
Depois de meses de embates políticos, recursos judiciais e disputas nos bastidores, o plenário da Câmara de Vereadores de Joinville decide o futuro do vereador Cleiton Profeta (PL), o mais barulhento e controverso vereador de oposição ao ex-prefeito Adriano Silva e ao partido Novo que comanda a maior cidade do Estado há seis anos.
Mais do que o destino de um mandato, o que estará em julgamento é a capacidade da Câmara de sustentar uma decisão construída dentro dos seus próprios ritos. Se a cassação for confirmada, o Legislativo enviará uma mensagem clara de que o processo conduzido pela Comissão Processante teve respaldo político suficiente para sobreviver até a votação final. Se for rejeitada, a derrota será institucional e levantará questionamentos sobre todo o desgaste produzido ao longo dos últimos meses e com reflexos direitos a atual mandatária Rejane Gambin.
O caso já extrapolou há muito tempo a figura de Cleiton Profeta. A discussão deixou de ser apenas jurídica ou regimental. Tornou-se um teste de força política dentro da Câmara. Cada voto será interpretado não apenas como uma posição sobre o mérito do processo, mas também como um posicionamento dos vereadores diante da opinião pública e dos grupos políticos que acompanham o caso.
Partidos que disputam o governo estadual estarão de olho no que acontecerá aqui em Joinville na manhã desta segunda-feira. O governador Jorginho Mello é do PL de Cleiton Profeta e tem como pré-candidato a vice Adriano Silva, do Novo, justamente o partido que é autor da denúncia que move a comissão processante.
Do outro lado do balcão estão PSD de João Rodrigues, MDB, União Brasil adversários do Novo e do PL na esfera majoritária, além do próprio PT que não é aliado de ninguém, mas que tem interesse olhando para o futuro.
Reuniões de bastidores e sinais de rompimento de antigos parceiros
A curta semana passada foi recheada de reuniões de bastidores que envolveram decisão do presidente do legislativo, o vereador Diego Machado (PSD). O partido definiu através do seu diretório estadual a orientação de votar contra a cassação de Profeta. Diego vai romper com o governo e votará com o seu partido. Pelo menos um vereador do PSD irá desafiar o comando estadual. Será o vereador Kiko da Luz. O pastor Ascendino também descumpriria a decisão, mas tudo vai depender da pressão dos últimos momentos.
A sessão será tensa. Profeta pretende locar o plenário com apoiadores e tentar fazer uma pressão popular. A Câmara reforçará a segurança e também colocou um espaço paralelo em caso de votação o público poderá assistir a sessão de um telão.
Depois da votação um novo cenário surgirá

A eventual cassação também produz efeitos imediatos no tabuleiro eleitoral de 2026 e até mesmo quem olha para 2028 vê no processo de hoje um passo importante. Para o governo de Rejane Gambin, a votação também possui relevância. Embora o processo não tenha sido conduzido pelo Executivo, o desfecho ajudará a definir o ambiente político da segunda metade do mandato. Uma decisão consensual tende a encerrar um capítulo de tensão institucional. Já um resultado apertado ou cercado de novas disputas judiciais pode prolongar um desgaste que a cidade parece cansada de acompanhar. Mas um fato é certo. O governo não sai dessa sem ranhuras.
A verdade é que Joinville chega à sessão desta segunda-feira diante de uma decisão que vai muito além de um vereador. O plenário decidirá sobre um mandato, mas também sobre a credibilidade da própria Câmara. A partir do resultado da votação será apenas o começo de uma nova fase da disputa.
Há dois anos foi a última cassação de vereador em Joinville
Em 11 de março de 2024, o vereador Maurício Soares (MDB) era cassado pela Câmara de Vereadores. Em um julgamento que durou 6 horas e 50 minutos, a cassação tem 16 votos favoráveis, uma abstenção e uma ausência. Com coincidência, o relator da Comissão Processante e responsável pelo parecer que resolveu a perda de mandato do colega foi de Cleiton Profeta. Na época, Diego Machado não votou porque foi o autor da denúncia. Mauricinho perdeu o mandato porque foi preso por suposto envolvimento em esquema de liberação ilegal de carteiras de motorista suspensas.
Passados um pouco mais de dois anos o cenário agora é outro. A decisão é política. Os governistas precisam de 13 votos que parecem estar consolidados. O placar até às 22 horas do domingo era o que vou descrever abaixo.
Pró-cassação
- Erico Vinicius (Novo) – partido autor da denúnica
- Neto Petters (Novo) – partido autor de denúncia
- Vanessa Falk (Novo) – partido autor da denúncia
- Alisson (Novo) – partido autor da denúncia
- Matheus Batista (União) – adversário político de Profeta
- Lucas Souza (Republicanos) – adversário político de Profeta
- Liliane da Frada (Podemos) – adversária política de integrantes do PL.
- Henrique Deckmann (MDB) – pivô da cassação
- Pelé (MDB) – vota pela cassação em solidariedade com o colega Henrique Deckmann
- Adilson Girardi (MDB) – vota com o relator
- Kiko da Luz (PSD) – adversário político vota mesmo com a decisão partidária contra cassação
Dúvida
- Ascendino Batista (PSD) – dúvida. Deve votar pela cassação, mas decisão partidária coloca voto em dúvida.
- Vanessa da Rosa (PT) – dúvida. Profeta é adversário do PT e alvo de ataques. Tendência é votar pela cassação.
- Tania Larson (União) – dúvida. Aguardava posição partidária que liberou voto.
- Brandel Junior (Republicanos) – dúvida mas tendência é votação contra cassação
Contra Cassação
- William Tonezzi (PL) – contra cassação é aliado de Profeta.
- Instrutor Lucas (PL) – contra cassação, pois não vê motivo plausível.
- Diego Machado (PSD) – contra cassação e seguirá decisão partidária.
- Cleiton Profeta (PL) – denunciado não vota.





