
Uma das palestras mais aguardadas do Summit lotou o Palco Compol na manhã desta quarta-feira. Diante de um grande público, o marqueteiro e estrategista político João Santana deixou de lado os bastidores das campanhas para provocar uma reflexão sobre um dos temas mais presentes no debate público brasileiro: a polarização.
A pergunta que guiou toda a apresentação foi simples, mas instigante: afinal, o Brasil está mesmo dividido entre direita e esquerda?
A reflexão partiu de uma situação cada vez mais comum nas urnas brasileiras. João chamou atenção para eleitores que votaram em Lula e depois em Bolsonaro, ou fizeram o caminho inverso. Citou também aqueles que escolhem candidatos de direita para a Presidência e governadores de centro-esquerda nos estados, ou que defendem programas sociais como o Bolsa Família ao mesmo tempo em que apoiam a redução de impostos.
Para ele, esses comportamentos desafiam a narrativa de um país aprisionado pela polarização ideológica. “Pode um eleitor deste tipo viver preso numa polarização ideológica?”, questionou.
Ao longo da palestra, João Santana construiu o argumento de que o eleitor brasileiro é muito menos ideológico do que o debate político costuma sugerir. Na sua visão, a figura central da política nacional não é o militante engajado que domina as redes sociais, mas sim o cidadão comum, que muda de opinião, troca de candidato e toma decisões de forma muito mais pragmática do que partidária.
“O personagem central da política brasileira não é o militante, é o pouco engajado”, afirmou.
Em uma das frases que mais repercutiram durante a apresentação, resumiu sua visão sobre o comportamento do eleitorado: “O brasileiro médio não acorda pensando em socialismo, liberalismo ou globalismo”.
A avaliação de João Santana é de que a polarização existe, mas aparece de forma amplificada no debate público, especialmente nas redes sociais, nos ambientes de militância e na cobertura política diária. Fora dessas bolhas, argumenta, a maioria dos brasileiros continua transitando entre posições e prioridades que nem sempre cabem nos rótulos tradicionais da direita e da esquerda.
“Essa história de que o Brasil está dividido entre direita e esquerda, eu digo: não está”, afirmou.
Um dos momentos que mais chamou atenção foi sua interpretação sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Para João, ao contrário do que muitas análises sugerem, o episódio não seria uma demonstração de um país dividido ao meio, mas justamente uma evidência de que posições extremadas não representam a maioria da população brasileira.
A mensagem central da palestra foi clara: o eleitor brasileiro é majoritariamente pragmático e, muitas vezes, toma decisões sem uma vinculação ideológica clara. E no fundo, o país é marcado por uma ampla maioria que busca soluções concretas para seus problemas cotidianos.
Ao fim da palestra, João Santana deixou uma reflexão que sintetizou sua visão sobre o cenário político nacional: “A verdade é que o Brasil tem muito mais coisas que nos unem do que coisas que nos dividem”.






