14/04/2026

Emprego sobe e exportação bate recorde, mas o agro segue sob pressão

O agro brasileiro abriu a semana com um sinal positivo e outro de atenção.

De um lado, geração de emprego.
De outro, pressão estrutural que continua no radar.

Em fevereiro, a agropecuária criou 8.123 vagas formais, segundo o Novo Caged, puxada por culturas sazonais como maçã, uva, alho e hortaliças.

Foram mais de 111 mil admissões contra cerca de 103 mil desligamentos.

O resultado ajuda a explicar por que o agro segue sendo um dos pilares do mercado de trabalho mesmo em um cenário de desaceleração.

O ponto-chave: o campo continua contratando, mas com menos fôlego do que antes.

Santa Catarina bate recorde e confirma liderança global

Se no Brasil o cenário é misto, em Santa Catarina o agro segue em alta.

O estado registrou recorde histórico nas exportações de carnes no primeiro trimestre de 2026, com:

  • 518,4 mil toneladas embarcadas
  • US$ 1,17 bilhão em receita
  • crescimento de 4% em volume e 9,6% em faturamento

O governador Jorginho Mello destacou o alcance global:

“A proteína animal catarinense chega a mais de 150 países.”

Já o secretário Admir Dalla Cort reforçou o diferencial:

“Construímos um sistema sanitário confiável, reconhecido internacionalmente.”

Tradução direta: sanidade virou ativo econômico.

Defensivos e alho entram na pauta e pressão sobe em Brasília

A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou dois requerimentos do deputado Rafael Pezenti (MDB-SC) para discutir temas sensíveis ao campo.

De um lado, a nova lei de defensivos agrícolas que ainda enfrenta dificuldades na implementação.

Do outro, a crise do alho, pressionada por:

  • aumento das importações
  • entrada de produto irregular
  • queda de preços ao produtor

Pezenti foi direto ao apontar o problema:

“A falta do sistema informatizado e o desalinhamento entre órgãos geram insegurança para todo o setor.”

E, sobre o alho:

“Precisamos garantir condições justas de concorrência e proteger o produtor nacional.”

Leitura política: o Congresso começa a reagir onde o mercado falhou.

Leite entra em proteção e Câmara responde ao campo

Avançou na Comissão de Agricultura o PL 5738/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para consumo no Brasil.

A proposta mira diretamente a concorrência com produtos subsidiados de fora.

Segundo o relator, a medida busca:

  • proteger a produção nacional
  • garantir preços mais justos
  • reduzir distorções de mercado

Na prática: é o Congresso respondendo a uma das maiores queixas do setor leiteiro.

Mercosul avança e abre espaço para o agro

O Congresso aprovou o acordo que harmoniza regras de direito do consumidor no Mercosul.

A medida define qual legislação vale em contratos internacionais dentro do bloco sempre priorizando o consumidor.

Para a senadora Tereza Cristina:

“Esse marco cria um ambiente mais previsível e seguro para ampliar a participação do Brasil nas cadeias regionais.”

Impacto direto:

  • mais segurança jurídica
  • fortalecimento do comércio regional
  • novas oportunidades para o agro

Safra menor de pinhão acende alerta e risco é de vida

Nem só de política vive o campo.

A safra de pinhão em Santa Catarina deve cair 32% em 2026, segundo a Epagri/Cepa e isso acende um alerta importante.

Com menor oferta, cresce o risco de colheita em áreas perigosas, especialmente próximas à rede elétrica.

A Celesc faz o alerta:

“A proximidade com a rede pode ser fatal, especialmente em condições de umidade.”

Entre os principais riscos:

  • arco elétrico mesmo sem contato direto
  • condução de energia por varas úmidas
  • quedas e choques em baixa tensão

Serviço essencial: segurança no campo também é política pública.

Produz, exporta, emprega, mas ainda precisa proteger

O agro brasileiro segue fazendo o que sempre fez bem:

  • gera emprego
  • produz
  • exporta

Santa Catarina prova isso com números.

Mas a semana também mostrou outra realidade:

  • cadeias pressionadas
  • mercado desorganizado
  • necessidade crescente de proteção

Porque, no fim, não basta crescer.

É preciso garantir que quem produz, consiga continuar produzindo.

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