18/06/2026

Renan Santos pode ser o outsider de 2026 e respingar em SC? Por Rubens Cardiga

Artigo de Rubens Cardiga, jornalista

A quatro meses das eleições presidenciais, o cenário político brasileiro parece desenhar uma polarização já consolidada entre as forças tradicionais representadas por Lula e Flávio Bolsonaro. No entanto, sob a superfície dessa aparente rigidez, começam a emergir movimentos que prometem desafiar o establishment e atuar como o verdadeiro fiel da balança no pleito deste ano, com reflexos diretos e profundos em estados de forte apelo conservador, como Santa Catarina.

O mais recente levantamento de intenção de voto da Genial/Quaest traz um dado que merece atenção dos analistas: o surgimento de Renan Santos, candidato pelo partido Missão, pontuando com 3% das intenções de voto no primeiro turno. À primeira vista, o número pode parecer modesto, colocando-o em empate técnico com nomes tradicionais da política, como o experiente governador Ronaldo Caiado. Contudo, o valor real desse percentual não está no tamanho atual, mas no seu potencial de trajetória.

Filiado a uma legenda ainda sem grande musculatura partidária, sem acesso aos milionários fundos eleitorais e com tempo escasso de televisão, a incursão de Renan Santos evoca, inevitavelmente, um paralelo histórico recente: ele se projeta como o Jair Bolsonaro de 2018.

O vazio da representatividade e o discurso anti-sistema

Para entender o fôlego dessa candidatura, é preciso olhar para o desgaste das lideranças que hoje lideram as pesquisas. O eleitorado que outrora buscou uma ruptura encontra-se diante de um cenário onde os pólos principais já não entregam o frescor da novidade. É justamente nesse vácuo que a narrativa de Renan Santos ganha tração.

Diferente das tentativas frustradas de construção de uma “Terceira Via” moderada, tradicionalmente idealizada por formadores de opinião e centrada em figuras do espectro político de centro (popularmente reconhecido como Centrão), a verdadeira alternativa à polarização pode estar vindo de uma ponta mais incisiva. Ao empunhar as bandeiras do:

Discurso puramente anti-sistema;
Liberalismo econômico;
Combate intransigente à corrupção;

O candidato do Missão consegue dialogar diretamente com uma parcela do eleitorado que se sente órfã, considerando que tanto a esquerda quanto a direita tradicional cederam ao pragmatismo político.

O fiel da balança

Embora seja altamente improvável que este fato altere a curto prazo a dianteira das duas principais forças que polarizam o país, a presença de uma candidatura com essas características tem o poder de bagunçar o coreógrafo da eleição.

Em um cenário onde cada ponto percentual é disputado de forma ferrenha, Renan Santos pode não ter, hoje, os votos necessários para chegar ao topo, mas detém o poder de definir o destino da eleição. Ele se posiciona como a força capaz de ditar se a fatura será liquidada logo de início ou se a decisão será empurrada para um imprevisível segundo turno.

A história política recente do Brasil já provou que subestimar candidatos que começam na margem do sistema é um erro crasso. Se a tendência de crescimento se confirmar nas próximas pesquisas, a eleição de 2026 ganhará contornos de imprevisibilidade que muitos julgavam impossíveis. De olho nessa trajetória devem estar os concorrentes ao Governo do Estado em Santa Catarina, em especial no candidato do Missão, Marcelo Brigadeiro.

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