08/06/2026

O fim de um mandato barulhento

Com poucos aliados, Cleiton Profeta perdeu seu mandado com 13 votos e o fim de uma jornada barulhenta

O relógio marcava 12h22 quando o presidente da Câmara de Vereadores de Joinville Diego Machado encerrou a sessão que decidiu pela cassação do mandato do vereador Cleiton Profeta (PL). Chegava ao fim de uma imbróglio que durou quase três meses entre discussões, reviravoltas jurídicas e também muito debate sobre os motivos da cassação de um vereador por falta de decoro parlamentar. Com 13 votos a favor da cassação, três abstenções e dois votos contrários, Profeta deixa o seu posto para assumir o suplente Cassiano Ecker. O plenário decidiu encerrar um dos capítulos mais turbulentos da história recente do Legislativo municipal.

O número não foi coincidência. Treze era exatamente o mínimo exigido (dois terços dos 19 vereadores), o chamado quórum qualificado. Chegou-se ao limite. Mais um voto a menos, e Profeta seguiria no cargo. Não foi uma votação simples. As três abstenções chegaram a surpreender. Os vereadores Diego Machado (PSD), presidente da Câmara, Tânia Larson (União) e Brandel Junior (Republicanos) mostraram que não estavam alinhados cegamente com o governo.

O governo se movimentou. Até no domingo as discussões ocorreram para dar mais tranquilidade na votação, mas o número não estava batido. Teve reunião em casa de vereador no bairro Costa e Silva e muita conta para tentar fechar os 13. A base governista chegou a afirmar que tinha 14 votos um pouco antes do começo da sessão desta segunda. 

Eleito com 3.225 votos nas eleições de 2024, Cleiton Profeta tinha mandato até 2028. Havia conquistado uma cadeira própria depois de ter sido suplente na legislatura anterior, um crescimento político que, ao final, não resistiu às próprias palavras ditas da tribuna. O processo de cassação, iniciado em março deste ano pelo Partido Novo, teve como base acusações de quebra de decoro parlamentar: ofensas reiteradas contra colegas vereadores, tumultos em sessões e, segundo o relatório do relator Érico Vinicius (Novo), comportamento considerado recorrente ao longo de 2025 e 2026. Entre os termos que constam no processo: “canalha”, “bunda mole”, “tanso”.

O estopim foi uma briga com o vereador Henrique Deckmann (MDB) em fevereiro deste ano, durante reunião na Sala VIP convocada pelo presidente da Câmara, Diego Machado (PSD). O episódio virou caso de polícia e arrastou Profeta para o banco dos réus dentro da própria Casa.

A sessão desta segunda foi tensa. O plenário ficou tomado por apoiadores de Profeta, que acompanharam o julgamento com cartazes. Antes da votação, o próprio vereador fez sua defesa enfática, segundo relatos, mas insuficiente para convencer a maioria. Sua equipe de advogados centralizou a estratégia na contestação técnica do processo, alegando parcialidade do relator, que pertence ao mesmo Partido Novo que apresentou a denúncia. Os argumentos foram rejeitados.

Até partidos de esquerda estiveram presentes no plenário com cartazes escritos: Tchau, Profeta!. 

Com a cassação, o agora ex-vereador tende a perder seus direitos políticos por oito anos. A defesa já anunciou que vai recorrer aos tribunais, buscando a anulação do processo e o retorno do parlamentar às funções. A batalha jurídica que se anuncia pode ser longa.Quem ocupa a cadeira vaga é Cassiano Ucker (PL), primeiro suplente do partido, que somou 3.017 votos nas eleições de 2024. Médico e servidor público municipal, Ucker já esteve na Câmara entre 2021 e 2024 e deve tomar posse nos próximos dias. A chegada de um perfil mais moderado ao mesmo partido tende a alterar o tom da bancada do PL que alinha–se justamente com o Novo na eleição estadual.

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