
Não vai ter disputa por Bolsonaro
Ainda ecoam os eventos pré-eleitorais do final de semana e a constatação de que teremos mudanças na estratégia da conquista do voto do eleitor conservador em Santa Catarina. A manifestação clara e inequívoca do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) de que terá apenas um palanque aqui no Estado, com o governador Jorginho Mello (PL) à reeleição e a dupla Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado, deve limar desde já o que aconteceu em 2022, quando vários candidatos a governador disputavam o apelo eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entre os catarinenses.

A política se adapta. Em 2018, a primeira Onda Bolsonaro foi olhada com desdém pela maior parte da política tradicional, acostumada ao jogo de composições. Quem se atentou a ela, Gelson Merisio (PSD à época), garantiu vaga no segundo turno, mas acabou atropelado pela verticalização no número 17 do antigo PSL, que elegeu Carlos Moisés governador.
Em 2022, a aposta era de que seria possível ser bolsonarista fora do partido de Bolsonaro. Candidatos ao governo, Esperidião Amin (PP), Gean Loureiro (União Brasil) e Carlos Moisés (pelo Republicanos) tentaram, em maior ou menor grau, essa estratégia de desacoplar a eleição nacional da estadual pela declaração de voto em Jair Bolsonaro. Na época, ao fim do primeiro turno, escrevi no UpiaraOnline a análise de que o eleitor de SC havia ensinado aos políticos (e à imprensa) que “não existe bolsonarismo fora do partido de Bolsonaro” (leia o texto original). Depois da apuração dos votos é sempre mais fácil, claro.
Agora, depois das experiências de duas Ondas Bolsonaro, João Rodrigues (PSD) vai buscar o eleitor conservador, não o bolsonarista, para enfrentar Jorginho. Como será feito? É o desafio posto. Só dizer que é mais de direita ou mais amigo do ex-presidente, já sabemos de antemão que não funciona. Em favor do pessedista, diferente de quatro anos atras, é que a aliança com MDB e União Progressista impede a fragmentação do voto içado pela tradição política do Estado. Em 2022, Moisés (com MDB), Gean (com PSD) e Amin somaram 40,35% dos votos e perderam a vaga no segundo turno para Décio Lima (PT), que fez 17,42%.
Upiararômetro
Pessoal do MDB me perguntou se o evento do PL no sábado tinha mais gente do que aquele que os emedebistas organizaram para Jorginho Mello (PL) em Balneário Camboriú em outubro do ano passado, quando achavam que poderiam ficar com a vaga de vice-governador na chapa da reeleição. Como estive nos dois, posso garantir: tinha mais gente no evento de 5 mil pessoas do MDB do que no evento de 5 mil pessoas do PL.
O novo pedetista de Florianópolis
Uma discreta mudança de partido na Câmara de Florianópolis só alcançou hoje o meu radar – graças à TV Câmara. O vereador e pré-candidato a deputado estadual Gui Pereira trocou o PSD pelo PDT. É uma clara articulação do pré-candidato a governador Gelson Merisio (PSB) para reforçar a nominata pedetista, que ganhou alguns nomes na reta final do prazo de filiações para garantir a possibilidade de reeleição do deputado estadual Rodrigo Minotto.
A aposta de Gui Pereira é interessante. No PSD, apesar de perspectiva de conquista de até seis cadeiras na Alesc, a chapa está congestionada – incluindo dois vereadores em Florianópolis (Ricardo Pastrana e Pri Fernandes). No PDT, a possibilidade de conquistar a primeira suplência é concreta e o sonho é livre.
Houve acordo para que a vaga de Gui Pereira não fosse requisitada.
Sinais
Não é que o Merisio veio para o jogo mesmo?
Por falar nele…

Luciane Ceretta no SCC Upiara

Luciane Ceretta, secretária estadual de Educação e reitora licenciada da Unesc, é a entrevistada desta segunda-feira no podcast SCC Upiara. Para conversar sobre os desafios da pasta e, claro, um pouco de política, quem me acompanha é a colunista Déborah Almada, presidente da Associação Catarinense de Imprensa (ACI). Acompanhe ao vivo às 20h30 no Youtube do SCC SBT. A partir da amanhã, a íntegra estará disponível nos canais do Portal Upiara no YouTube e no Spotify.





