Artigo de Luiz Carlos Goedert, o Luizinho da Regional.
Quando minha pergunta foi escolhida naquele “Almoço de Ideias” da ADVB, 13 anos antes de vencer a concorrência 103/2000 do Ministério das Comunicação para permissão de uma rádio FM para Santo Amaro da Imperatriz, a plateia realmente tinha motivos de gargalhar. Talvez ali tenha germinado a semente da coragem de enfrentar todo esse processo para obter a autorização da União para o serviço de radiodifusão.

O livro “REGIONAL FM: 100 anos em 20” não é sobre o que deu certo – é sobre não saber que era impossível conquistar uma outorga de rádio FM no Brasil. E todos esses anos se passaram e não saia da minha cabeça o pensamento positivo de buscar a licença. Hoje, 34 anos depois, vejo que sim, era impossível, mas fui lá e fiz, aliás parafraseado o autor Jean Cocteau (1889-1963) “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”.
Era impossível o governo abrir licitação para uma FM em Santo Amaro, mas consegui. Era impossível eu ganhar a licitação, mas eu ganhei. Era impossível eu montar uma rádio sem dinheiro e sem empréstimos bancários, mas eu consegui. Era impossível eu fazer as pessoas terem o hábito e ouvir uma rádio com nome de hospital, mas consegui. Era impossível ficar 18 anos líder de audiência, consegui.
Merecia um livro, pois aprendi na prática que o impossível é sempre um pouco mais a frente. Não desista.
Toda essa trajetória do antes e depois da REGIONAL FM, muito bem narrada pelo jornalista e escritor Carlos Stegemann, com certeza poderá inspirar empreendedores inseguros, que muitas vezes desistem de seus projetos por não ter exemplos igual ao meu. Eu sempre tive uma certeza imensa de que daria certo. Barreiras sempre existem, mas você precisa – como diz o meu neto de 4 anos de idade, Klaus – buscar os pensamentos positivos “aqui ó, na cabeça”.
Narrar a história é mais fácil do que construí-la, sem desmerecer os méritos do escritor. Nos 21 anos em que estamos no ar, a REGIONAL FM viveu momentos diferentes, sempre se adequado a cada realidade, mas nunca perdendo a conexão com que mantém a audiência: o ouvinte. Ideias como o Backstage Regional, com mais de 60 apresentações ao vivo, “Te Peguei na Regional” e tantas outras nasceram desta conexão.
Os hábitos mudam, os consumos seguem essa mudança, mas o rádio continua o mesmo, apesar de estar em constante evolução. Esse paradoxo se elimina quando podemos constatar que ao invés de rejeitar as novas tecnologias de consumo de áudio, o rádio se ancorou e se fortaleceu com as redes sociais, por exemplo. Daqui a dez anos teremos um rádio 90% on line, mas o modo tradicional com transmissor ainda ficará vivo para emergências em caso de apagão digital.
Nessa caminhada de 34 anos, não poderia de registrar a minha gratidão, em primeiro lugar, à minha esposa Aurélia, que esteve comigo em todos os momentos. Quando percorri sozinho o caminho da concorrência e depois com a implantação das emissoras, Regional FM e Nostalgia FM 101.3. Agradecer também a todos os colaboradores, todos os anunciantes, todos os parceiros sejam da equipe técnica, jurídica, artística. Esse projeto da REGIONAL FM é tão maravilhoso, que incrivelmente, fez nascer uma cria boa, a NOSTALGIA FM, uma nova emissora, com um perfil único no Brasil.
Mas toda essa minha história, que agora ficará registrada nas páginas do livro “REGIONAL FM: 100 ANOS EM 20” pode ser a semente do incentivo que muitos não encontram na internet, em outras obras, em filmes. Porque, enfrentar o IMPOSSÍVEL, sem saber que está enfrentando, na radiodifusão, só existe – sem falsa modéstia – na minha história de vida.
Boa leitura!





