
A semana começa com um recado direto e sem rodeio.
Em entrevista exclusiva ao Política e Agro, o deputado Rafael Pezenti não economizou nas críticas ao cenário atual do agro brasileiro.
E foi além da análise. Foi para o confronto.
“Quando não existe uma crise, o governo faz questão de criar.”
A fala resume o tom de uma entrevista exclusiva à jornalista Ketrin Raitz, que expõe o que muitos produtores já sentem na ponta: o setor não está apenas enfrentando mercado e clima está lidando com decisões que, segundo ele, dificultam ainda mais a produção.
Proagro no centro da crítica e o pequeno produtor fora do sistema
Um dos pontos mais duros da entrevista foi o Proagro.
Programa criado há mais de 50 anos para proteger o pequeno produtor, hoje virou símbolo de exclusão, segundo Pezenti.
“Esse governo conseguiu extinguir o Proagro na prática.”
A crítica tem base:
- limitação no número de acionamentos
- redução de teto de enquadramento
- aumento de custo para contratação
Resultado:
Mais de 58 mil produtores ficaram de fora do programa na última safra, segundo dados citados da FGV.
E o problema não para aí.
“E foram para onde? Para lugar nenhum.”
Sem Proagro e sem recursos no seguro rural, o produtor ficou exposto e, em muitos casos, endividado.
Abertura de mercado para quem?
Outro ponto sensível levantado pelo deputado foi a política de abertura de mercado.
Ele não critica a estratégia em si.
Critica o modelo.
“Sou a favor da abertura de mercado. Mas o produtor precisa ser valorizado como um todo não só uma empresa.”
Segundo ele, o Brasil abre mercados externos principalmente para proteína animal, mas aceita contrapartidas que penalizam o produtor nacional:
- importação de alimentos
- pressão sobre preços internos
- risco sanitário
E dispara:
“A gente tem que concorrer com o próprio governo.”
O ponto central: abrir mercado não pode significar desorganizar o mercado interno.
Cebola, alho e leite a crise da agricultura familiar
Pezenti reforça que a crise não é isolada.
Ela atinge justamente as cadeias mais ligadas à agricultura familiar:
- leite
- cebola
- alho
- fumo
E o padrão se repete:
- aumento de importações
- queda de preço ao produtor
- ausência de salvaguardas
No caso da cebola, a proposta é objetiva:
Limitar entrada de produto argentino no período de safra brasileira
Equilibrar oferta e preço
Mas, segundo ele: “Sugerimos isso ao governo e não fomos atendidos.”
Bastidor político e um mandato com lado definido
Em meio ao cenário, o deputado reforça sua posição:
- pré-candidato à reeleição
- foco na agricultura familiar
- atuação direta na Frente Parlamentar da Agropecuária
E deixa claro:
“Eu estou aqui para ser a voz do pequeno produtor.”
A entrevista completa estará disponível no YouTube do Política e Agro, nesta segunda-feira (20), às 19h.
Plano Safra de R$ 674 bilhões e o recado das cooperativas
Se o crédito virou problema, a resposta do setor veio em forma de proposta.
As cooperativas, lideradas pela OCB, defendem um Plano Safra 2026/2027 de R$ 674 bilhões.
Divididos em:
- R$ 520 bilhões para custeio e comercialização
- R$ 154 bilhões para investimento
- R$ 27 bilhões para equalização de juros
Além disso:
- seguro rural com até R$ 4,5 bilhões
- ampliação de limites do Pronaf e Pronamp
- reforço no papel das cooperativas
Leitura direta: sem crédito forte, não tem safra.
CNA vai ao STF e leva o Prodes para o centro da disputa
A tensão sobre crédito rural chegou ao Supremo.
A CNA acionou o STF contra o uso de dados de desmatamento para concessão de crédito.
O argumento é pesado:
- violação do direito de propriedade
- presunção de culpa sem defesa
- bloqueio automático de crédito
“Retirar o acesso ao crédito é condenar o produtor a não produzir.”
A ação está sob análise do ministro Gilmar Mendes.
O que está em jogo: o limite entre controle ambiental e direito econômico.
“Mais ônus para o agricultor” o alerta da Fecoagro
O debate ganha ainda mais peso com o artigo recente de Ivan Ramos, diretor executivo da Fecoagro:
“Mais ônus para o agricultor”
O texto é direto:
- retirada de isenção de PIS/Cofins sobre insumos
- aumento do Funrural
- encarecimento da produção
E resume o momento:
“A pressão sobre o agro no Brasil é uma realidade.”
A crítica vai além do agro.
Aponta para um modelo econômico que:
- aumenta custo
- reduz margem
- transfere a conta para quem produz
E deixa o alerta: “Não existe janta de graça.”
Boa semana e olho aberto
O agro brasileiro continua produzindo.
Continua sustentando.
Continua entregando.
Mas a semana começa devagar em Brasília, com o feriado de amanhã e sessões esvaziadas, mas com um recado claro: o problema do agro já não está só no clima ou no mercado. Está na regra.
E quando a regra vira obstáculo, o produtor deixa de competir e passa a resistir.
Boa semana, Agroamigos.





