Já consolidado em Bombinhas há pouco mais de três anos, o Pisco abriu em Florianópolis no final de 2025. Eu estava no Rosarito, no bairro Santa Mônica, comendo um delicioso taco de peixe quando vi, pela primeira vez, a pequena fachada da casinha amarela do outro lado da rua e me encantei à primeira vista.

O restaurante de culinária peruana é cheio de referências culturais, tanto na arquitetura e decoração, quanto na gastronomia. O chef Raul Aldave é peruano, o que faz a imersão ser completa.

Quando entrei, fiquei encantada com seu grande espaço de vários ambientes e toques coloridos divertidos como as almofadas trazidas diretamente do Peru, entre diversos outros itens.

Nos fundos, há uma ampla varanda aberta muito gostosa e também um bar, que é outro espaço reservado e diferente para aproveitar.

Na carta de bebidas, claro, os piscos brilham. São aguardentes de uva (destilados de vinho) típicas do Peru e do Chile. Também há vinhos e cervejas, contando com uma exclusiva feita na casa: IPA Leche de Tigre (R$ 22) com notas de pimenta peruana aji amarillo. O Pisco Morango (R$ 53) com a bebida típica, morango, limão, gengibre e água com gás lembrou um smoothie, bem refrescante e picante por conta do gengibre.

O cardápio é extenso e foi bem difícil escolher entre ceviches, talharins, arrozes, sopas; porém, dentre os itens que escolhi, estava tudo muito bem feito e saboroso.

Indico demais pedir o Trio de Ceviche (R$ 130) para conhecer da melhor maneira a culinária típica do país. São três porções de ceviches: um de atum vermelho, outro de pescada e o último, ceviche misto com iscas de peixe fresco, lula, polvo e camarão marinados no leite de tigre com milho (um milho molinho aromático, onde senti um leve aroma de erva-doce), pipoca tradicional peruana e batata-doce, mas não é qualquer batata-doce…
A saga sensorial da batata-doce

Aqui, abro um parêntese para informar que jantava na companhia da minha amiga Rubia e destrinchamos a personalidade dessa batata-doce desde o início. Havíamos esquecido que ela estava descrita no cardápio e levamos aquela “fruta” amarela à boca esperando algo conhecido como uma manga. Depois de confirmarmos no cardápio que era uma batata-doce, imaginamos como ela chegou naquela cor e sabor, que lembrou uma gostosa compota. A seguir, Rubia, em suas próprias palavras, “fez uma autópsia” da batata, o que revelou que ela era branca por dentro. Soubemos pela garçonete que era embebida em suco de laranja e outras especiarias, um gostoso e novo achado para nós.

Como principal, pedi um Anticucho de Mignon (R$ 130), não imaginando que seria tão bem servido. São três grandes espetos de filé mignon marinados em aji panca peruano, uma pimenta nativa dos Andes e muito comum na culinária peruana; deixa o mignon totalmente interessante além de sua maciez. Acompanha batatas cozidas e milho grelhado com molho anticuchero (bem apimentado). Os carnívoros vão adorar esse prato.

Rubia escolheu o Arroz Chaufa de Atum (R$ 140). Arroz em fusão das cozinhas peruana e chinesa, salteado com legumes e pedaços de atum, tortilla de ovo e atum selado coberto com gergelim. O bom é sempre perguntar se o prato leva muita pimenta ou não (caso você seja sensível) e eles adaptam ao seu paladar. Como tudo estava bem servido, acabamos levando marmitinhas para casa.

A saideira foi o Maracujá Sour (R$ 53) que finalizou a noite como nosso drink preferido. Ao primeiro gole, o sorriso vem fácil. É feito com pisco, maracujá, clara de ovo e xarope de açúcar.
P.S: Fiz uma pesquisa e descobri que a batata-doce é um acompanhamento clássico do ceviche no Peru e a do Brasil é bem diferente da peruana. Os peruanos possuem um método para deixá-las mais parecidas com as do país de origem, fervendo-as com suco de laranja e especiarias.
*valores praticados no final de março de 2026
Serviço:
Pisco Cocyna Y Bar
Endereço: Rua Clodorico Moreira, 53, Santa Mônica – Florianópolis
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, a partir das 18:30
Instagram: @piscofloripa






