprietário, Cher Cheikh. Vindo do Senegal e naturalizado brasileiro, ele fala um português perfeito. Toda a distância geográfica entre os continentes desaparece logo no primeiro contato, dando lugar apenas a uma curiosidade genuína. Cher e sua cozinha nos traduzem o Senegal com o afeto de quem recebe um parente querido.
Subi a escada caracol até o segundo andar para conferir as opções. Ao fundo, tocava Nit Kou N’Gnoul, uma música dos anos 80 da banda senegalesa Étoile de Dakar. Na capa do cardápio é explicado o conceito do lugar: “Teranga, em wolof, não tem uma tradução literal para o português, mas significa a arte da boa convivência e da hospitalidade, representada também pela alegria em dividir o alimento.”
Os preços são convidativos, com pratos principais por menos de R$ 40, passeando entre receitas típicas, como a Fataya (um pastelzinho de carne ou frango), e os nossos conhecidos PFs.

Eu já tinha um prato em mente para pedir: o Supukandja (R$ 33), feito com molho de quiabo, carne de gado, tomate, cebola, alho, pimenta e azeite de dendê, acompanhado de arroz branco. O quiabo é um dos meus vegetais preferidos desde a infância, então estava ansiosa para provar uma combinação diferente com o ingrediente. Segundo Cher, esse é o maior sucesso da casa e o mais pedido pelos clientes. Nele, o quiabo fica mais desmanchado, imerso em um molho aromático e levemente apimentado que envolve a carne.

Também experimentei o Mafé (R$ 33): uma combinação cremosa de carne bovina com pasta de amendoim, cenoura, batata-doce e arroz. É um prato aconchegante que lembra bastante o estrogonofe. Daqueles pedidos perfeitos que abraçam em um dia chuvoso.

Seguimos com o Yassa Djen (R$ 35), o irmão senegalês do nosso PF. Ele leva filé de tilápia grelhado, arroz, batata frita e salada de alface e tomate. O diferencial senegalês fica por conta do molho de cebola picada, marinada no limão e na mostarda, com um toque apimentado. Para quem gosta de pimenta, eles oferecem a da casa em um pequeno potinho. Já imaginei que seria bem potente, mas não deixei de provar. Bastou uma gotinha para entender que ela é apenas para os fortes, o que não é o meu caso.

Para beber, o suco de hibisco com hortelã (R$ 8) é o mais interessante; chama Bissap e é uma delícia. Também há suco de goiaba, laranja, gengibre com hortelã e limonada com hortelã. Não há bebidas alcoólicas.

O menu conta com duas sobremesas e provei ambas. Os Beignets (R$ 7) são bolinhos de chuva perfumados com casca de laranja. A outra opção é o Thiakry (R$ 7), um potinho de cuscuz envolto em iogurte, leite condensado, creme de leite e uvas-passas. Ele lembra um pouco o nosso arroz doce, mas com o contraste azedinho e fresco do iogurte. O lugar foi uma grata surpresa para fugir do óbvio de sempre no Centro da cidade e conhecer uma cultura gastronômica diferente.
*valores praticados no mês de junho de 2026
Serviço:
Teranga Culinária Senegalesa
Endereço: Rua Antônio (Nico) Luz, 17 – Centro – Florianópolis
Horário de funcionamento: segunda e terça, das 11h às 14h30 e das 17h às 22h, quarta e quinta (fechado), sexta a domingo, das 11h às 14h30 e das 17h às 22h.
WhatsApp: (48) 3365-2987
Instagram: @terangasenegalesa





