O governador Jorginho Mello (PL) fez um hat-trick nas pesquisas eleitorais divulgadas nesta semana. Três levantamentos — um deles, o Veritá, teve a divulgação suspensa por inconsistências na documentação apresentada ao TSE — apontam vitória em primeiro turno e ampla vantagem sobre os adversários.

Não poderia haver cenário melhor para quem está em plena pré-campanha e ainda disputa apoios de integrantes dissidentes em partidos que hoje orbitam o campo da oposição, como MDB e PP.
Veritá, Apex/Futura e Mapa/PanNews colocam o governador entre 65% e 70% dos votos válidos. São números que o deixam em posição confortável diante dos demais pré-candidatos.
É cedo para falar em vitória consolidada, mas também é verdade que o eleitor ainda não percebeu movimentos da oposição capazes de alterar o tabuleiro eleitoral.
Jorginho Mello conta com as vantagens inerentes ao cargo: a estrutura de comunicação do governo, uma agenda intensa de inaugurações e lançamentos de obras e presença constante pelo Estado. Isso lhe garante visibilidade muito superior à dos concorrentes.
João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio (PSB), embora já tenham praticamente definidas suas chapas, ainda não conseguiram ultrapassar a bolha política. O pré-candidato do PSD, apoiado por MDB e União Progressista, percorre Santa Catarina, mas segue falando principalmente aos já convencidos.
Merisio, que entrou mais tarde na disputa, concentra sua atuação nas redes sociais e busca um posicionamento mais à esquerda, tentando, num primeiro momento, conquistar o eleitorado lulista catarinense.
Se os números de Veritá e Apex/Futura, institutos pouco conhecidos do eleitor catarinense, despertavam dúvidas, a pesquisa do Instituto Mapa — tradicional em Santa Catarina e respeitada nos meios políticos —, contratada pela PanNews, reforçou a percepção de favoritismo de Jorginho Mello.
A lembrança de 2002
Os mais cautelosos lembram que, em 2002, houve uma virada histórica. E estão corretos ao afirmar que, em política, tudo pode acontecer até a abertura das urnas.
Mas aquele era um contexto bastante diferente. Esperidião Amin governava um Estado em dificuldades financeiras, mantinha uma relação distante com o interior e acumulava erros políticos.
Além disso, quem levou a disputa ao segundo turno não foi o MDB, que acabaria vencendo a eleição com Luiz Henrique da Silveira. Foi o PT, impulsionado pelo chamado “efeito Lula”, que alcançou seu melhor desempenho na história catarinense. José Fritsch obteve 27,33% dos votos, enquanto Luiz Henrique fez 30% e Amin terminou o primeiro turno com 39%.
Outro fator decisivo era a força eleitoral de Luiz Henrique em Joinville, então o maior colégio eleitoral do Estado. Prefeito da cidade, ele venceu ali com 59% dos votos no primeiro turno e ampliou a vantagem para 76% no segundo.
Por isso, embora a história mostre que reviravoltas são possíveis, o cenário atual apresenta diferenças importantes em relação ao de 2002.






