15/04/2026

Lula quer mais. Por Vinícius Puhl

Artigo de Vinícius Puhl, jornalista e geógrafo com MBA pela FGV, cobetura no Palácio do Planalto e acompanha a agenda do Presidente da República

O calendário corre contra – e a favor – de Lula. No limiar do período pré-eleitoral, o governo se vê diante de um teste clássico: transformar promessas em entregas tangíveis. Não se trata apenas de fazer, mas de fazer ver – e convencer.

Há um ativo relevante. Lula governa com memória política e um vasto repertório de enfrentamento a crises. Sabe que resultados econômicos valem muito mais que narrativas sofisticadas. A inflação comportada, dinamismo no emprego e programas sociais reativados compõem um pano de fundo favorável. São entregas que cabem no bolso e, portanto, no voto.

Mas há o passivo inevitável. A máquina pública é lenta, a base parlamentar é volátil e o espaço fiscal é estreito. Os Governos – todos se enquadram nessa situação – tentam executar no tempo político disponível. Obras não se inauguram no PowerPoint, e políticas públicas, quando chegam, frequentemente chegam pela metade – o que, em ano pré-eleitoral, é quase o mesmo que não chegar.

A vantagem competitiva do Presidente está na sua capacidade de comunicação e leitura de ambientes. Lula ainda opera como poucos no terreno simbólico: aproxima-se de setores, reposiciona conflitos e reinterpreta adversidades. Isso lhe permite transformar limitações objetivas em iniciativas, cenários difíceis em esperança e fragilidades em fortalezas.

Até outubro, o jogo será de precisão. Lula quer mais entregas e bem cirúrgicas: renda, crédito, colocar na vitrine os projetos de infraestrutura, garantir a estabilidade e o crescimento econômico. Não há tempo para grandes viradas, apenas para consolidar o que já foi iniciado e evitar ruídos que contaminem o ambiente econômico.

Lula sabe que eleição se ganha pela sensação de caminho. Não basta andar, é preciso parecer que está indo. O eleitor não cobra planilhas; sente direção. Porque, no fim, o que decide é a impressão de que algo começou a acontecer.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.