14/04/2026

Fim do silêncio: Merisio se apresenta para o jogo e mostra chapa com Angela Albino, Décio e Afrânio

Depois de meses de articulação nos bastidores, sem uma palavra pública sequer do pré-candidato a governador que deve liderar a chapa, a frente de centro-esquerda para as eleições de deve se apresentar de forma completa na quinta-feira, às 10 horas, em um hotel no Centro de Florianópolis. Pela primeira vez, o ex-deputado estadual Gelson Merisio, recém-filiado ao PSB, vai perfilar ao lado da pré-candidata a vice Angela Albino (PDT) e os pré-candidatos ao Senado, o ex-deputado federal Décio Lima (PT) e o vereador florianopolitano Afrânio Boppré (PSOL).

Gelson Merisio e Angela Albino ao governo e vice, com Décio Lima e Afrânio Boppré ao Senado. Fotos: Divulgação.
Gelson Merisio e Angela Albino ao governo e vice, com Décio Lima e Afrânio Boppré ao Senado. Fotos: Divulgação.

É uma aliança inédita em Santa Catarina. Em 2022, Décio Lima concorreu ao governo com apoio de Merisio, à época no Solidariedade, e do PSB que lançou Dário Berger ao Senado, mas não teve PDT e PSOL. O primeiro, lançou Jorge Boeira ao governo, enquanto os psolistas rejeitaram a composição com Dário Berger e lançaram Afrânio de forma avulsa ao Senado, apoiando Décio informalmente.

Desta vez, está prevalecendo a tese nacional de que os melhores palanques na região Sul para a reeleição do presidente Lula (PT) devem ser capitaneados por candidaturas do partidos aliados e que mirem o centro político. Foi o que aconteceu no Rio Grande do Sul, com a formação da chapa com Juliana Brizola (PDT) na cabeça e também no Paraná, com Requião Filho (PDT). Para o PT, a estratégia é tentar aproveitar as múltiplas candidaturas à direita nos três Estados para tentar colocar Décio Lima, Paulo Pimenta (PT-RS) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) no Senado.

Para garantir as composições, é importante que não haja outras candidaturas à esquerda. O que foi garantido por aqui com a vaga de Afrânio Boppré ao Senado e no Rio Grande do Sul com a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PSOL) concorrendo ao mesmo cargo.

O pacote vem pronto: até mesmo os nomes dos suplentes de Décio e Afrânio devem ser anunciados na quinta-feira. O petista vai sinalizar ao centro, com Elaine Berger, mulher de Dário Berger, como primeira suplente pelo PDT, enquanto a empresária Fernanda Klizke (PT), de Jaraguá do Sul, deve completar o trio. Afrânio terá a seu lado uma dupla de petistas: a ex-deputada federal Luci Choinaki e a ex-secretária de Assistência Social de Laguna, Cida da Silva, que concorreu a deputada federal em 2022.

Ter cinco mulheres na majoritária é uma estratégia de diferenciação clara.

Certo mesmo, até agora, é que o jogo blocou em Santa Catarina como poucas vezes – e raramente tão cedo. O governador Jorginho Mello (PL), com o ex-prefeito joinvilense Adriano Silva (Novo) de vice e a dupla formada pela deputada federal Caroline de Toni (PL) e o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado tornaram-se o time governista ainda no final de janeiro. Por sua vez, em março, o agora ex-prefeito chapecoense João Rodrigues (PSD) perfilou com Carlos Chiodini (MDB) como provável vice e Esperidião Amin (PP) – que já tem suplentes emedebistas da velha guarda especulados, como os ex-deputados federais Rogério Peninha Mendonça e Edinho Bez.

O bolsonarismo governista e a oposição calcada na tradição política de Santa Catarina já se apresentaram.

Agora é a vez de frente de esquerda.

O curioso é lembrar que Jorginho Mello, João Rodrigues, Gelson Merisio, Carlos Chiodini, Angela Albino, entre outros, estavam todos de alguma forma no guarda-chuva do governo Raimundo Colombo (PSD) quando ele foi reeleito em 2014 na última volta da aliança desenhada por Luiz Henrique da Silveira (PMDB) em 2006.

Lembranças de outra vida.

Será uma eleição divertida, com toda certeza.

Eles todos se conhecem demais.

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