12/06/2026

Por que esperar para viver melhor? Por Renata Stringhini

Artigo de Renata Stringhini, cofundadora da DOM Senior Living

Santa Catarina tem a maior expectativa de vida do Brasil, com média de 81,1 anos segundo o IBGE. É também o estado que, nos quatro primeiros meses de 2026, registrou mais de 14 mil casos de violações contra pessoas idosas, um crescimento de 6,86% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Os dois números, aparentemente distantes, contam a mesma história: o Brasil envelhece mais rápido do que construiu condições para acolher quem envelhece.

A violação não se resume à agressão física. O levantamento considera maus-tratos, negligência, abuso financeiro, violência psicológica e institucional. Em muitos casos, os agressores são pessoas próximas. E, em Santa Catarina, das 14.093 ocorrências registradas, apenas 1.454 resultaram em denúncias formalizadas, o que indica que a subnotificação é tão grave quanto os próprios números.

Esse cenário tem contexto. A longevidade cresceu. As estruturas de suporte, não. Famílias menores, rotinas mais densas e uma oferta habitacional que ainda não sabe o que fazer com uma população que vive mais e vive bem. O resultado é que a decisão sobre como envelhecer costuma ser adiada até o momento em que a urgência decide no lugar de quem deveria decidir.

Durante décadas, aprendemos a buscar soluções apenas quando surge uma necessidade. Mas a lógica da longevidade é diferente. Assim como investimos em atividade física antes de perder mobilidade ou cuidamos da alimentação antes do aparecimento de doenças, o ambiente em que vivemos também pode atuar como um fator de prevenção.

É exatamente esse ciclo que o senior living propõe romper.

O conceito, consolidado nos Estados Unidos, no Canadá e em países europeus, não foi criado para quem está doente. Foi criado para quem está bem e quer continuar assim. Seu público predominante é composto por pessoas autônomas, com mais de 60 anos, com renda e agenda próprias, que reconhecem que o ambiente em que se vive interfere diretamente na qualidade de vida com que se envelhece. Antecipar essa decisão não é resignação. É protagonismo.

Evidências internacionais indicam que ambientes estruturados para o envelhecimento ativo podem ampliar o período de autonomia funcional em até 5 anos, com impacto direto na saúde física e emocional. Os fatores são os mesmos que pesquisadores das Blue Zones, regiões do mundo onde as pessoas vivem mais e com mais saúde, identificaram como determinantes: movimento natural no cotidiano, vínculos sociais sólidos, alimentação adequada, propósito e pertencimento.

Entre os maiores desafios do envelhecimento contemporâneo não está apenas a saúde física, mas também a manutenção dos vínculos sociais. Estudos internacionais demonstram que a conexão humana, o senso de pertencimento e a participação comunitária estão entre os principais determinantes de uma longevidade saudável.

O LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living, primeiro residencial de senior living em operação em Santa Catarina , parte dessa lógica. Instalado na Cidade Criativa Pedra Branca, em Palhoça, o empreendimento reúne apartamentos privativos, serviços sob demanda, programação voltada à longevidade e inserção em um bairro caminhável, com acesso à saúde, ao comércio e à convivência a poucos minutos a pé.O suporte existe quando é necessário, sem que ninguém precise mudar de endereço para acessá-lo.

O envelhecimento da população é uma das maiores transformações sociais do nosso tempo. E talvez o desafio não seja apenas viver mais, mas também construir ambientes capazes de sustentar a autonomia, o propósito, a convivência e a qualidade de vida ao longo desses anos adicionais. O senior living surge justamente como uma resposta a essa nova realidade: não como um lugar para quem perdeu independência, mas como uma escolha consciente de quem deseja preservar aquilo que tem de mais valioso — sua liberdade de viver bem.

Os 14 mil casos registrados em Santa Catarina não são apenas uma estatística de violência. É o retrato de um modelo que ainda trata o envelhecimento como um problema a ser gerenciado, em vez de uma fase da vida a ser planejada. A pergunta que o senior living coloca não é “já chegou a hora?”, é “Por que esperar para viver melhor?”.

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