20/05/2026

Chico Socorro, um cidadão chamado marketing

A trajetória profissional de Francisco Socorro é uma longa lista de feitos e conquistas, que ganha ainda mais importância diante de sua origem humilde. Subiu os degraus da carreira começando como office-boy da J. Walter Thompson, em São Paulo, uma das maiores redes de agências de publicidade do mundo.

Francisco ‘Chico’ Socorro, 2025 | Foto de Carlos Stegemann

            Cidadão de forte senso crítico, de visão política libertária, ainda assim Chico Socorro (ou, para os íntimos, Chico Help) era um mestre em relacionamentos e colecionava boas e longevas amizades. Nomes como Antunes Severo, Emílio Cerri, Elói Simões, George Peixoto, Roberto Costa, Saulo Silva — pioneiros e gigantes do marketing e da publicidade catarinense — entre muitos, eram parte de sua longa lista de parcerias.

            Há muito radicado em Santa Catarina, dirigiu o marketing da Cia. Hering e produziu dois livros com a coletânea de artigos do célebre industrial Ingo Hering. Emprestou seu talento às principais agências de publicidade de Santa Catarina e às entidades corporativas. Esteve sempre ao lado das melhores causas sociais e culturais.

            Conhecia e convivia com Chico havia mais de três décadas – com episódios marcantes, como quando chamou a PalavraCom, minha extinta empresa de comunicação corporativa, para um trabalho à Associação Brasileira das Agências de Publicidade (ABAP/SC), à época presidida por Carlos Paulo.

            Nos últimos dois anos, no entanto, nossa convivência se estreitou muito, em razão da biografia que produziu sobre Péricles Prade (1942-2024), cuja edição me confiou. Deliciava-me ao ouvi-lo contar histórias: foi um dos privilegiados espectadores da defesa de tese de doutorado Fernando Henrique Cardoso, na USP, tendo o sociólogo Florestan Fernandes presidindo a banca. E sobre a origem de seu sobrenome, uma corruptela da resposta que seu avô deu ao funcionário da imigração, quando lhe perguntaram de onde era e esse afirmou, repetidamente, com forte sotaque: “sou corso!”. O gentílico se transformou em sobrenome. Casado por décadas com Neyde Borges Coelho, pianista, professora e produtora cultural, Chico é uma perda irreparável, ocorrida na fria manhã deste 19 de maio de 2026. Sempre recebi dele um carinho paternal, imerecido.

            O que me conforta é que o seu legado é perpétuo.

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