A trajetória profissional de Francisco Socorro é uma longa lista de feitos e conquistas, que ganha ainda mais importância diante de sua origem humilde. Subiu os degraus da carreira começando como office-boy da J. Walter Thompson, em São Paulo, uma das maiores redes de agências de publicidade do mundo.

Cidadão de forte senso crítico, de visão política libertária, ainda assim Chico Socorro (ou, para os íntimos, Chico Help) era um mestre em relacionamentos e colecionava boas e longevas amizades. Nomes como Antunes Severo, Emílio Cerri, Elói Simões, George Peixoto, Roberto Costa, Saulo Silva — pioneiros e gigantes do marketing e da publicidade catarinense — entre muitos, eram parte de sua longa lista de parcerias.
Há muito radicado em Santa Catarina, dirigiu o marketing da Cia. Hering e produziu dois livros com a coletânea de artigos do célebre industrial Ingo Hering. Emprestou seu talento às principais agências de publicidade de Santa Catarina e às entidades corporativas. Esteve sempre ao lado das melhores causas sociais e culturais.
Conhecia e convivia com Chico havia mais de três décadas – com episódios marcantes, como quando chamou a PalavraCom, minha extinta empresa de comunicação corporativa, para um trabalho à Associação Brasileira das Agências de Publicidade (ABAP/SC), à época presidida por Carlos Paulo.
Nos últimos dois anos, no entanto, nossa convivência se estreitou muito, em razão da biografia que produziu sobre Péricles Prade (1942-2024), cuja edição me confiou. Deliciava-me ao ouvi-lo contar histórias: foi um dos privilegiados espectadores da defesa de tese de doutorado Fernando Henrique Cardoso, na USP, tendo o sociólogo Florestan Fernandes presidindo a banca. E sobre a origem de seu sobrenome, uma corruptela da resposta que seu avô deu ao funcionário da imigração, quando lhe perguntaram de onde era e esse afirmou, repetidamente, com forte sotaque: “sou corso!”. O gentílico se transformou em sobrenome. Casado por décadas com Neyde Borges Coelho, pianista, professora e produtora cultural, Chico é uma perda irreparável, ocorrida na fria manhã deste 19 de maio de 2026. Sempre recebi dele um carinho paternal, imerecido.
O que me conforta é que o seu legado é perpétuo.







