20/04/2026

Rafael Pezenti: “Quando não existe crise, o governo faz questão de criar”

A semana começa com um recado direto e sem rodeio.

Em entrevista exclusiva ao Política e Agro, o deputado Rafael Pezenti não economizou nas críticas ao cenário atual do agro brasileiro.

E foi além da análise. Foi para o confronto.

“Quando não existe uma crise, o governo faz questão de criar.”

A fala resume o tom de uma entrevista exclusiva à jornalista Ketrin Raitz, que expõe o que muitos produtores já sentem na ponta: o setor não está apenas enfrentando mercado e clima está lidando com decisões que, segundo ele, dificultam ainda mais a produção.

Proagro no centro da crítica e o pequeno produtor fora do sistema

Um dos pontos mais duros da entrevista foi o Proagro.

Programa criado há mais de 50 anos para proteger o pequeno produtor, hoje virou símbolo de exclusão, segundo Pezenti.

“Esse governo conseguiu extinguir o Proagro na prática.”

A crítica tem base:

  • limitação no número de acionamentos
  • redução de teto de enquadramento
  • aumento de custo para contratação

Resultado:

Mais de 58 mil produtores ficaram de fora do programa na última safra, segundo dados citados da FGV.

E o problema não para aí.

“E foram para onde? Para lugar nenhum.”

Sem Proagro e sem recursos no seguro rural, o produtor ficou exposto e, em muitos casos, endividado.

Abertura de mercado para quem?

Outro ponto sensível levantado pelo deputado foi a política de abertura de mercado.

Ele não critica a estratégia em si.
Critica o modelo.

“Sou a favor da abertura de mercado. Mas o produtor precisa ser valorizado como um todo não só uma empresa.”

Segundo ele, o Brasil abre mercados externos principalmente para proteína animal, mas aceita contrapartidas que penalizam o produtor nacional:

  • importação de alimentos
  • pressão sobre preços internos
  • risco sanitário

E dispara:

“A gente tem que concorrer com o próprio governo.”

O ponto central: abrir mercado não pode significar desorganizar o mercado interno.

Cebola, alho e leite a crise da agricultura familiar

Pezenti reforça que a crise não é isolada.

Ela atinge justamente as cadeias mais ligadas à agricultura familiar:

  • leite
  • cebola
  • alho
  • fumo

E o padrão se repete:

  • aumento de importações
  • queda de preço ao produtor
  • ausência de salvaguardas

No caso da cebola, a proposta é objetiva:

Limitar entrada de produto argentino no período de safra brasileira
Equilibrar oferta e preço

Mas, segundo ele: “Sugerimos isso ao governo e não fomos atendidos.”

Bastidor político e um mandato com lado definido

Em meio ao cenário, o deputado reforça sua posição:

  • pré-candidato à reeleição
  • foco na agricultura familiar
  • atuação direta na Frente Parlamentar da Agropecuária

E deixa claro:

“Eu estou aqui para ser a voz do pequeno produtor.”

A entrevista completa estará disponível no YouTube do Política e Agro, nesta segunda-feira (20), às 19h.

Plano Safra de R$ 674 bilhões e o recado das cooperativas

Se o crédito virou problema, a resposta do setor veio em forma de proposta.

As cooperativas, lideradas pela OCB, defendem um Plano Safra 2026/2027 de R$ 674 bilhões.

Divididos em:

  • R$ 520 bilhões para custeio e comercialização
  • R$ 154 bilhões para investimento
  • R$ 27 bilhões para equalização de juros

Além disso:

  • seguro rural com até R$ 4,5 bilhões
  • ampliação de limites do Pronaf e Pronamp
  • reforço no papel das cooperativas

Leitura direta: sem crédito forte, não tem safra.

CNA vai ao STF e leva o Prodes para o centro da disputa

A tensão sobre crédito rural chegou ao Supremo.

A CNA acionou o STF contra o uso de dados de desmatamento para concessão de crédito.

O argumento é pesado:

  • violação do direito de propriedade
  • presunção de culpa sem defesa
  • bloqueio automático de crédito

“Retirar o acesso ao crédito é condenar o produtor a não produzir.”

A ação está sob análise do ministro Gilmar Mendes.

O que está em jogo: o limite entre controle ambiental e direito econômico.

“Mais ônus para o agricultor” o alerta da Fecoagro

O debate ganha ainda mais peso com o artigo recente de Ivan Ramos, diretor executivo da Fecoagro:

“Mais ônus para o agricultor”

O texto é direto:

  • retirada de isenção de PIS/Cofins sobre insumos
  • aumento do Funrural
  • encarecimento da produção

E resume o momento:

“A pressão sobre o agro no Brasil é uma realidade.”

A crítica vai além do agro.

Aponta para um modelo econômico que:

  • aumenta custo
  • reduz margem
  • transfere a conta para quem produz

E deixa o alerta: “Não existe janta de graça.”

Boa semana e olho aberto

O agro brasileiro continua produzindo.
Continua sustentando.
Continua entregando.

Mas a semana começa devagar em Brasília, com o feriado de amanhã e sessões esvaziadas, mas com um recado claro: o problema do agro já não está só no clima ou no mercado. Está na regra.

E quando a regra vira obstáculo, o produtor deixa de competir e passa a resistir.

Boa semana, Agroamigos.

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