Artigo de Leonardo Vieira, Diretor Geral do CentroSul

Florianópolis consolidou, ao longo das últimas décadas, uma posição que vai muito além do turismo de lazer. A cidade passou a disputar, e a sediar, alguns dos principais eventos corporativos, científicos e institucionais do país.
Esse movimento não aconteceu por acaso. Ele foi construído ao longo dos anos e um dos pilares dessa construção é o CentroSul.
Desde a sua inauguração, em 1998, o equipamento desempenha um papel contínuo na atração de eventos e na formação de um ecossistema que hoje sustenta uma cadeia econômica ampla e integrada. De 2008 a 2025, foram mais de 2 mil eventos realizados e 8,6 milhões de participantes recebidos, com uma média de 272 dias de ocupação por ano.
O turismo de eventos é um dos segmentos de maior valor agregado. Em Florianópolis, cada participante gasta, em média, entre R$ 900 e R$ 1.200 por dia, movimentando hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e serviços especializados. Não por acaso, a cidade alcançou uma das maiores taxas de ocupação hoteleira do país e se posiciona entre os principais destinos brasileiros no ranking internacional da ICCA (International Congress and Convention Association).
Esse resultado é coletivo, mas depende de infraestrutura. Eventos de grande porte não escolhem destinos apenas pela atratividade turística. Eles exigem previsibilidade, capacidade operacional e espaços preparados. Sem isso, simplesmente não vêm ou vão para outras cidades.
Em 2025, o CentroSul sediou 132 eventos e recebeu mais de 600 mil pessoas, com forte presença de congressos médicos, encontros de inovação e eventos corporativos de grande escala. Para 2026, a projeção é de um impacto direto entre R$ 75 milhões e R$ 150 milhões na economia local, considerando apenas os eventos já confirmados.
Quando há incerteza sobre a continuidade operacional ou sobre as regras futuras, os eventos não esperam. Eles migram para outras praças e, quando saem, levam consigo não apenas público, mas receita, empregos temporários e visibilidade para a cidade.
Esse é um ponto central no debate atual sobre o futuro do principal centro de eventos da cidade.
O CentroSul não é apenas um equipamento físico. Ele é parte de uma engrenagem econômica que envolve dezenas de setores e sustenta a presença de Florianópolis no calendário nacional e internacional de eventos.
Isso não significa que não haja espaço para evolução. Ao contrário.
Todo equipamento público ou concedido precisa acompanhar as transformações do mercado, incorporar novas tecnologias e elevar o padrão de experiência. A nova licitação representa exatamente essa oportunidade: atualizar o modelo, ampliar a competitividade e preparar o CentroSul para um novo ciclo.
Mas é importante separar duas discussões.
Uma é sobre o futuro, que passa por melhorias e novos investimentos. Outra é sobre o papel já exercido e os resultados concretos entregues à cidade ao longo de mais de duas décadas. Confundir essas dimensões desqualifica o debate.
Florianópolis construiu, com esforço consistente, uma posição relevante no turismo de eventos. Preservar e fortalecer os ativos que sustentam essa posição é uma decisão estratégica sobre o modelo de desenvolvimento da cidade.
Para nós, o objetivo é um só: manter Florianópolis no mapa onde os grandes eventos acontecem.





