
O 1º de abril começa com uma mudança que não tem nada de simbólica e tudo de estrutural.
Em plena semana esvaziada pela Páscoa, o governo promove uma das trocas mais sensíveis do seu núcleo econômico: o comando do Ministério da Agricultura.
E, no agro, mudança de comando nunca é só troca de nome.
É troca de interlocução, de prioridade e, principalmente, de confiança.
A posse do novo ministro acontece nesta quarta-feira, no mesmo dia em que esta coluna chega ao leitor. Ou seja: não é análise futura. É realidade em curso.
E o que está em jogo vai muito além da cadeira.
Novo ministro assume com orçamento bilionário e pressão por resultado
O deputado André de Paula (PSD-PE) assume o Ministério da Agricultura em meio a uma transição que mistura política, orçamento e expectativa do setor produtivo.
A mudança é física, mas o salto é financeiro e estratégico.
- Sai de uma pasta com cerca de R$ 270 milhões (Pesca)
- Assume uma estrutura com R$ 12,1 bilhões sob gestão
Desse total:
- R$ 4,5 bilhões são para programas diretos
- R$ 4,8 bilhões vinculados à Embrapa
- R$ 7,4 bilhões no Funcafé
Ou seja: mais do que orçamento, o novo ministro assume instrumentos que moldam o futuro do agro brasileiro.
O desafio é claro:
Integrar recursos
Garantir eficiência
Manter competitividade global
E há um ponto central: o mercado produtor chega com expectativa elevada de diálogo real com o governo federal.
Enquanto isso, na Pesca, a continuidade fica com Édipo Araújo, atual secretário-executivo, que assume a pasta para manter as políticas em andamento.
Nos bastidores, a leitura é direta: a troca não é ruptura, mas é teste.
Coopera Agro SC coloca R$ 1 bilhão na mesa e mira expansão da produção
Enquanto Brasília reorganiza cadeiras, Santa Catarina acelera investimento.
O governador Jorginho Mello lançou o Coopera Agro SC, com até R$ 1 bilhão em financiamentos voltados à produção integrada de suínos e aves.
Os números colocam o programa entre os maiores do país:
- impacto estimado de R$ 26 bilhões na economia
- cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos
- potencial de alcance de 120 mil produtores
As condições:
- juros de 9% ao ano
- até 2 anos de carência
- prazo de 8 anos para pagamento
Mais do que crédito, é política estruturada.
O programa envolve:
- Secretaria da Agricultura
- Secretaria da Fazenda
- Secretaria de Planejamento
- Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE)
E nasce com um ponto forte: governança integrada e monitoramento de resultados.
“Vamos destravar investimentos e gerar oportunidades”, afirmou o governador.
Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, “o programa oferece condições reais para que os produtores, cooperativas e agroindústrias possam investir e crescer. É resultado de um intenso estudo do Governo do Estado para atender na ponta as reais necessidades da cadeia de proteína animal”.
Já no campo, a leitura é simples: quando o crédito chega com previsibilidade, o investimento volta.
Ibama trava exportação de barbatanas e acende alerta no setor pesqueiro
Uma decisão ambiental com impacto direto na economia.
O Ibama proibiu a exportação de barbatanas de tubarão-azul separadas do corpo do animal no Brasil.
A medida busca combater a prática do finning já proibida, mas agora avança sobre o comércio internacional.
O problema: atinge diretamente a cadeia produtiva.
Para o Sindipi, que representa o maior polo pesqueiro industrial do Brasil, a normativa para o tubarão-azul tem “graves incongruências técnicas e jurídicas que, na prática, inviabilizam a exportação e importação do recurso”. A medida também traria insegurança jurídica, com impactos na cadeia produtiva.
Em nota de repúdio, a entidade aponta que o Ibama extrapolou suas atribuições ao lançar as novas regras, tentando legislar sobre a gestão pesqueira, e pediu a suspensão imediata da norma. O Sindipi ainda lembrou que o tubarão-azul já tinha ordenamento, regulamentado neste ano por portaria interministerial.
O Sindipi reagiu com dureza:
- fala em insegurança jurídica
- critica inviabilidade logística
- pede suspensão imediata da norma
Santa Catarina está no centro dessa discussão.
Em junho de 2023, o estado foi palco da maior apreensão de barbatanas de tubarão já registrada no mundo:
29 toneladas apreendidas
Cerca de 10 mil animais envolvidos
Agora, a nova regra tenta fechar essa rota – mas abre um novo conflito entre regulação ambiental e viabilidade econômica.
Força feminina do agro ganha destaque global com Tania Zanella
E, para fechar, o agro também mostra sua força onde importa: na liderança.
Tania Zanella, presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), foi reconhecida, em evento realizado pela Forbes, como uma das Mulheres Mais Poderosas do Brasil em 2026.
A Edição 138 reúne lideranças que se destacam em suas áreas e impulsionam o protagonismo feminino em diferentes segmentos, do campo à ciência.
“Estar entre as mulheres mais poderosas do Brasil não é sobre um lugar é sobre propósito. Esse reconhecimento carrega histórias, trabalho coletivo e a força de milhares de mulheres que transformam realidades todos os dias pelo cooperativismo. Seguimos provando que é possível crescer com impacto, liderar com propósito e construir caminhos que beneficiam mais gente”, destacou Zanella.
Para Santa Catarina, é mais que reconhecimento. É representação.
Entre comando, crédito e confiança
O 1º de abril não trouxe mentira.
Trouxe um retrato claro do momento do agro.
Brasília troca comando.
Santa Catarina coloca dinheiro na mesa.
O mercado reage a regulações.
E o setor segue olhando para frente.
No fim, tudo converge para uma palavra: confiança.
Confiança no ministro que assume.
Confiança no crédito que chega.
Confiança nas regras que mudam.
Porque o agro pode lidar com risco.
Mas não opera bem com incerteza.
E abril começa assim: com mudança no comando e o setor inteiro atento ao que vem depois.





