04/05/2026

No primeiro mês Rejane encara crise dos moradores de rua em Joinville e aproximação com empresários

Prefeita Rejane Gambin se reúne com secretários e órgãos de segurança para resolver crise dos moradores de rua

O primeiro mês de Rejane Gambin à frente da Prefeitura de Joinville foi menos de celebração e mais de teste. Ao assumir o comando da maior cidade de Santa Catarina, depois da renúncia de Adriano Silva para disputar a eleição estadual, Rejane entrou para a história como a primeira mulher a governar Joinville desde a fundação do município. A posse ocorreu em 2 de abril de 2026 e o desafio imediato foi transformar simbolismo em comando.

Neste primeiro mês, Rejane precisou mostrar presença, capacidade de diálogo e autoridade. Superou a fase inicial sem grandes rupturas, manteve a máquina funcionando e começou a construir uma identidade própria. Ainda carrega, naturalmente, a herança política e administrativa de Adriano Silva, mas já percebeu que governar não é apenas dar continuidade. É também decidir onde colocar a própria assinatura.

O diálogo com o setor produtivo mira reforçar apoio e confiança

Um dos momentos mais importantes da prefeita foi a aproximação com entidades empresariais. Em Joinville, isso não é detalhe. A cidade tem tradição industrial, cultura associativa forte e um setor produtivo que, historicamente, mostra-se presente e teve um dos seus no comando da prefeitura nos últimos 13 anos. 

Rejane pareceu compreender os sinais invisíveis. O diálogo com empresários e entidades não serve apenas para produzir agenda institucional. Serve para dar legitimidade, sinalizar continuidade administrativa e evitar a sensação de improviso depois da saída de Adriano. Rejane reuniu-se com todas entidades de classe e fez questão de registrar. Agiu certo. 

Em Joinville virou quase uma regra de quem governa conversar e prestar contas para o setor produtivo. Não porque a cidade deva ser governada apenas para a economia, mas são nesses setores que costumam ser tomadas decisões importantes.

Situação dos moradores de rua exigiu posicionamento oficial firme

O primeiro grande teste político da prefeita veio com a polêmica envolvendo pessoas em situação de rua e o Restaurante Popular. A polêmica ainda está em alta, mas o  tema ganhou força e provocou reação de moradores, comerciantes e, principalmente, de vereadores. A tensão obrigou Rejane a sair da posição de gestora em transição para assumir o papel de liderança. Gravou um manifesto forte, sério e com posição. Foi um pronunciamento oficial. (veja o vídeo acima) 

A resposta da Prefeitura foi reforçar ações de segurança, ampliar rondas, monitorar a operação do Restaurante Popular do bairro Bucarein e solicitar levantamento mais detalhado sobre os serviços prestados. A própria prefeita afirmou que Joinville não abriria mão da ordem pública.

A fala foi forte porque tocou em um ponto sensível que já se arrasta e não é de agora. A cidade quer acolhimento social, mas também exige ordem urbana. Esse equilíbrio será uma das marcas mais difíceis da gestão Rejane. O tema dos moradores de rua não será resolvido com bravata, gritaria nas redes ou  com jogo para torcida. Terá que ter ação eficaz e o silêncio não é uma boa estratégia. É preciso dar respostas rápidas. Exigirá também política pública, segurança, assistência social, controle, transparência e coragem para enfrentar pressões de todos os lados, principalmente em ano eleitoral.

Câmara já fala em eleição do legislativo de olho no vice

Enquanto Rejane governo tentando impor o seu estilo, outro movimento começa a ganhar as conversas nos bastidores. Mesmo ainda distante, a disputa pela próxima presidência da Câmara de Vereadores no final de 2026 já começa a mexer com os ânimos do poder.

À primeira vista, pode parecer sem importância neste momento devido as eleições de outubro. Mas não é. No atual momento a presidência da Câmara ganha um peso muito maior. Com Rejane na Prefeitura e sem vice-prefeito eleito para ocupar a linha sucessória imediata, o futuro presidente da Câmara passa a ser, na prática, uma espécie de vice-prefeito (ou vice-prefeita) de fato da cidade.

É uma condição política importante para quem está de olho lá na frente. O próximo presidente da Câmara estará diretamente ligado na linha sucessória em 2028. 

O “vice de fato” vira negociação para desistência eleitoral de outubro

Da Câmara de Vereadores sairá não só o novo presidente da Câmara, mas uma espécie de “vice-prefeito ou vice-prefeita”

É por isso que a eleição da Mesa Diretora deve esquentar os bastidores mesmo antes da eleição de outubro. A disputa não será apenas por prestígio institucional. Será por poder real. O vereador que assumir a presidência da Câmara terá uma posição estratégica. Na prática, Joinville poderá ter uma prefeita no Executivo e um “vice de fato” escolhido dentro da Câmara.

Tem até um exemplo prático: em caso de férias ou viagem da prefeito quem assume a Prefeitura hoje é o presidente da Câmara. Ou seja, a próxima eleição da mesa diretora é estratégica e fundamental. E o jogo já está sendo jogado. Ainda é prematura, mas possíveis desistências da disputa eleitoral neste ano podem servir de  moeda de  troca pela presidência do Legislativo. 

Sem vice e a fase de afirmação que todos estão de olho

O primeiro mês de Rejane mostra uma prefeita em fase de afirmação. Ela assumiu sem romper com o passado recente, mas começa a enfrentar temas que exigem posicionamento próprio. A crise dos moradores de rua foi o primeiro aviso.

Joinville vive um momento peculiar. Tem uma prefeita que chegou ao cargo pela sucessão natural, mas que agora precisa construir legitimidade política própria.  Ao mesmo tempo, tem grupo político que percebe a oportunidade de ampliar sua influência.

A disputa pela presidência da Câmara nunca é uma eleição simples, mas desta vez será a escolha de quem ocupará a principal cadeira política depois da prefeita. E, nos bastidores, todos já sabem disso.

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