
Antes do apito inicial, o agro já entrou em campo
Nesta quinta-feira, dia 11, Estados Unidos, México e Canadá dão o pontapé inicial na maior Copa do Mundo da história. Serão 48 seleções, 104 partidas e bilhões de espectadores acompanhando o torneio. Mas existe uma conexão pouco lembrada entre os países-sede e o Brasil: o agronegócio!
Enquanto a bola ainda não rolava, carnes, café, soja, produtos florestais, sucos, cacau e tecnologia já cruzavam as fronteiras entre os quatro países movimentando bilhões de dólares.
Só nos primeiros quatro meses de 2026, as exportações brasileiras para Estados Unidos, Canadá e México superaram US$ 4,5 bilhões em produtos agropecuários e agroindustriais. E quem liderou esse placar foi justamente a proteína animal brasileira.
A Copa começa hoje, mas o agro entrou em campo há muito tempo.
A mesa da Copa tem sotaque brasileiro
Entre janeiro e abril deste ano, os três países-sede compraram mais de US$ 1,37 bilhão em carnes brasileiras. Os Estados Unidos lideraram as aquisições, com quase US$ 967 milhões em proteína animal, seguidos pelo México, com US$ 360 milhões, e pelo Canadá, com US$ 52 milhões.
Mas não foi apenas churrasco que atravessou as fronteiras.
O café brasileiro somou mais de US$ 739 milhões em exportações para os três países. Produtos florestais ultrapassaram US$ 927 milhões. A soja também teve papel importante, especialmente no mercado mexicano.
Em outras palavras: enquanto as seleções disputam quem levanta a taça, o Brasil já é campeão quando o assunto é abastecer os anfitriões.
A bola mais tecnológica da história também é agro
A Trionda, bola oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, carrega sensores, materiais reciclados, tecnologia de monitoramento em tempo real e um nível de inovação nunca visto em uma Copa.
Mas sua origem continua sendo agrícola. A câmara interna é produzida com látex natural extraído da seringueira. O revestimento incorpora derivados da cana-de-açúcar transformados em polímeros de base biológica. Parte da estrutura utiliza materiais reciclados e insumos de origem vegetal. Segundo a Adidas, mais da metade da composição da bola vem de fontes renováveis ou recicladas.
A tecnologia impressiona. Mas sem seringueira, sem floresta plantada e sem agricultura, a bola simplesmente não existiria.
O futebol começa na fazenda
A frase parece exagero, mas não é!
Os gramados da Copa também nascem no agro. Duas variedades presentes em estádios do Mundial são produzidas pela Itograss, empresa sediada em Tremembé, interior de São Paulo. As variedades Tifway 419 e North Bridge estarão em campos que receberão jogos importantes do torneio, incluindo partidas da Seleção Brasileira.
“O futebol começa na fazenda”, resume Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos da empresa.
Cada gramado passa por até 18 meses de produção, com irrigação diária, adubação, manejo fitossanitário, monitoramento climático e melhoramento genético. O resultado é uma superfície capaz de influenciar a velocidade da bola, a precisão dos passes e até o desempenho dos atletas.
Quando o torcedor vê um gramado perfeito na televisão, está olhando para anos de pesquisa agrícola.
Quando os craques também investem no campo
A relação entre futebol e agro não termina nos gramados.
Neymar entrou recentemente no mercado de vinhos com a marca Le Prince, produzida com rótulos da Espanha e do Chile. O colombiano James Rodríguez apostou no café e criou a marca 10 Coffee, inspirada na tradição cafeeira de seu país.
O uruguaio Giorgian De Arrascaeta mantém forte ligação com a criação de cavalos. Gustavo Gómez, capitão da seleção paraguaia e do Palmeiras, investe em propriedade rural no Paraguai. Já o australiano Aiden O’Neill possui uma fazenda com criação de gado em New South Wales.
Em comum, todos enxergaram no agro algo que vai além da produção de alimentos: é um investimento de longo prazo.
Exportações seguem marcando gols
A semana também trouxe boas notícias para o comércio exterior brasileiro.
A balança comercial encerrou a primeira semana de junho com superávit de US$ 3,2 bilhões. As exportações cresceram 37,6% na comparação com o mesmo período do ano passado e a agropecuária foi um dos destaques do resultado.
No acumulado do ano, o saldo positivo já alcança US$ 35,9 bilhões, reforçando a importância do setor exportador para a economia brasileira.
O jogo que o Brasil já venceu
A Copa do Mundo vai durar algumas semanas, mas o agronegócio brasileiro disputa um campeonato permanente.
Enquanto milhões de pessoas acompanham gols, dribles e disputas por uma taça, o Brasil continua abastecendo mercados, produzindo alimentos, exportando proteína, desenvolvendo tecnologia e mostrando que o futebol e o agro têm mais em comum do que parece.
A bola que rola nos estádios, a grama que sustenta os craques e boa parte do que estará na mesa dos torcedores carregam, de alguma forma, a marca do campo.
E se dentro das quatro linhas ninguém sabe quem será campeão, fora delas o Brasil segue jogando entre os protagonistas do mundo.
Nesse campo, já somos Hexa! Vai, Brasil!




