
O Brasil estreou na Copa com um empate. Dominado pelo Marrocos durante boa parte do primeiro tempo, o time perdeu a bola, perdeu a paciência e tomou o gol. A reação só veio com um lance de craque: Vinícius Júnior recebeu na área, driblou o marcador e bateu cruzado para empatar. Resolveu sozinho o que o time inteiro não estava conseguindo resolver junto. Depois disso, a seleção quase não ameaçou mais. Ancelotti, depois do jogo, foi direto: esperava começar melhor.
Essa cena tem uma leitura óbvia, que é sobre futebol, e uma leitura mais desconfortável, que é sobre como empresas e instituições lidam com crise.
A leitura óbvia todo torcedor já fez.
A incômoda é a que interessa aqui: quantas organizações têm hoje uma estrutura de resposta à crise, e quantas têm apenas um craque de plantão? Um porta-voz hábil, um CEO com bom trânsito na imprensa, um diretor que “sabe se virar” quando o telefone toca em cima da hora. Funciona até deixar de funcionar. Aí descobre-se o problema de não ter um sistema, só talento individual “cobrindo buracos” de processos.
O time que joga bem sob pressão não é o que tem o melhor jogador. É o que treinou a jogada antes de precisar dela. Protocolo de crise ensaiado, papéis definidos, mensagem alinhada entre áreas antes do problema acontecer, não depois. Sem isso, a organização vive na mesma lógica do primeiro tempo contra o Marrocos: pressionada, tensa, sem encontrar ritmo, à espera de alguém aparecer e resolver com talento o que devia ter sido resolvido com estrutura.
O problema dessa lógica é que ela tem prazo de validade. Craque cansa, craque é vendido, craque erra. E aí o time descobre, da pior forma, que não tinha plano B porque nunca precisou ter.
Vale a pergunta antes que a crise pergunte por você: sua organização tem um sistema de resposta, ou só está esperando o próximo lance de sorte?




