23/06/2026

Saiba quantos deputados estaduais e federais os partidos de SC pretendem eleger nesta eleição

“Quantos deputados estaduais e federais o seu partido pretende eleger em outubro?” Foi essa a pergunta que fiz aos presidentes dos partidos com representatividade na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, para levantar quais são as pretensões das siglas nas eleições gerais deste ano.

Sob a imagem de Jesus na Cruz, as cadeiras vazias do parlamento catarinense. A imagem é do arquivo da própria Alesc, de 2017 e foi feito pela fotógrafa Karina Ferreira/AgênciaAL. É uma maneira subjetiva de dizer que não há vácuo no poder. No que depender dos dirigentes partidários, por exemplo, faltarão cadeiras em 2027.

A coluna ouviu os presidentes do PL, PSD, MDB, União Progressista, PT, Republicanos, Podemos, Novo, PSOL e PSDB. Respectivamente, são eles: Bruno Mello (neste caso, vice-presidente do partido), Eron Giordani, Carlos Chiodini, Fábio Schiochet, Fabiano da Luz, Carmen Zanotto, Paulinha da Silva, Eduardo Ribeiro, Alcilea Medeiros e Marcos Vieira.

Faltando pouco mais de três meses para a eleição, os dirigentes partidários dormem e acordam com a caneta e a calculadora nas mãos, calculando o melhor caminho para atingir os objetivos, muitas vezes audaciosos, de cada sigla. De olho na composição das bancadas federal e estadual, as projeções revelam não apenas o tamanho da ambição das agremiações, mas também ajudam a medir o espaço que eles acreditam poder ocupar no cenário político catarinense a partir de 2027.

PL

Hoje, o PL é a maior força política de Santa Catarina, com sete deputados federais e a maior bancada da Assembleia Legislativa, com 14 deputados. Essa configuração é resultado da movimentação dos parlamentares durante a janela partidária, período legal para troca de partido sem perda de mandato.

O PL elegeu 11 deputados estaduais e seis federais em 2022. Com a entrada e saída de parlamentares, ampliou as duas bancadas. Bruno Mello, vice-presidente estadual da sigla, informou à coluna que a meta é eleger entre 14 e 15 deputados estaduais e sete federais. Traduzindo: o partido pretende manter o número de vagas já conquistadas e, se possível, ampliar sua presença na Alesc. É como se, para o PL, parte da eleição já tivesse acontecido durante a janela partidária.

MDB

O MDB, por sua vez, trabalha com uma estratégia de manutenção. A legenda possui atualmente três deputados federais e seis deputados estaduais, formando a segunda maior bancada da Alesc. A meta é manter a representação na Câmara Federal e ampliar levemente a presença no Parlamento catarinense, alcançando entre seis e sete cadeiras. A projeção é do presidente estadual do partido, Carlos Chiodini.

PSD

O PSD aparece entre os partidos com maior expectativa de crescimento. Hoje, a sigla conta com três deputados estaduais e não possui representantes na Câmara Federal. O partido chegou a eleger dois deputados federais em 2022: Ricardo Guidi e Ismael dos Santos. Ambos deixaram a sigla. Ricardo migrou para o PL para disputar a Prefeitura de Criciúma em 2024. Já Ismael também ingressou no PL durante a janela partidária deste ano.

Por esse motivo, o PSD atualmente não possui representantes na Câmara dos Deputados. Segundo o presidente estadual da legenda, Eron Giordani, a meta para a próxima legislatura é eleger dois deputados federais e ampliar a bancada estadual para seis parlamentares.

PT

No campo da esquerda, o PT também projeta expansão. Atualmente, o partido possui dois deputados federais e quatro deputados estaduais. Fabiano da Luz, presidente da sigla, trabalha com a meta de eleger três deputados federais, disputando uma possível quarta vaga, e ampliar a bancada estadual para cinco ou até seis parlamentares.

Federação União Progressista

A União Progressista, federação formada por PP e União Brasil, também aposta em crescimento. Hoje, as duas siglas somam um deputado federal e cinco deputados estaduais. A projeção é eleger entre dois e três deputados federais e alcançar uma bancada de cinco a seis deputados estaduais, conforme destacou o presidente, Fabio Schiochet.

Republicanos

O Republicanos estabeleceu uma das metas mais ousadas entre os partidos catarinenses. Atualmente, possui dois deputados federais e dois deputados estaduais. A presidente estadual, Carmen Zanotto, projeta eleger três deputados federais e ampliar a bancada da Assembleia Legislativa para cinco parlamentares.

Podemos

O Podemos talvez apresente o crescimento proporcional mais expressivo entre as siglas que divulgaram projeções. O partido elegeu três representantes em 2022. Após a janela partidária, porém, a bancada encolheu e hoje conta com apenas uma parlamentar estadual. Atualmente, a sigla não possui representação na Câmara dos Deputados. Segundo a presidente estadual, Paulinha da Silva, o partido pretende conquistar duas vagas federais e eleger quatro deputados estaduais.

Novo

Por essa, talvez nem o Novo de Santa Catarina esperasse. De partido nanico, passou a ocupar a vaga de candidato a vice-governador na chapa do atual governador e pré-candidato à reeleição, Jorginho Mello (PL).

Com um deputado estadual e um federal, o presidente estadual Eduardo Ribeiro afirma que a meta é eleger dois deputados federais e quatro estaduais. Trata-se de um objetivo ousado para um partido que ainda precisa superar desafios importantes, entre eles a cláusula de barreira.

PSOL

O PSOL detém atualmente uma cadeira na Assembleia Legislativa. A pretensão do partido, conforme a presidente estadual, Alcilea Medeiros, é manter a vaga e buscar uma segunda cadeira. Questionada sobre as metas para a Câmara dos Deputados, ela respondeu: “Nossa prioridade é a chapa estadual. Para federal vamos ter chapa completa para consolidarmos o PSOL pelo estado e fica mais difícil atingirmos o quociente eleitoral.”

PSDB

Recém-anunciado entre os partidos que apoiam a reeleição de Jorginho Mello (PL), o PSDB viu sua representação diminuir significativamente nos últimos anos.

A sigla chegou a ter uma cadeira na Câmara dos Deputados após Geovania de Sá assumir definitivamente a vaga deixada por Carmen Zanotto. No entanto, a parlamentar trocou o ninho tucano pelo Republicanos. Na Alesc, o partido ocupa atualmente apenas uma cadeira. O presidente estadual da sigla, Marcos Vieira, mantém o otimismo e projeta a eleição de um deputado federal e de dois a três deputados estaduais.

PDT

O PDT também ocupa apenas uma cadeira na Assembleia Legislativa. Até a conclusão deste texto, a coluna não havia recebido a resposta da direção estadual sobre as pretensões do partido para as eleições deste ano. Quando houver retorno, os dados serão atualizados. Para fins estatísticos, considerei a manutenção da atual cadeira na Alesc e nenhuma projeção para a Câmara dos Deputados.

Quais partidos chegarão mais perto de suas metas?

As metas divulgadas até o momento demonstram que praticamente todos os partidos trabalham com expectativa de crescimento. Embora os dirigentes estejam otimistas, somadas, as projeções ultrapassam significativamente o número de vagas disponíveis.

Alesc precisaria de 19 cadeiras a mais

Considerando as metas máximas anunciadas por PL, MDB, PSD, PT, União Progressista, Republicanos, Podemos, Novo, PSOL e PSDB, além da manutenção da atual representação do PDT, Santa Catarina precisaria eleger 59 deputados estaduais para acomodar todas as projeções. A Assembleia Legislativa, porém, possui apenas 40 cadeiras. Na Câmara dos Deputados, a conta também não fecha. Somadas, as projeções alcançam 27 deputados federais, enquanto Santa Catarina dispõe de apenas 16 vagas.

Ainda assim, os números ajudam a dimensionar o tamanho da disputa que se desenha para a eleição proporcional deste ano e mostram que a corrida pelas cadeiras da Alesc e de Brasília promete ser uma das mais competitivas dos últimos tempos.

Quais serão os partidos que chegarão mais perto de suas metas?
Façam suas apostas.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.