14/06/2026

Tem coisas que só o esporte faz por você

A cada quatro ou cinco stories que tu pulas no Instagram, um certamente é de alguém que acabou de terminar um treino de musculação, corrida ou outro esporte, com a legenda: “a gente nunca se arrepende de ter ido”, ou “não é terapia, mas é terapêutico”. Legendas como “no pain, no gain”, ou outras que estimulam a hipervalorização dos benefícios estéticos já caíram em desuso, mas eventualmente aparecem entre os internautas.

Mulher amarrando os tênis após prática de esporte
Esporte ao ar livre deveria ser uma obrigação

O curioso por trás dessas postagens é que, além de um clichê absurdo e fotos que geralmente buscam chamar algum tipo de atenção, está uma pessoa realmente satisfeita por não ter desistido de treinar naquele dia.

Alguém que trabalhou por oito horas consecutivas, ou mais, carregou roupa, tênis e suplementação na bolsa, com a esperança que aquele momento chegasse. Também tem aqueles que foram porque brigaram com familiares ou gestores; dormiram mal; cansaram de ficar em casa ou, ainda, decidiram, de uma vez por todas, que sairiam do sedentarismo (esse é o meu tipo preferido, inclusive).

Vitória do dia

A motivação para transformar o exercício físico em um hábito varia e nem sempre é duradoura, mas em comum a quem permanece no esporte, independentemente de qual seja, está algo muito maior do que um abdômen trincado e braços fortes: está a realização pessoal. Eu costumo chamar a minha jornada de atleta amadora (que imagina que é profissional) de vitória do dia.

Não importa o quanto eu esteja cansada ou desanimada, sair para uma corridinha ou meia hora de força na academia muda tudo. Treinar pela manhã já me faz começar o dia vencendo, mas nem sempre é possível. A hora que seja, lá estou eu, sempre com a planilha em dia — e o réu primário preservado.

​Estresse no trabalho ou desentendimentos pessoais viram combustível para corridas mais longas. Desilusões amorosas viram pesos nos aparelhos da academia. Falta de criatividade? Meia hora caminhando olhando a paisagem. Preciso pensar na vida? Uma hora pedalando. Não sei como abordar um possível cliente, ou negociar com um fornecedor? Escolho o esporte que fiz menos na semana e vou ler alguma coisa sobre gestão, empreendedorismo ou finanças (afinal, tudo tem limite, né?!).

E quando eu quero me reconectar com a minha criança interior e me sentir maravilhada como quem aprende a dar os primeiros passos, vou para a natação e me dou ao luxo de não saber nada, inclusive nadar.

Dê uma chance ao esporte

​A ciência já entendeu como o esporte age no nosso cérebro e como esses neurotransmissores são capazes de mudar nosso comportamento em longo prazo. A sensação de dever cumprido depois de dedicar um tempo para o próprio bem-estar está entre as coisas mais deliciosas que existem. Carregar sacolas de compras sem esforço, subir escadas tranquilamente e realizar as atividades corriqueiras sem dores no corpo é independência.

O teu momento, teu esforço, teu desempenho, teu prazer. Tudo, única e exclusivamente, sobre ti. Eu acredito que a pessoa que entende a relevância do esporte como ferramenta de desenvolvimento pessoal e autocuidado está um degrau acima dos demais.

Como o título desta coluna afirma, tem coisas que só o esporte pode fazer por você. Olhar nos próprios olhos pelo reflexo do espelho e admirar, genuinamente, a pessoa que vê e achar que ela é imbatível, com toda certeza, é uma delas. O meu desejo é que todo mundo possa sentir isso um dia. Hoje, pode ser o teu. Que tal começar?

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