20/04/2026

Definições para a eleição de outubro mostram Joinville sem protagonismo e expõe vazio político 

Joinville perde importância política e é vista somente como apêndice de olho nos votos da cidade

As definições das chapas para as eleições de outubro estão começando definidas e uma realidade desconforta o eleitorado de Joinville: a falta de protagonismo. A maior cidade do Estado, a que gera mais recursos, a que desequilibra uma eleição, a que já foi decisiva para eleger um governador, está fadada a ser, mais uma vez, coadjuvante na política catarinense. A preocupação hoje é minimamente manter quatro deputados estaduais e sair da vexatória situação de ter apenas um deputado federal da cidade – e olha que nem pode-se dizer que o deputado Zé Trovão (PL) tem raízes fincadas em Joinville. 

Embora elogiado na sua gestão e até aclamado como o vice ideal do governador Jorginho Mello para a reeleição, não é incomum ouvir opiniões de que o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva poderia ter sido mais audacioso. Concorrer ao cargo de governador não seria surpresa para um prefeito reeleito com mais de 70% dos votos e com uma boa aprovação da sua gestão. A decisão de aceitar ser vice de Jorginho está como uma estratégia de olhar para o futuro, como possível sucessor da atual administração estadual. É o que resta. 

Nas demais chapas, Joinville está sendo vista como apêndice. Não pode ficar fora, mas também não é protagonista, não é linha de frente. Não  há nenhum político na cidade hoje com a musculatura, com o paletó pronto para bater no peito e se dizer um líder estadual. E ao se olhar para o futuro também não se enxerga ninguém construindo um projeto de comandar o Estado a não ser Adriano Silva daqui quatro anos.   

Desconforto de não ter ninguém do Norte no “time Lula”

Última chapa lançada apresenta até suplentes e ninguém representando a região Norte de Santa Catarina

A frente de esquerda lançou seu “time Lula” na semana passada. O ex-deputado Gelson Merísio (PSB), de Xaxim no Oeste do Estado, vai liderar a chapa tendo Angela Albino (PDT) como vice. Ao senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (Psol). A esquerda se adiantou para lançar também mulheres como suplentes ao Senado, fechando assim todos os espaços. O fato chamou a atenção por não ter nenhum integrante do Norte do Estado. Mas não só chamou a atenção como desagradou setores da esquerda em Joinville. Nomes como o do ex-prefeito de Joinville Carlito Merss (PT) e do ex-vice prefeito de Joinville, o advogado Rodrigo Bornholdt (PSB) ficaram de fora. Ainda haverá a tentativa de reverter o quadro até as convenções partidárias. Mas fica aqui o registro: Joinville briga por um espaço secundário até no espectro da esquerda. 

Com indefinição, MDB de Joinville tem ameaças internas de desfiliação

Mesmo com um espaço reservado ao MDB como vice do ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues, há indefinição sobre o nome. O favorito é, claro, do presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, de Jaraguá do Sul. O espaço poderia ser aberto para o joinvilense Rodrigo Coelho, ex-deputado federal, e nome que acalmaria os rebelados emedebistas da maior cidade do Estado. Lideranças do partido em Joinville são contra o apoio a João Rodrigues e há ameaças de desfiliação caso a cidade não seja contemplada com um cargo de destaque. Também são disputados nomes para compor como suplente do senador Esperidião Amin (PP). Entre eles surge o nome do ex-prefeito de Joinville Udo Döhler (foto). O MDB e Joinville também perderão uma liderança importante, a senadora Ivete Silveira não irá disputar a eleição e deixará o Senado.

Chapa de Jorginho agora busca na cidade suplentes para o Senado

Ex-deputado Kennedy Nunes se coloca como opção e pode ser alternativa de suplente a deputado

A busca por suplentes de senador também é uma batalha na chapa já fechada do Partido Liberal. Tanto Caroline De Toni como Carlo Bolsonaro estão de olho em uma suplência que venha de Joinville. Carol De Toni poderia buscar o empresário Ney Silva,  pai de Adriano Silva, que estaria entre os acordos com o governador Jorginho Mello. Outro nome cogitado para ser suplente de Carlos Bolsonaro é de Kennedy Nunes, que saiu da Casa Civil e se colocou à disposição do partido. O ex-deputado por Joinville foi candidato ao senado em 2022 e nunca negou desejo de ir para Brasília. 

Propostas das entidades deverá ser ignorada pelos partidos

As principais entidades empresariais de Joinville estão em plena campanha para maior representatividade política da região. A primeira fase está na consciência de transferir o título eleitoral de imigrantes e também a regularização. A segunda fase prevê a consciência de ir votar. A cidade teve uma taxa de 24% de abstenções na última eleição, em 2024, quando 107 mil eleitores deixaram de comparecer às urnas. Algo inédito. Esta é uma das principais preocupações. 

Mas o principal desafio é convencer os partidos a lançarem um número reduzido de candidatos. A meta são dois candidatos a deputado estadual e um candidato a deputado federal por partido. Pelo número de pré-candidatos e postulantes dificilmente algum partido acatará tal determinação.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.