Artigo de Vanessa da Rosa (PT), vereadora em Joinville e pré-candidata a deputada federal

No último final de semana de maio, 29, 30 e 31 de maio, tive a oportunidade de participar da 2ª edição do MEL – Movimento Mulheres em Luta, idealizado e liderado pela gigante Manuela d’Ávila. Um encontro potente, que reuniu mais de mil mulheres de todo o Brasil em São Paulo, incluindo parlamentares, lideranças diversas, artistas e juventude, todas em volta da mesma pauta: Mulheres Vivas.
Com várias mesas discutindo os diversos tipos de violência sofridas pelas mulheres ao longo da história e, entre estas, a violência política de gênero, o movimento red pill e crimes na internet, situações estas que expõem as mulheres cotidianamente, provocando e deixando sequelas muitas vezes irreparáveis. Discussões profundas e extremamente necessárias em um momento que o país vive uma escalada aterrorizante de feminicídios — foram 1.492 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero em 2024 e 1.568 casos em 2025, um aumento de 4,7% em um ano.
Santa Catarina figura entre os estados mais violentos para as mulheres. Em 2025, foram 52 feminicídios, enquanto em 2026 já soma 22 crimes deste tipo só no primeiro semestre. De acordo com o relatório publicado pela Defensoria Pública de SC, o estado lidera o ranking nacional de registros de ameaças às mulheres, tanto no contexto doméstico quanto familiar. Entre 2020 e 2025, foram 436 mil registros de agressão e 329 feminicídios.
Grande parte das agressões ocorre nos finais de semana, sendo que as segundas-feiras também aparecem com destaque, sendo o dia da semana que acumula o maior número de registros. Fatores como o consumo de álcool e frustrações com o futebol são apontados como agravantes para a violência de homens contra mulheres. A não efetivação de DPCAMIs 24 horas, em descumprimento à lei, também agrava o cenário de falta de acolhimento adequado.
Outro dado que chama muito atenção é o aumento dos registros de agressões envolvendo meninas de 0 a 17 anos em SC. A região Oeste lidera o número de casos, enquanto Florianópolis concentra o maior índice em números absolutos. São dados deploráveis para um estado que gosta de ostentar números pujantes na economia, geração de emprego e renda que ainda se coloca na posição de um dos estados mais seguros do Brasil.
Resta a pergunta: seguro para quem? Para as mulheres, com certeza não. Ainda temos muito a caminhar na efetivação de políticas públicas que tragam segurança para meninas e mulheres.
Em vez disso, SC caminha na contramão da história, proibindo a discussão sobre gênero nas escolas, distorcendo ideologicamente o conceito e colocando cada vez mais mulheres e meninas em risco. Inconstitucional, a Lei Estadual nº 19.776/2026 restringe o papel da escola e proíbe um debate que é fundamental para prevenir a violência doméstica, os abusos e os altos índices de feminicídio no estado. Um retrocesso que confronta as diretrizes nacionais que recomendam e preveem a inclusão de conteúdos que abordem a igualdade de gênero e a prevenção da violência contra a mulher. Isso é pedagógico! Simples assim.
Para ampliar as ações que combatem a violência contra a mulher, o Governo Federal lançou no início deste ano o Pacto Nacional contra o Feminicídio, um compromisso institucional envolvendo os Três Poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo) e a sociedade civil, trazendo um apelo fundamental para enfrentarmos essa barbárie: a participação dos homens nesse enfrentamento. É fundamental que eles se somem às mulheres nessa luta tão importante e que entendam que as mudanças de atitude, de conscientização e entendimento de que as mulheres são propriedades para construir uma sociedade verdadeiramente livre.
Vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, deputada estadual, duas vezes deputada federal e candidata a vice-presidenta em um dos momentos mais difíceis da nossa história (2018), Manuela d’Ávila foi vítima de uma das maiores campanhas de ódio contra uma mulher na política. O afastamento da política institucional após a eleição de Jair Bolsonaro foi necessário para cuidar da família e lidar com a violência política de gênero que recaiu sobre ela. Porém, naquele mesmo ano, criou o Instituto E se Fosse Você?, com o objetivo de combater a desinformação, o discurso de ódio e o extremismo.
Em 2026, ela volta à disputa institucional, com o objetivo de somar à luta no Senado pelo Rio Grande do Sul. Sua trajetória vitoriosa permitiria um voo solo, mas Manuela é diferente. Inspiradora e solidária, ela leva e eleva todas nós nesta luta que exige, acima de tudo, coragem para enfrentar o machismo e toda a forma de violência que nos afeta. Pela vida das mulheres, não vamos desistir nem recuar.





