Artigo de Monique Margô Serafim, assessora de comunicação política

Tão ou mais importante do que a eleição para presidente e governador, a disputa pelo Senado pode decidir o rumo político de um estado. Isso fica ainda mais evidente quando estão em jogo duas das três vagas. No Brasil, esse cenário tem uma particularidade que não é comum em outros países: o eleitor pode votar individualmente em dois candidatos para o Senado na mesma eleição. E é justamente esse segundo voto que muitas vezes define o resultado.
Em Santa Catarina, em 2018, o PSL, partido escolhido por Jair Bolsonaro, lançou apenas um candidato ao Senado e acabou prejudicado por isso. A disputa foi acirrada entre Esperidião Amin, Jorginho Mello e Lucas Esmeraldino. Enquanto Amin e Jorginho se beneficiaram da falta de um segundo voto na chapa oficial bolsonarista, Esmeraldino perdeu a vaga por muito pouco. Fica a reflexão: se o PSL tivesse lançado dois nomes, teria ocupado esse espaço? E mais: Jorginho teria chegado ao governo do estado em 2022 se não tivesse sido eleito senador?
Em 2010, vimos o movimento contrário. O ex-governador Luiz Henrique da Silveira percebeu o risco de perder o segundo voto e foi direto ao eleitor: “Se não votar no Paulo Bauer, não precisa votar em mim”. O recado funcionou. Os dois foram eleitos ao Senado e evitaram que a evasão de votos favorecesse o candidato do PT, Vignatti. Estratégia, lealdade ou os dois? De qualquer forma, ficou a lição: o segundo voto precisa ser conduzido.
Já em 2002, a fragmentação decidiu a eleição. Mesmo sem ir ao segundo turno para o governo estadual, o PT elegeu Ideli Salvatti como a mais votada ao Senado. Já o grupo de Esperidião Amin, que liderou a eleição ao governo no primeiro turno, não elegeu nenhum dos candidatos da sua chapa. A segunda vaga ficou com Leonel Pavan, aliado de Luiz Henrique. Diferença pequena, impacto grande. Se Pavan não tivesse sido eleito naquele momento, teria sido vice-governador depois? Mais uma vez, o Senado ajudando a desenhar o futuro político.
Fora do Brasil, o jogo é diferente. Nos Estados Unidos, cada estado elege dois senadores, mas a renovação é gradual: a cada dois anos, apenas 1/3 das cadeiras entra em disputa. O eleitor vota em um nome por vez e o sistema evita mudanças bruscas. Já na Argentina, cada província elege três senadores: dois para o partido mais votado e um para o segundo. No México, a lógica é parecida, com duas vagas distribuídas entre a chapa da maioria (vencedora) e uma para a primeira minoria. Em ambos os casos, o eleitor não escolhe dois nomes diretamente como no Brasil. O voto é no partido ou na chapa fechada.
Por aqui, a cada quatro anos elegemos diretamente um senador e, a cada oito, temos o direito de escolher dois nomes e renovar a maioria do Senado. É uma oportunidade rara, que muda o equilíbrio político em Brasília e também influencia diretamente as eleições estaduais seguintes. Os partidos sabem disso e fazem suas contas. Por isso, mais do que nunca, cabe ao eleitor entender o peso da escolha do primeiro e do segundo voto ao Senado e escolher o melhor para Santa Catarina e para o Brasil.




