24/06/2026

Antes da chuva chegar, El Niño mobiliza prefeitos e deputados em SC

Mesmo antes da chegada do período historicamente mais chuvoso do ano, o El Niño já a mobiliza autoridades em Santa Catarina. Nesta terça-feira (23), a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) instalou uma comissão mista para acompanhar os possíveis impactos do fenômeno climático.

Nesta terça-feira (23), a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) instalou uma comissão mista para acompanhar os possíveis impactos do
Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) instalou uma comissão mista para acompanhar os possíveis impactos do El Niño. Foto: Rodrigo Corrêa/ Agência Alesc

A movimentação ocorre em um momento de atenção crescente dos meteorologistas. Declarado oficialmente pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em 11 de junho, o El Niño tende a influenciar o clima global nos próximos meses. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado ao aumento da frequência e da intensidade das chuvas, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos.

Sinal de alerta já chegou aos municípios

A preocupação ficou evidente na segunda-feira (22), quando prefeitos de 12 municípios participaram de uma reunião promovida pela Bancada da Grande Florianópolis da Alesc.

O encontro foi convocado justamente para discutir a preparação das cidades diante dos possíveis efeitos do fenômeno. Entre as principais demandas apresentadas estiveram recursos para desassoreamento de rios, manutenção de drenagens e agilização de processos ambientais para execução de obras preventivas.

Prefeitos de 12 municípios participaram de uma reunião promovida pela Bancada da Grande Florianópolis da Alesc. Foto: Rodrigo Corrêa/ Agência Alesc
Prefeitos de 12 municípios participaram de uma reunião promovida pela Bancada da Grande Florianópolis da Alesc. Foto: Rodrigo Corrêa/ Agência Alesc

A avaliação dos gestores é que o tempo para preparação está se tornando cada vez mais curto. O deputado Alex Brasil (PL), proponente da reunião, sugeriu a criação de um fundo específico para atender as demandas dos municípios. Ele também propôs um convite ao secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Fabiano de Souza, para pedir celeridade na liberação dos recursos.

Além da preocupação com a chegada do período de chuvas, os municípios alertam para as limitações impostas pelo calendário eleitoral, que podem dificultar novos repasses estaduais destinados a obras de prevenção.

“Quase não temos mais tempo hábil para que esses recursos sejam repassados às prefeituras”, afirmou a prefeita de Paulo Lopes, Fernanda Leite, que é presidente da associação que reúne os municípios da região, a Granfpolis.

O que está por trás da preocupação com o El Niño

Embora o El Niño seja um fenômeno natural, seus efeitos sobre Santa Catarina são bem conhecidos. O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentam aquecimento persistente acima da média. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia o comportamento das chuvas em diversas partes do mundo.

No caso do Sul do Brasil, o padrão mais comum é o aumento das precipitações, especialmente entre a primavera e o início do verão.

No caso do Sul do Brasil, o padrão mais comum é o aumento das precipitações, especialmente entre a primavera e o início do verão.

Os registros históricos reforçam o alerta. Episódios intensos de El Niño estiveram associados a algumas das maiores enchentes já registradas em Santa Catarina, incluindo os eventos de 1983 e 1997/1998. Mais recentemente, o ciclo de 2015/2016 também provocou episódios de chuva excessiva em diferentes regiões do estado, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), da Epagri/Ciram e do próprio CPTEC.

Comissão busca antecipar respostas

Foi diante desse cenário que a Assembleia instalou a Comissão Mista sobre os impactos do El Niño. O grupo reúne parlamentares das comissões de Assuntos Municipais, Defesa Civil e Desastres Naturais, além de Transportes, Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura. A proposta é acompanhar as previsões, ouvir especialistas e discutir medidas capazes de reduzir vulnerabilidades antes que os efeitos do fenômeno se intensifiquem.

Assembleia instalou a Comissão Mista sobre os impactos do El Niño nesta terça-feira (23). Foto: Daniel Conzi/ Agência Alesc
Assembleia instalou a Comissão Mista sobre os impactos do El Niño nesta terça-feira (23). Foto: Daniel Conzi/ Agência Alesc

A iniciativa também pretende debater alternativas para garantir recursos permanentes destinados à prevenção de desastres, uma demanda recorrente dos municípios catarinenses. O presidente da Comissão Mista, o deputado Alex Brasil (PL), propôs que a primeira ação do grupo seja ouvir o Secretário de Defesa Civil de Santa Catarina, coronel Fabiano de Souza, sobre o que está sendo feito para prevenção de desastres no Estado neste momento. O encontro será na quinta-feira (02).

Prevenir custa menos que reconstruir

A discussão vai muito além da meteorologia. O que está em jogo é a capacidade de transformar informação climática em planejamento.

A previsão de um El Niño não significa que enchentes serão inevitáveis nem que todas as regiões serão impactadas da mesma forma. Mas a experiência acumulada ao longo das últimas décadas mostra que cidades mais preparadas tendem a responder melhor aos eventos extremos.

É justamente essa lógica que une meteorologia, Defesa Civil e gestão pública. Quanto mais cedo as ações preventivas saem do papel, menores costumam ser os prejuízos para a população quando a chuva chega.

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