
A transformação digital do agro brasileiro já não está no horizonte, ela está no ar. O crescimento do uso de drones no campo consolida uma nova lógica de produção baseada em precisão, eficiência e automação. Em Santa Catarina, essa mudança também alcança a estrutura pública, com a ampliação do uso da tecnologia na fiscalização ambiental. A coluna reúne ainda os avanços legislativos para a aquicultura, as novas regras para o chocolate, o momento crítico vivido pelo setor do alho e a cobrança do agro por mais prioridade nas decisões políticas.
Do alto, mais precisão. No chão, menos perda e mais controle ambiental em SC
Os drones deixaram de ser ferramenta experimental para virar parte da operação.
E com impacto direto:
· redução no uso de água e insumos
· aplicação em áreas onde máquinas não chegam
· eliminação de perdas por amassamento (até 7% na soja e 4,8% no arroz)
· maior penetração no dossel das plantas (até 1,9 vez superior)
Resultado: mais eficiência com menos custo.
A expansão também vem da necessidade:
· janelas de aplicação mais curtas
· áreas irregulares
· clima mais imprevisível
E Santa Catarina já começou a usar essa tecnologia, além da produção.
O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina concluiu o ciclo de capacitação de pilotos de drones 2025–2026, formando mais de 100 servidores do próprio órgão e outros 50 de diferentes instituições estaduais.
A iniciativa fortalece o uso de aeronaves não tripuladas para:
- fiscalização ambiental
- monitoramento territorial
- licenciamento mais ágil
O gerente de geoprocessamento do IMA, Djoni Antonio da Silva, destacou:
“A capacitação desse quantitativo de servidores é um marco na modernização do Instituto.”
O próximo passo já está definido:
Entrega de novos equipamentos às regionais e unidades de conservação.
Tradução direta:
o drone não é mais só ferramenta do produtor.
Virou instrumento de Estado.
O agro já não quer ajuda, quer autonomia
E os drones são só o começo.
O campo entra em uma nova fase:
· tratores autônomos
· sistemas guiados por mapas digitais
· robôs patrulhando lavouras
O chamado “drone dog” robô com inteligência artificial e câmera térmica já é usado para segurança em áreas agrícolas.
Tradução direta: o agro não está só modernizando. Está automatizando.
AgTech Valley completa 10 anos e exporta inovação
Esse avanço não nasceu do acaso.
O ecossistema de inovação do agro brasileiro, com destaque para o Vale do Piracicaba (SP), completa 10 anos como referência nacional.
Inspirado no Vale do Silício, o modelo ajudou a:
· estruturar startups do agro
· conectar pesquisa e mercado
· transformar tecnologia em produção
Hoje, o agro 4.0 já não é tendência, é realidade.
Chocolate com mais cacau e menos “maquiagem”
O Senado aprovou o PL 1.769/2019, que estabelece regras mais rígidas para produtos derivados de cacau.
Entre os pontos:
· mínimo de 35% de cacau no chocolate
· limite de gorduras vegetais
· transparência no rótulo
Impacto:
· mais qualidade para o consumidor
· valorização do produtor nacional
Aquicultura avança em duas frentes e ganha menos burocracia e mais identidade produtiva
O setor aquícola ganhou fôlego no Congresso e não foi por uma única via.
São dois movimentos distintos, mas complementares, que corrigem distorções antigas e dão mais clareza ao produtor.
De um lado, avançou na Câmara o PL 4.162/2024, que atualiza o marco legal do setor.
A proposta:
· diferencia a produção em ambientes naturais (rios, lagos e mares)
· da aquicultura em estruturas artificiais dentro de propriedades privadas
· reduz entraves regulatórios
· aumenta a segurança jurídica
Na prática:
reconhece que produzir peixe em tanque, não é o mesmo que pescar.
De outro, também avançou a proposta que retira a obrigatoriedade do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) para aquicultores.
A justificativa é objetiva:
· os dados já são informados por outros sistemas oficiais
· a exigência gerava sobreposição burocrática
· aumentava custo sem ganho de controle
Resultado: menos papel, mais eficiência.
Leitura política: o Congresso começa a corrigir uma distorção histórica tratar aquicultura como pesca.
E, para o produtor, isso significa uma coisa: menos burocracia para produzir mais.
Alho em alerta: live revela bastidores da crise
Nesta quinta-feira, 23 de abril, às 19h, o Política e Agro recebe o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho, Rafael Jorge Corsino, para uma conversa direta sobre o cenário do setor, com a jornalista Ketrin Raitz e o advogado Pedro Etchepare.
Na pauta:
crise do alho
investigação antidumping
salvaguardas comerciais
concorrência internacional
O tema vai além do mercado. É sobre sobrevivência do produtor. E o momento exige clareza.
Ao vivo no Instagram do Política e Agro
23 de abril
19h
Ative o lembrete e participe.
O agro cobra e quer ser ouvido
A coluna fecha com um recado direto.
No artigo “O que o agro espera dos políticos”, o diretor da Fecoagro, Ivan Ramos, deixa claro: o setor não quer promessa.
Quer reconhecimento.
E mais:
· representatividade política
· coerência nas decisões
· retorno do que paga em impostos
O alerta é simples: o agro sustenta boa parte da economia.
Mas ainda precisa ser tratado como prioridade.
Enquanto o agro voa, o Estado aprende a usar as asas
O campo já mudou.
Agora:
· voa
· se automatiza
· ganha precisão
E, em alguns casos, até o próprio Estado começa a acompanhar esse movimento.
Mas o agro ainda enfrenta:
· mercado desorganizado
· concorrência externa
· decisões políticas inconsistentes
No Brasil não falta tecnologia, falta ritmo.
Porque enquanto o agro acelera, o sistema ainda tenta decolar.





