Desde 1998, quando Milton Mendes disputou o governo do Estado pelo PT e chegou em terceiro lugar com 15% dos votos, pela primeira vez o número 13 não estará na urna em Santa Catarina.
Será um teste para Gelson Merisio, que migrou do PSD — com rápida passagem por PSDB e Solidariedade — para o PSB e lidera uma frente de esquerda em Santa Catarina, onde o PT terá apenas uma das vagas ao Senado.

Pode ser uma forma de atrair mais eleitores de centro —contaminados pelo antipetismo—mas, por outro lado—é um desafio atrair os eleitores petistas e lulistas, sem o PT na cabeça.
Com exceção de uma corrente petista, liderada pelo professor Lino Peres, que ainda não se alinhou a candidatura de Merísio, o pré-candidato ao Governo parece muito à vontade entre partidários históricos e circula com desenvoltura apresentando as credenciais lhe outorgadas pelo presidente Lula.
Anteriormente, em 1990 e 1994, o PT já havia deixado de ter candidato próprio ao governo, apoiando, nos dois pleitos, Nelson Wedekin, eleito senador pelo MDB em 1986, mas candidato pelo PDT naquelas eleições.
Em 1990, Wedekin, com Mescoloto de vice, fez 11% dos votos. Em 1994, tendo Wilson Souza, do PSDB, como vice, e Luci Choinacki, do PT, ao Senado, ficou em torno de 9%.
Antes da aliança com o PDT em apoio a Wedekin, o PT disputou a eleição de 1982 — o partido havia sido fundado em 1980 — com o sindicalista Eurides Mescoloto, então casado com a professora Ideli Salvatti, que anos depois seria eleita senadora e nomeada ministra. Ele obteve menos de 1% dos votos.
Em 1986, o candidato petista ao governo foi o professor universitário Raul Guenther, que somou 2,7% dos votos. Na mesma eleição, o PT elegeu sua primeira deputada estadual, a agricultora Luci Choinacki. Mais tarde, ela seria eleita deputada federal por quatro mandatos e hoje, aos 72 anos, será uma das suplentes de Décio Lima ao Senado.
Desempenho histórico foi em 2002
Em 2002, na esteira da onda Lula, o PT teve seu melhor desempenho em Santa Catarina. José Fritsch fez 27,33% dos votos e ficou fora do segundo turno no detalhe. Luiz Henrique da Silveira, do MDB, avançou com 30,08% e acabou vencendo a eleição de virada. A diferença entre LHS e Fritsch foi de 84.230 votos.
Naquele pleito, os petistas ainda elegeram Ideli Salvatti para o Senado, cinco deputados federais — Carlito Merss, Luci Choinacki, Claudio Vignatti, Jorge Boeira e Mauro Passos — além de nove estaduais — Morastoni, Ana Paula, Assis, Serafim, Padre Pedro, Dionei, Dentinho, Paulo Eccel e Afrânio.
Naquele mesmo ano, Santa Catarina foi proporcionalmente o estado mais lulista do país. Luiz Inácio Lula da Silva fez 64,14% dos votos no segundo turno, contra 35,86% de José Serra. No primeiro turno, Lula já havia alcançado 56,59%.
Em 2022, menos votos, mas no segundo turno
Na eleição de 2022, pela primeira vez o PT chegou ao segundo turno em Santa Catarina, com Décio Lima. Ele fez 17,4% dos votos no primeiro turno, beneficiado pela fragmentação da centro-direita. No segundo turno, acabou derrotado por Jorginho Mello por larga margem.
Nas eleições de 2006 — 14% com José Fritsch —, 2010 — 24,9% com Ideli Salvatti —, 2014 — 15,5% com Claudio Vignatti — e 2018 — 12,7% com Décio Lima —, mesmo com o 13 na urna, o desempenho petista esteve longe de ser expressivo.
Para 2026, está posto o desafio de Gelson Merisio, que apoiou abertamente Décio Lima em 2022: arregimentar o petismo e as demais forças de esquerda em torno do projeto que lidera, mas sem o tradicional 13 na urna.






