16/06/2026

Grande Florianópolis: Integração para um Desenvolvimento Sustentável. Por João Luiz Cobalchini

Artigo de João Luiz Cobalchini, Presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis

Florianópolis vive um momento de reconhecimento como uma das melhores cidades do Brasil para se viver, fruto de um modelo que soube integrar desenvolvimento econômico, qualidade de vida, planejamento urbano e preservação ambiental. A cidade vem se tornando também um dos principais destinos turísticos do país e do exterior, com uma infraestrutura cada vez mais moderna e eficiente, simbolizada pelo Aeroporto Internacional Hercílio Luz – eleito 6 vezes consecutivas como o melhor do Brasil.

A capital de Santa Catarina avançou porque soube trabalhar de forma colaborativa. Executivo, Legislativo, entidades organizadas e a própria população caminharam juntos, criando um ambiente favorável ao planejamento e à execução de políticas públicas com visão de futuro. Na condição de Presidente da Câmara de Vereadores e de Prefeito interino por dois períodos, tive a oportunidade de acompanhar de perto esse processo e participar diretamente desse ciclo virtuoso de desenvolvimento.

A cooperação institucional e o diálogo com a sociedade são ferramentas poderosas de transformação. É justamente essa experiência que nos coloca agora diante de uma grande oportunidade: expandir essa visão sistêmica e implantar de forma efetiva a Região Metropolitana da Grande Florianópolis.

Hoje em dia, não é mais possível pensar apenas no desenvolvimento isolado dentro dos limites de cada uma de nossas cidades. Essa região metropolitana reúne 22 municípios e é uma das que mais cresce no Brasil – com cerca de 1,5 milhão de habitantes. Além disso, tem o maior IDH do país, o que evidencia não só a sua força econômica e social, mas também amplia os desafios que precisam ser enfrentados de forma conjunta.

A realidade é clara: a metrópole já existe no dia a dia das pessoas. Ela está nos deslocamentos entre cidades, no acesso aos serviços, na geração de empregos e nos desafios compartilhados. No entanto, ainda enfrentamos uma fragmentação na forma de planejar e executar as políticas públicas, o que limita nossa capacidade de avançar com mais eficiência.

Temas como mobilidade urbana, saneamento básico, segurança publica e infraestrutura não respeitam fronteiras administrativas. Relatórios técnicos já apontam que mobilidade e saneamento continuam entre os principais gargalos da região, impactando diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento sustentável.

E mais, a falta de integração pode gerar desperdícios e retrabalho. Sistemas que não se conectam, decisões que não dialogam entre si e investimentos que não seguem uma lógica regional acabam dificultando soluções que poderiam ser mais rápidas e eficazes se pensadas de forma conjunta.

Diante desse cenário, o desafio — e ao mesmo tempo a grande oportunidade — é avançar na efetiva implantação da Região Metropolitana da Grande Florianópolis, superando não apenas questões técnicas, mas também barreiras políticas que historicamente dificultam essa construção.

Não se trata de criar algo novo, mas de estruturar melhor uma realidade que já existe. Temos instrumentos legais, conhecimento técnico e, principalmente, exemplos concretos de que a integração funciona. O que precisamos agora é dar escala a esse modelo, ampliando para toda essa região a lógica de cooperação que já trouxe diversos resultados positivos para Florianópolis.

É possível construir consensos, alinhar interesses e planejar o futuro com responsabilidade. Esse mesmo espírito precisa orientar a construção de uma governança metropolitana forte, capaz de integrar decisões, otimizar recursos e acelerar a entrega de soluções para a população.

Isso exige protagonismo dos municípios, participação ativa do Governo do Estado, envolvimento das entidades e, sobretudo, o engajamento da sociedade. É um processo que demanda maturidade política e visão estratégica, mas que é absolutamente necessário para garantir que o crescimento da região aconteça de forma equilibrada e sustentável.

O futuro da nossa região passa, necessariamente, por essa atuação coordenada e planejada. Quanto antes conseguirmos transformar essa visão em prática, mais rápido estaremos diante de uma região metropolitana verdadeiramente integrada, com um desenvolvimento sustentável, equilibrado e pensado para todos.

A hora de avançar é agora.

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