
Neokemp mostra Jorginho 24 pontos à frente dos adversários
O instituto Neokemp trouxe uma pesquisa perfeita para o PL catarinense às vésperas da chegada do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ao Estado, com agendas sexta e sábado. É a primeira rodada em que o instituto apresenta o cenário que tem se consolidado na disputa pelo governo estadual, com os onipresentes Jorginho Mello (PL) e João Rodrigues (PSD), mas trazendo Gelson Merisio (PSB) como o nome dos partidos de esquerda e dupla Ralf Zimmer (PRD) e Marcelo Brigadeiro (Missão) como os franco-atiradores.

O levantamento foi divulgado com exclusividade pelo OCP News e replicado em outros veículos de comunicação.
Não há grandes novidades em relação ao favoritismo do governador Jorginho Mello para reeleição. Ele ostenta 54,2% das intenções de voto no cenário estimulado (aquele em que os nomes e partidos são apresentados ao eleitor pesquisado). É o patamar que instituto vem apontado desde que se confirmou o apoio do ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), pré-candidato a vice-governador.
O ex-prefeito chapecoense João Rodrigues mantém o patamar de votos que obtém nas pesquisas do Neokemp desde o ano passado, 18,3% – garantido pela liderança na região de Chapecó/Caçador, onde alcança 44,5% contra 33,5%. É a única região em que o governador não lidera.
Merisio alcança 7,8% em sua primeira pesquisa como filiado ao PSB e anunciado como candidato do presidente Lula (PT) em Santa Catarina. É menos do que obtinha Décio Lima (PT) nas pesquisas Neokemp, mas já é a faixa que alcançavam nomes testados como alternativa nos quadros petistas, como Fabiano da Luz, Paulo Eccel e Carlito Merss.
Nome do Missão, Marcelo Brigadeiro aparece com 2,8%, enquanto Ralf Zimmer marca 1%. Os indecisos somam 8,8%, enquanto branco ou nulo foi a opção de 7,1% dos entrevistados.
O que isso quer dizer?
Pelos números do Neokemp, Jorginho Mello tem 24,3 pontos a mais que a soma dos adversários, o que hoje garantiria a vitória em primeiro turno por larga margem. É muita folga e as explicações são claras e objetivas. Primeiro, o voto presidencial está blocado na direita: Flavio Bolsonaro tem 51,8% das intenções de voto, quase o percentual de Jorginho. Soma-se a isso, a aprovação do governo, atestada em outras pesquisas.
Por fim, os adversários ainda não estão devidamente encaixados nas raias da disputa. Merisio, por exemplo, ainda está longe dos 24,3% que Lula obtém entre os eleitores catarinenses pesquisados pelo Neokemp. Ou seja, mesmo com o tom de confronto permanente entre governo estadual e federal, tem muito eleitor lulista optando por Jorginho ou João Rodrigues.
Sem vinculo presidencial, o ex-prefeito de Chapecó tem margem para crescer em foram do Oeste atrelando-se a lideranças locais (Clésio Salvaro em Criciúma, por exemplo), mas precisa mostrar o que diferencia seu projeto em relação a Jorginho.
E o Senado?
Os cenários do Neokemp para a pesquisa ao Senado em Santa Catarina são ainda mais musicais para os ouvidos do PL. Na soma do primeiro e do segundo voto, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro fazem uma votação praticamente idêntica e muito distante do que alcançam os adversários.
Seria indicação de que a chapa Carol/Carlos, apesar das turbulências, estaria dando liga na base. Importante ressaltar, há pesquisas não registradas dizendo coisas diferentes.
Mas aqui vou me ater à pesquisa registrada. Carlos Bolsonaro lidera o primeiro voto com 28,4%, com Carol de Toni logo atrás, empatada tecnicamente, com 25,5%. Também em situação de empate técnico surgem Décio Lima (PT), com 15,4%, e Esperidião Amin (PP) com 14,1%. Afrânio Boppré (PSOL) aparece com 5,3%, enquanto o produtor rural Jeferson Rocha (PRD) alcança 0,3%.
No segundo voto, Amin se aproxima da dupla do PL, mas em terceiro lugar. Carol de Toni lidera com 24,5%, empatada tecnicamente com Carlos Bolsonaro, enquanto o senador progressista surge com 18,3%, tecnicamente empatado com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Décio Lima e Afrânio surgem em outro pelotão, empatados tecnicamente – 9,6% para o petista, 8,1% para o psolista. Rocha alcança 1,4%.
A soma dos votos faz com que Carol de Toni obtenha 50%, colada em Carlos Bolsonaro com 49,9%. Seriam os dois eleitos se a eleição fosse hoje, de acordo com o Neokemp. Esperidião Amin aparece em terceiro com 32,3%, seguido por Décio Lima (25%), Afrânio Boppré (13,4%) e Jeferson Rocha (1,7%).
Fatores a observar
Importante observar que Décio Lima, depois de duas eleições para o governo do Estado, aparece próximo na soma de votos ao percentual que Lula alcança para a presidência entre os eleitores catarinenses. A campanha pode puxar Afrânio para esse patamar – isso se não foram vítimas de voto útil anti-Carlos Bolsonaro.
E aí vem o segundo ponto para colocar no caderninho de anotações. A rejeição de Carlos é a segunda maior entre os eleitores pesquisados pelo Neokemp, atrás apenas de Décio Lima, mas não muito longe. O petista alcança 34,4%, contra 32,7% de Carlos, empate técnico.
Em uma faixa intermediária, Afrânio Boppré tem 19,1% de rejeição. Mas o que chama atenção que a rejeição a Carol de Toni e Esperidião Amin é praticamente inexistente: 2,6% para a deputada, 2,4% para o senador.
Eleição para o Senado com dois votos é mais sobre ser menos rejeitado do que sobre ser preferido.





