A discussão sobre o possível fim da escala 6×1 já mobiliza o setor produtivo no litoral norte catarinense e acende um alerta, sobretudo, no comércio. Empresários do setor entendem que o segmento deve sentir os efeitos, caso a proposta seja instituída, de forma mais imediata.
Cidades como Balneário Camboriú e Itajaí têm presença forte no varejo. A proposta de redução da jornada de trabalho tende a pressionar custos operacionais, exigir readequação de equipes e, assim, encarecer os produtos. O Sindilojas BC, por exemplo, pauta-se na pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo que aponta prejuízos de até R$ 122 bilhões ao ano para o terceiro setor.

Foto: Sindilojas BC / Divulgação
Liderado pela Fecomércio SC, o sindicato só aponta perdas com a proposta. Além do custo operacional, a região toda vive um cenário de escassez de mão de obra. Oportunidades com horários flexibilizados e home office têm dificultado a vida do dono de loja que simplesmente não encontra profissionais mesmo se dispondo a treiná-los.
Recentemente, Balneário Camboriú também publicou uma medida que permite que o comércio de rua abra nos feriados de 1º de maio. Desta forma, a partir deste ano, empresas que estão em conformidade com as normas do sindicato patronal só não podem abrir no dia 25 de dezembro.
A possibilidade de funcionamento em praticamente todos os feriados nacionais é positiva para o empreendedor e reforça a vibe shopping a céu aberto que tanto agrada aos turistas. Ao mesmo tempo, amplia os desafios de contratação e retenção, especialmente entre os mais jovens. Aos empresários, resta se adaptar com condições mais competitivas, seja em ambiente de trabalho, seja em remuneração.
Comex ainda não projeta mudanças
No comércio exterior, potência em Itajaí e Navegantes, ainda não há projeções de impactos relevantes. O setor opera predominantemente em escala 5×2, o que reduz efeitos imediatos. Na atividade portuária, as jornadas seguem lógica própria, organizadas por escalas diferenciadas e ajustadas à operação contínua dos terminais.
Ao menos por enquanto, é no varejo que se concentra a maior apreensão diante de uma mudança que ainda está em debate.






