09/06/2026

Caiado: “Se Lula não fosse complacente com narcotráfico e corrupção, o Brasil não sofreria punições”

O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Upiara Boschi no último sábado, na espaço do SCC SBT durante a Festa do Pinhão, em Lages. Na conversa, o ex-governador de Goiás mirou o presidente Lula (PT) como alvo único de críticas, mas apresentou-se como a alternativa de centro-direta com “autoridade moral” para enfrentar o narcotráfico e a corrupção.

Ronaldo Caiado afirmou ser contra a aplicações de tarifas ao Brasil pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas afirmou que as possíveis retaliações comerciais são reflexo direto da atual gestão do governo federal à infiltração de facções criminosas na economia formal do país.

Veja a íntegra da entrevista de Ronaldo Caiado a Upiara Boschi

A avaliação do ex-governador sobre o cenário internacional e a aplicação de tarifas foi o ponto central da conversa, na qual responsabilizou o presidente Lula.

– Se o Lula não fosse complacente com o narcotráfico e com a corrupção, o Brasil não estaria sofrendo essas punições – declarou Caiado.

Segundo ele, mecanismos como a Sessão 301, utilizada pelos norte-americanos para avaliar práticas de comércio, acabam acionados devido a uma percepção internacional de insegurança jurídica e institucional.

Para o ex-governador goiano, as sanções externas ocorrem porque governos estrangeiros consideram que há vantagens indevidas no mercado brasileiro.

– Você discute a concorrência desleal que tá tendo quando o governo brasileiro deixa o narcotráfico se ocupar aqui da economia formal no Brasil, quando hoje a corrupção dissemina em todas as áreas de governo – afirmou.

Ele acrescentou que países que exigem auditorias rigorosas se sentem desprotegidos diante do que classificou como dinheiro do crime circulando nas empresas.

Diferencial é “autoridade moral”, diz Caiado

Na disputa pelo espaço de representação da centro-direita na corrida presidencial, Caiado busca se diferenciar dos demais pré-candidatos ancorado em sua bagagem no Poder Executivo. Ao ser questionado sobre como traduzir essa vivência para o eleitorado conservador, ele apontou que o pleito será decidido pela capacidade de enfrentamento aos problemas que mais preocupam os eleitores.

– O divisor de águas será exatamente a autoridade moral para você corrigir aquilo que a população tá demandando: combate ao narcotráfico e a corrupção – disse.

A estratégia de focar em resultados práticos de gestão foi ilustrada com dados de seu mandato.

– Como governador de Goiás, eu entreguei um outro estado à população, é um estado que hoje eu tive, ao sair de lá, uma aprovação de 88% da população. Isso mostra o quanto você pode fazer –ressaltou o governador.

Para ilustrar o critério de escolha que acredita ser o ideal para o eleitor na próxima eleição, Caiado recorreu à sua formação em medicina. O presidenciável comparou a definição do voto à decisão de uma família diante de uma emergência de saúde.

– O debate é que faz com que a pessoa decida o voto. É igual quando você vai escolher um médico para operar o seu filho. Não é por causa do número dele, não é por causa do parentesco dele, é aquele que seja competente para receber seu filho em condições graves, operá-lo e dar condições para ele poder voltar e viver a vida normal. É isso que o Brasil espera de um presidente da República.

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