23/04/2026

O agro é tech: 35 mil drones tomam o céu e SC marca nova era da fiscalização

A transformação digital do agro brasileiro já não está no horizonte, ela está no ar. O crescimento do uso de drones no campo consolida uma nova lógica de produção baseada em precisão, eficiência e automação. Em Santa Catarina, essa mudança também alcança a estrutura pública, com a ampliação do uso da tecnologia na fiscalização ambiental. A coluna reúne ainda os avanços legislativos para a aquicultura, as novas regras para o chocolate, o momento crítico vivido pelo setor do alho e a cobrança do agro por mais prioridade nas decisões políticas.

Do alto, mais precisão. No chão, menos perda e mais controle ambiental em SC

Os drones deixaram de ser ferramenta experimental para virar parte da operação.

E com impacto direto:
· redução no uso de água e insumos
· aplicação em áreas onde máquinas não chegam
· eliminação de perdas por amassamento (até 7% na soja e 4,8% no arroz)
· maior penetração no dossel das plantas (até 1,9 vez superior)

   Resultado: mais eficiência com menos custo.

A expansão também vem da necessidade:
· janelas de aplicação mais curtas
· áreas irregulares
· clima mais imprevisível

E Santa Catarina já começou a usar essa tecnologia, além da produção.

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina concluiu o ciclo de capacitação de pilotos de drones 2025–2026, formando mais de 100 servidores do próprio órgão e outros 50 de diferentes instituições estaduais.

A iniciativa fortalece o uso de aeronaves não tripuladas para:

  • fiscalização ambiental
  • monitoramento territorial
  • licenciamento mais ágil

O gerente de geoprocessamento do IMA, Djoni Antonio da Silva, destacou:

“A capacitação desse quantitativo de servidores é um marco na modernização do Instituto.”

O próximo passo já está definido:
   Entrega de novos equipamentos às regionais e unidades de conservação.

   Tradução direta:
o drone não é mais só ferramenta do produtor.

Virou instrumento de Estado.

O agro já não quer ajuda, quer autonomia

E os drones são só o começo.

O campo entra em uma nova fase:
· tratores autônomos
· sistemas guiados por mapas digitais
· robôs patrulhando lavouras

O chamado “drone dog” robô com inteligência artificial e câmera térmica já é usado para segurança em áreas agrícolas.

   Tradução direta: o agro não está só modernizando. Está automatizando.

AgTech Valley completa 10 anos e exporta inovação

Esse avanço não nasceu do acaso.

O ecossistema de inovação do agro brasileiro, com destaque para o Vale do Piracicaba (SP), completa 10 anos como referência nacional.

Inspirado no Vale do Silício, o modelo ajudou a:
· estruturar startups do agro
· conectar pesquisa e mercado
· transformar tecnologia em produção

   Hoje, o agro 4.0 já não é tendência, é realidade.

Chocolate com mais cacau e menos “maquiagem”

O Senado aprovou o PL 1.769/2019, que estabelece regras mais rígidas para produtos derivados de cacau.

Entre os pontos:
· mínimo de 35% de cacau no chocolate
· limite de gorduras vegetais
· transparência no rótulo

   Impacto:
· mais qualidade para o consumidor
· valorização do produtor nacional

Aquicultura avança em duas frentes e ganha menos burocracia e mais identidade produtiva

O setor aquícola ganhou fôlego no Congresso e não foi por uma única via.

São dois movimentos distintos, mas complementares, que corrigem distorções antigas e dão mais clareza ao produtor.

De um lado, avançou na Câmara o PL 4.162/2024, que atualiza o marco legal do setor.

A proposta:
· diferencia a produção em ambientes naturais (rios, lagos e mares)
· da aquicultura em estruturas artificiais dentro de propriedades privadas
· reduz entraves regulatórios
· aumenta a segurança jurídica

   Na prática:
reconhece que produzir peixe em tanque, não é o mesmo que pescar.

De outro, também avançou a proposta que retira a obrigatoriedade do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) para aquicultores.

A justificativa é objetiva:
· os dados já são informados por outros sistemas oficiais
· a exigência gerava sobreposição burocrática
· aumentava custo sem ganho de controle

   Resultado: menos papel, mais eficiência.

   Leitura política: o Congresso começa a corrigir uma distorção histórica tratar aquicultura como pesca.

E, para o produtor, isso significa uma coisa: menos burocracia para produzir mais.

Alho em alerta: live revela bastidores da crise

Nesta quinta-feira, 23 de abril, às 19h, o Política e Agro recebe o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho, Rafael Jorge Corsino, para uma conversa direta sobre o cenário do setor, com a jornalista Ketrin Raitz e o advogado Pedro Etchepare.

Na pauta:
crise do alho
investigação antidumping
salvaguardas comerciais
concorrência internacional

O tema vai além do mercado. É sobre sobrevivência do produtor. E o momento exige clareza.

  Ao vivo no Instagram do Política e Agro

 23 de abril

 19h

Ative o lembrete e participe.

O agro cobra e quer ser ouvido

A coluna fecha com um recado direto.

No artigo “O que o agro espera dos políticos”, o diretor da Fecoagro, Ivan Ramos, deixa claro: o setor não quer promessa.

Quer reconhecimento.

E mais:
· representatividade política
· coerência nas decisões
· retorno do que paga em impostos

  O alerta é simples: o agro sustenta boa parte da economia.

Mas ainda precisa ser tratado como prioridade.

Enquanto o agro voa, o Estado aprende a usar as asas

O campo já mudou.

Agora:
· voa
· se automatiza
· ganha precisão

E, em alguns casos, até o próprio Estado começa a acompanhar esse movimento.

Mas o agro ainda enfrenta:
· mercado desorganizado
· concorrência externa
· decisões políticas inconsistentes

   No Brasil não falta tecnologia, falta ritmo.

Porque enquanto o agro acelera, o sistema ainda tenta decolar.

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