20/04/2026

Coluna da Maga: a leitura sobre o primeiro gesto público de um ‘acordo de paz’ entre Ana Campagnolo e Carlos Bolsonaro

Fui informada pela editora-chefe de que o ponto facultativo desta véspera de feriado prolongado não era válido para esta coluna, já que o fim de semana político de Santa Catarina “rendeu”. Então, vamos aos fatos. Três aniversários movimentaram os bastidores e as leituras públicas sobre seus significados: o do vereador Diego Machado, em Joinville, que reuniu a nata do PSD-SC; o do também vereador Marcos Machado (MDB), em Criciúma, que também reuniu uma multidão; e, claro, o do deputado federal Daniel Freitas (PL-SC), que mostrou que criciumenses sabem organizar um welcome bem direitinho.

Daniel Freitas e o almoço de ideias
O aniversário do criciumense Daniel Freitas foi pano de fundo para um evento de alto nível realizado na mansão da família, em Governador Celso Ramos. Já na sexta-feira, circulou a informação de que, entre as presenças confirmadas, estaria o presidente nacional do partido, o todo-poderoso Valdemar da Costa Neto, invocado pela turma sempre que o caldo ameaça entornar. E ele veio.

No palco, estavam os deputados estaduais Jessé Lopes, Ana Campagnolo e Alex Brasil; o governador Jorginho Mello; o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto; o pré-candidato a senador, Carlos Bolsonaro; e o anfitrião, deputado federal Daniel Freitas.

Ana Campagnolo
Em seu discurso, a deputada estadual elogiou a articulação política de Jorginho Mello e disse que o considera um dos maiores articuladores do Brasil. Ela também agradeceu a Daniel pelo convite e disse que ele merece ser reconduzido ao mandato pelo seu comprometimento com pautas importantes.

Daniel Freitas
O deputado federal e pré-candidato à reeleição exaltou Carlos Bolsonaro e disse que Santa Catarina terá um senador irmão do futuro presidente da República, Flávio Bolsonaro, e que isso trará benefícios para o estado. Flávio participou do encontro por videochamada.

Jorginho Mello
O governador Jorginho Mello devolveu as citações elogiosas de Campagnolo e disse que Carlos vai ajudar a “resolver os caroços” de Santa Catarina no âmbito federal.

Valdemar da Costa Neto
O presidente nacional do PL disse que “a eleição do Carlos é importante para nós”. Ele também afirmou que Flávio vai vencer a eleição e que o PL vai bater recorde na eleição de deputados federais, projetando a eleição de 115 representantes do partido no pleito deste ano.

Carlos Bolsonaro
O pré-candidato ao Senado, uma das estrelas da festa, baixou a guarda e fez o primeiro gesto público de pacificação com Ana Campagnolo, depois de aproximadamente seis meses de divergências.
Em seu discurso, “pediu licença” aos deputados presentes, dirigiu-se diretamente a ela e agradeceu sua presença no encontro, momento em que foi aplaudido com empolgação pelo público. “Apesar das diferenças, tenho certeza que, no fundo, nós temos a mesma vontade de mudar esse país”. (O vídeo da fala de Carlos está no Instagram em @magastopassoli).

Como a cena foi interpretada nos bastidores políticos
O gesto de Carlos para Ana foi interpretado nos bastidores como um sinal de que o parlamentar “sentiu” os números divulgados recentemente por pesquisas eleitorais que o colocam em segundo ou terceiro lugar. Depois de meses de brigas virtuais, Carlos mudou a estratégia e decidiu levantar a bandeira branca. O fato ocorre uma semana depois de ele dizer, em seu perfil no Twitter, que:

“Hoje, tenho plena convicção de que, ao estar em Santa Catarina, provocamos mais um verdadeiro cataclisma no sistema, atingindo em cheio um grupelho que, há anos, vinha arquitetando um projeto de poder à margem de qualquer princípio moral que dignifique um ser humano. Há uma estrutura robusta, organizada e moldada, com estratégia definida e passos milimetricamente executados, com ou sem partidos, com intenção de ocupar, a qualquer custo, o espaço de quem construiu uma liderança legítima, ainda que para isso tentem aniquilá-la”.

Naquele momento, as declarações do pré-candidato foram interpretadas como um recado a Campagnolo. Agora, depois do encontro de sábado, a leitura é de que ele tenha mudado sua estratégia ao perceber que a eleição em Santa Catarina “é diferente”, disse uma pessoa do meio político.

Os riscos na eleição de Carlos
Ausente no evento, mas presente de modo virtual ao enviar um vídeo gravado, a deputada Carol de Toni, pré-candidata ao Senado, é figura central na eleição do filho de Bolsonaro. Sem Carol na disputa, a rejeição ao nome de Carlos aumenta. Com Carol na disputa, ele corre o risco de ver o segundo voto ao Senado ser direcionado para Esperidião Amin (PP) ou Décio Lima (PT). Nas duas situações, neste momento, há riscos para a sua eleição.

Vale lembrar que a política ainda está em fase preparatória e muitos elementos ainda serão adicionados à disputa. A vinda de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, a Santa Catarina no dia 9 de maio, é um fato que poderá impactar positivamente a pré-campanha de seu irmão. O cenário será avaliado nos dias seguintes à vinda de Flávio.

Esquerda catarinense pode ser decisiva
A esquerda catarinense já apresentou sua chapa majoritária completa para a disputa deste ano. O autointitulado campo democrático tem comemorado a divisão na direita catarinense, avaliando que, com isso, será possível captar esses votos para eleger um representante da esquerda para o Senado. Lideranças do PT admitem que, “no pior dos cenários”, o eleitor de esquerda pode “descarregar o voto” em Esperidião para impedir a eleição de Carlos.

Sem chance de ir a Federal
A coluna ouviu diferentes alas da direita sobre o assunto que circulou na última semana, que dizia que Carlos Bolsonaro poderia rever sua candidatura ao Senado para ser candidato a deputado federal, enquanto seu irmão e vereador em Balneário Camboriú, Jair Renan, seria candidato a estadual. “Não há essa opção sendo discutida. Carlos é candidato ao Senado”, é a avaliação.

Ainda que essa estratégia não esteja sendo discutida, o tema é consenso entre as pessoas que conversaram com a coluna, já que, segundo eles, isso resolveria o problema enfrentado por Carlos até o momento e manteria com a direita as duas cadeiras de senador por Santa Catarina que estão em disputa este ano.

Carlos Bolsonaro muda a estratégia e levanta bandeira branca para Ana Campagnolo. Foto: David Welter.

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