16/06/2026

Time de um jogador só

Foto: Instagram, Reprodução.

O Brasil estreou na Copa com um empate. Dominado pelo Marrocos durante boa parte do primeiro tempo, o time perdeu a bola, perdeu a paciência e tomou o gol. A reação só veio com um lance de craque: Vinícius Júnior recebeu na área, driblou o marcador e bateu cruzado para empatar. Resolveu sozinho o que o time inteiro não estava conseguindo resolver junto. Depois disso, a seleção quase não ameaçou mais. Ancelotti, depois do jogo, foi direto: esperava começar melhor.

Essa cena tem uma leitura óbvia, que é sobre futebol, e uma leitura mais desconfortável, que é sobre como empresas e instituições lidam com crise.

A leitura óbvia todo torcedor já fez. 

A incômoda é a que interessa aqui: quantas organizações têm hoje uma estrutura de resposta à crise, e quantas têm apenas um craque de plantão? Um porta-voz hábil, um CEO com bom trânsito na imprensa, um diretor que “sabe se virar” quando o telefone toca em cima da hora. Funciona até deixar de funcionar. Aí descobre-se o problema de não ter um sistema, só talento individual “cobrindo buracos” de processos.

O time que joga bem sob pressão não é o que tem o melhor jogador. É o que treinou a jogada antes de precisar dela. Protocolo de crise ensaiado, papéis definidos, mensagem alinhada entre áreas antes do problema acontecer, não depois. Sem isso, a organização vive na mesma lógica do primeiro tempo contra o Marrocos: pressionada, tensa, sem encontrar ritmo, à espera de alguém aparecer e resolver com talento o que devia ter sido resolvido com estrutura.

O problema dessa lógica é que ela tem prazo de validade. Craque cansa, craque é vendido, craque erra. E aí o time descobre, da pior forma, que não tinha plano B porque nunca precisou ter.

Vale a pergunta antes que a crise pergunte por você: sua organização tem um sistema de resposta, ou só está esperando o próximo lance de sorte?

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