
O encontro de 54 prefeitos, dos 70 eleitos, e 25 dos 59 vice-prefeitos do MDB, segundo números da organização, com o governador Jorginho Mello (PL), em Florianópolis, mostrou duas faces do partido: por um lado, mobilização e apoio significativo de parte das lideranças ao projeto de reeleição; por outro, o aprofundamento da divisão interna da sigla em Santa Catarina.
Idealizado pelo prefeito de Quilombo, Jaksom Castelli, o evento reuniu ainda três deputados estaduais, um federal e lideranças regionais do MDB, além da senadora Ivete Appel da Silveira.
Viúva do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, ela estava no centro da mesa de autoridades quando ouviu do mestre de cerimônias que Jorginho “é o melhor governador que Santa Catarina já teve”, acompanhando os aplausos dos correligionários. Um gesto simbólico para a ala que defende o realinhamento do MDB ao governo.
Já para lideranças que apoiam o projeto do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), o encontro teve outra leitura. Para o ex-governador Eduardo Pinho Moreira, o ato representa “um desrespeito à história da sigla”. “Luiz Henrique certamente hoje estaria entristecido”, afirmou.
Nos bastidores o movimento foi organizado. Antídio Lunelli, Fernando Krelling, Jerry Comper, Valdir Cobalchini, Mauro Mariani, Emerson Stein, Cleiton Fossá e Emerson Maas recepcionavam os prefeitos no hotel Majestic e os conduziam a uma sala reservada, onde lideranças gravavam vídeos de apoio a Jorginho Mello.

Lunelli não descarta suplência

Lunelli não escondeu o interesse em participar do projeto do governador. De forma reservada admitiu a possibilidade de buscar a primeira suplência de Carol de Toni, ao Senado, caso o MDB confirme apoio a Jorginho. “É uma possibilidade”. Questionado, Jorginho respondeu: “Este homem pode ser o que ele quiser”.
Segundo o governador, o MDB nunca rompeu com ele. “O MDB não rompeu, eles fazem parte de nossa história de sucesso. O MDB fez parte do governo e eu quero que continue fazendo parte.”
Eduardo Moreira avalia evento e fala em desrespeito com a história do MDB
Em conversa com a coluna após o evento, Eduardo Moreira relativizou o peso da presença dos 54 prefeitos. Segundo ele, o movimento faz parte do jogo político e muitos compareceram por compromissos e relações institucionais com o governo, mas fez o alerta: a história do MDB precisa ser respeitada.
Na avaliação do ex-governador, que reconhece a capacidade de articulação de Jorginho, o cenário ainda está em formação e longe de definição. Ao olhar para o calendário, recorreu a uma frase clássica de Luiz Henrique: “Vai passar um rio Amazonas ainda por baixo da ponte até as convenções”. E acrescentou um fator prático: “Vai passar o prazo dos convênios e aí o jogo vira”.
Agulha e muita linha para as próximas costuras
O encontro da ala pró-Jorginho cumpriu seu papel: movimentou lideranças, testou lealdades e projetou um possível cenário. Mas, internamente, a fratura no MDB se torna cada vez mais exposta.
Emedebistas, de Jorginho e de João Rodrigues, já sinalizaram onde querem estar, mas não necessariamente onde vão ficar. Como costumava dizer o ex-senador Casildo Maldaner, “o MDB vai precisar de agulha e muita linha para as próximas costuras”.
A história recente reforça o alerta. Em 2010, o próprio Eduardo Moreira reuniu mais de 80 prefeitos em apoio ao seu projeto ao governo do Estado. Às vésperas da eleição, o MDB acabou compondo como vice na chapa de Raimundo Colombo. E os prefeitos acompanharam o novo rumo. (O resgate não é para falar só sobre prefeitos).








