Em janeiro de 2014, o então deputado federal Eduardo Cunha esteve em Florianópolis em campanha pela presidência da Câmara. Durante um almoço com parlamentares recém-eleitos, no Hotel Majestic, ouviu de Celso Maldaner a pergunta inevitável: haveria espaço para uma terceira via na disputa contra Arlindo Chinaglia?

A resposta veio em tom de deboche, arrancando risos: “Terceira via, desde que entrei na política, sempre fica em terceiro lugar”. Cunha venceria com folga. O resto da história —cassação e prisão na Operação Lava Jato— é conhecido.
Mais de uma década depois, a frase volta a fazer sentido. A decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior, de não avançar em uma candidatura presidencial ajuda a enterrar, ao menos nesse momento, qualquer tentativa consistente de terceira via.
Sem um nome competitivo, figuras como Ronaldo Caiado, Eduardo Leite ou Romeu Zema, caso entrem na disputa, tendem a orbitar o campo da direita já consolidado — hoje referenciado pelo bolsonarismo, que tem no senador Flávio Bolsonaro um de seus polos mais visíveis.
Não seriam, portanto, uma alternativa real para o eleitor que rejeita tanto o PT quanto a família Bolsonaro.
Pesquisas sustentam a polarização
O filme não é novo. Em julho de 2021, ainda distante da eleição de 2022, levantamentos indicavam um contingente relevante — cerca de 30% — disposto a apoiar alguém fora da dicotomia entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Esse espaço, no entanto, nunca foi ocupado de forma consistente.
O resultado foi uma eleição resolvida nos marcos da rejeição: votos dados menos por adesão e mais por contenção do adversário.
Os dados mais recentes sugerem a repetição do padrão. Pesquisa Atlas indica um cenário apertado, com Lula à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e, pela primeira vez, em desvantagem numérica em simulações de segundo turno.
É cedo para conclusões definitivas. Mas o desenho que se impõe é familiar: a eleição tende novamente à polarização. E, mais uma vez, não se trata apenas de preferência — trata-se, sobretudo, de rejeição.
De um lado, eleitores que votam em Lula sem entusiasmo, apenas para evitar o retorno de um Bolsonaro ao poder. De outro, votos dados contra o PT, mesmo entre quem torce o nariz para o bolsonarismo.
Nesse ambiente, a chamada terceira via não desaparece por falta de demanda. Ela desaparece por falta de quem consiga encarná-la.
Até onde vai Renan Santos?
A pesquisa Atlas/Intel divulgada quarta trouxe um novo personagem ao cenário político. Renan Santos, do recém criado partido Missão (do MBL) aparece com 4,4%, a frente do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que tem 3,7%, e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, com 3,1%. Aldo Rebelo, que poderá ser o Padre Kelmon desta eleição, soma 0,6%, enquanto brancos e nulos chegam a 1,9% e 0,3% dos entrevistados não souberam responder
Sua performance é observada, segunda a pesquisa, entre os jovens. No último levantamento, em fevereiro, nessa faixa etária, ele tinha 15%, pulando para 24% em março.
Seu discurso, entre outros temas, deverá ficar no antipetismo e no antibolsonarismo.






