Artigo de Vandrei Bion, jornalista

A camisa amarela é uma instituição do futebol. É alma, coração, é vitória. Os tempos são outros mas a “amarelinha” ainda mexe com o nosso sentimento. Afinal, temos uma história secular de glórias e conquistas. São participações em todas as Copas, maior número de gols na história da competição e maior número de jogos. Então, como apagar essa trajetória linda?
Hoje o jogador brasileiro é estrangeiro, atua em sua maioria, fora do Brasil. Está distante dos nossos problemas, da nossa identidade, do dia a dia. Mais isso não significa que não devamos torcer e acreditar no Hexa. A paixão que temos pela seleção é muito maior do que se pensa. Ah, e as nossas cores. São lindas, simétricas, se destacam por onde passamos, em especial, o amarelo do canário.
Pouco importa se Neymar vai jogar ou não. Por ser uma estrela máxima da história, ele está na Copa de 2026. Assim como Messi e Cristiano Ronaldo. Por isso, o menino cria do Santos se junta a uma nova geração que quer vencer e quebrar uma escrita longa. Temos que olhar para o coletivo, para todos, sem exceção.
São 24 anos sem gritar: É Campeão! O mesmo tabu de 1970 a 1994, quando os pênaltis nos fizeram sofrer mas vibrar na final contra a Itália de Baggio. Há esperança, há fé. Há Nossa Senhora Aparecida e seu manto sagrado azul, uma das cores da nossa bandeira. É preciso acreditar que o Brasil ainda é a pátria de chuteiras, como parafraseou Nelson Rodrigues no passado.
Por fim, se você não conhece o brilho da Seleção, estude a história. Vá a 1950 e relembre o “Maracanazo” e todo o sofrimento, a ponto da seleção ficar 2 anos sem jogar devido ao trauma nacional. Vá a 1954 e saiba sobre a Batalha de Berna, na Suíça, quando caímos para a Hungria. Vá a 1990 e recorde o massacre de chances que foi o jogo contra a Argentina, na Itália, mas com derrota. Passe por 1982 e leia sobre um esquadrão que não venceu.
Mas vá também pesquisar sobre 1958, na Suécia, e o show de Pelé e Zagallo. Vá a 1962, no Chile, relembre a Copa de Garrincha. Vá a 1970 no México, veja um verdadeiro esquadrão de camisas dez. Passe por 1994, nos Estados Unidos, com Romário e Taffarel sendo os protagonistas. Por fim, em 2002, viaje até a Ásia e reveja os feitos de Ronaldo Fenômeno.
São 5 taças, 5 epopeias do Maior Campeão do Mundo, o que nos enche de orgulho. E não me venham dizer que a seleção não é mais a mesma. Ela é sim simbologia, identidade. É o esplendor, é o canarinho imponente alçando voos. É bola na rede. E agora vamos gritar: Vem, Hexa!




