
A semana passada colocou a aliança entre Jorginho Mello e Adriano Silva no teste mais duro desde que a composição PL-Novo foi desenhada para 2026. A divulgação dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma crise nacional no campo da direita, com reflexos diretos em Santa Catarina, inclusive com especulações do fim da parceria. O caso ganhou peso porque Flávio admitiu ter buscado os recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, embora negue irregularidades. A reportagem original do Intercept fala em negociação milionária com Vorcaro.
O problema maior envolveu a declaração do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema contra Flávio Bolsonaro não ficou restrita ao debate nacional. Ela atingiu a aliança catarinense com o Novo de Adriano Silva desconfortável e até indignado com a manifestação até certo ponto precipitada do seu presidenciável. Em Santa Catarina, a visita de Zema passou a ser lida também como tentativa de explicar aos aliados de Jorginho que a crítica a Flávio era “ apenas uma visão pessoal e intransferível”, mas o estrago político já estava feito.
A reação da deputada Júlia Zanatta, ao defender o fim das coligações estaduais, mostra que a tensão não está apenas fora da aliança. Ela existe dentro do próprio campo da direita. É o tipo de movimento que, mesmo sem romper uma composição, cria constrangimento público. Constrangimento que o ex-prefeito de Joinville tenta fugir para não estragar o relacionamento com Jorginho Mello.
Uma foto vale mais do que nota oficial
Enquanto o barulho vinha de Brasília, Minas e das redes sociais, Jorginho e Adriano mantiveram agenda em Joinville na semana passada. Foi uma resposta sem discurso inflamado. A opção foi um café com cuca de amorinha na casa do ex-prefeito e discurso de unidade. Permanecer juntos, aparecer juntos e mostrar que, por enquanto, a coligação estadual continua de pé foi a estratégia adotada.
Foi um gesto e neste momento uma foto vale mais do que qualquer nota oficial distribuída em redes sociais.
Crise nacional pode contaminar parceria estadual
A chapa Jorginho-Adriano nasceu com lógica estadual de unir os partidos de direita. Jorginho busca continuidade, força eleitoral e fidelidade ao eleitor bolsonarista. Adriano entrega uma administração consagrada em Joinville, gestão e discurso de eficiência contra a burocracia. É o que o Novo tem para entregar.
O problema é que nenhuma chapa estadual vive isolada da eleição nacional. Se Flávio Bolsonaro seguir como nome competitivo do PL para a Presidência, cada crise nacional poderá contaminar alianças nos estados. Se o Novo insistir em construir Zema como alternativa nacional, o partido terá dificuldade de explicar por que combate o PL em Brasília e caminha com ele em Santa Catarina.
Estratégia é mostrar normalidade e união
A tendência é conter os danos e mostrar normalidade. Jorginho precisa de Adriano porque Joinville é o maior colégio eleitoral do Estado e porque o ex-prefeito ajuda a equilibrar a chapa com discurso de gestão. Adriano precisa de Jorginho como tempo de exposição, palanque competitivo e pretensões políticas futuras
Mas a aliança será sempre testada a partir de agora até as convenções partidárias que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que partidos e federações deliberam oficialmente sobre candidaturas e coligações. Até lá, muita água ainda vai passar por baixo da ponte.
A parceria Jorginho-Adriano, a partir de agora, cada movimento nacional de Flávio, Zema, Bolsonaro, PL ou Novo terá impacto direto na engenharia catarinense.
Embora fala-se em direita unida, a contradição política é difícil de esconder. O Novo quer vender independência nacional com Zema, enquanto em Santa Catarina se abriga no palanque mais forte do PL. Na política, isso não é necessariamente fatal. Mas cobra preço.
Os últimos acontecimentos nacionais colocam fim a um sonho catarinense. Direita unida para vencer o PT parece estar cada vez mais distante.





