Mesmo com os avanços dos últimos anos, como a ampliação da profundidade do canal de acesso e a nova bacia de evolução, os possíveis efeitos do El Niño seguem no radar das autoridades portuárias em Itajaí e Navegantes. A principal preocupação – como bem lembrou o prefeito itajaiense e trabalhador portuário de carreira, Robison Coelho – está na navegabilidade no complexo portuário.

A força da água, vinda de outros municípios, é capaz de manter o canal completamente fechado por dias, como já ocorreu no passado. Um prejuízo que, atualmente, chegaria a R$ 100 milhões ao dia, levando em consideração o Porto de Itajaí e demais terminais privados, como a Portonave, que fazem parte do complexo. Diante desse cenário, a Superintendência do Porto instalou uma comissão especial para monitorar e avaliar os impactos do fenômeno nas operações.
De imediato, as medidas tomadas foram reforço na dragagem e no monitoramento climático. A autoridade portuária retomou a dragagem periódica do canal e acionou a empresa que disponibiliza o serviço para deixar de sobreaviso um equipamento maior, de sucção, caso o assoreamento se intensifique com as chuvas. O monitoramento climático também foi retomado e a superintendência estuda um contrato emergencial para um trabalho mais detalhado.
A avaliação das autoridades é de que os investimentos realizados ao longo dos últimos anos reduziram a vulnerabilidade da infraestrutura portuária. “O que estamos prevendo é que danos como os registrados em 2008 não voltem a acontecer”, afirmou o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira. Naquele ano, a enchente destruiu completamente o Berço 4 do porto, episódio lembrado pelo prefeito de Navegantes, Ricardo Ventura, durante comissão para tratar sobre o tema no Senado.
Correnteza
Se os riscos estruturais foram mitigados, a correnteza continua sendo uma variável decisiva. “Em 2008 nós tínhamos um canal com nove metros de profundidade, em 2011 eram 11 metros e hoje são 14 metros, então melhorou muito”, lembra o prefeito de Itajaí.
Ainda assim, para Coelho, os reflexos das chuvas em outras regiões da bacia hidrográfica seguem desafiadores. “Em 2023, por exemplo, nós tivemos enchentes em vários pontos do estado e o complexo ficou parado por 21 dias por conta da correnteza, que não temos como conter”.
El Niño
O fenômeno El Niño, como trouxe Camila Levien, é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Isso aumenta o volume de chuva no sul do Brasil e causa preocupação com os impactos sociais e econômicos em diferentes setores.






