
O agro brasileiro abriu a semana com um sinal positivo e outro de atenção.
De um lado, geração de emprego.
De outro, pressão estrutural que continua no radar.
Em fevereiro, a agropecuária criou 8.123 vagas formais, segundo o Novo Caged, puxada por culturas sazonais como maçã, uva, alho e hortaliças.
Foram mais de 111 mil admissões contra cerca de 103 mil desligamentos.
O resultado ajuda a explicar por que o agro segue sendo um dos pilares do mercado de trabalho mesmo em um cenário de desaceleração.
O ponto-chave: o campo continua contratando, mas com menos fôlego do que antes.
Santa Catarina bate recorde e confirma liderança global
Se no Brasil o cenário é misto, em Santa Catarina o agro segue em alta.
O estado registrou recorde histórico nas exportações de carnes no primeiro trimestre de 2026, com:
- 518,4 mil toneladas embarcadas
- US$ 1,17 bilhão em receita
- crescimento de 4% em volume e 9,6% em faturamento
O governador Jorginho Mello destacou o alcance global:
“A proteína animal catarinense chega a mais de 150 países.”
Já o secretário Admir Dalla Cort reforçou o diferencial:
“Construímos um sistema sanitário confiável, reconhecido internacionalmente.”
Tradução direta: sanidade virou ativo econômico.
Defensivos e alho entram na pauta e pressão sobe em Brasília
A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou dois requerimentos do deputado Rafael Pezenti (MDB-SC) para discutir temas sensíveis ao campo.
De um lado, a nova lei de defensivos agrícolas que ainda enfrenta dificuldades na implementação.
Do outro, a crise do alho, pressionada por:
- aumento das importações
- entrada de produto irregular
- queda de preços ao produtor
Pezenti foi direto ao apontar o problema:
“A falta do sistema informatizado e o desalinhamento entre órgãos geram insegurança para todo o setor.”
E, sobre o alho:
“Precisamos garantir condições justas de concorrência e proteger o produtor nacional.”
Leitura política: o Congresso começa a reagir onde o mercado falhou.
Leite entra em proteção e Câmara responde ao campo
Avançou na Comissão de Agricultura o PL 5738/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para consumo no Brasil.
A proposta mira diretamente a concorrência com produtos subsidiados de fora.
Segundo o relator, a medida busca:
- proteger a produção nacional
- garantir preços mais justos
- reduzir distorções de mercado
Na prática: é o Congresso respondendo a uma das maiores queixas do setor leiteiro.
Mercosul avança e abre espaço para o agro
O Congresso aprovou o acordo que harmoniza regras de direito do consumidor no Mercosul.
A medida define qual legislação vale em contratos internacionais dentro do bloco sempre priorizando o consumidor.
Para a senadora Tereza Cristina:
“Esse marco cria um ambiente mais previsível e seguro para ampliar a participação do Brasil nas cadeias regionais.”
Impacto direto:
- mais segurança jurídica
- fortalecimento do comércio regional
- novas oportunidades para o agro
Safra menor de pinhão acende alerta e risco é de vida
Nem só de política vive o campo.
A safra de pinhão em Santa Catarina deve cair 32% em 2026, segundo a Epagri/Cepa e isso acende um alerta importante.
Com menor oferta, cresce o risco de colheita em áreas perigosas, especialmente próximas à rede elétrica.
A Celesc faz o alerta:
“A proximidade com a rede pode ser fatal, especialmente em condições de umidade.”
Entre os principais riscos:
- arco elétrico mesmo sem contato direto
- condução de energia por varas úmidas
- quedas e choques em baixa tensão
Serviço essencial: segurança no campo também é política pública.
Produz, exporta, emprega, mas ainda precisa proteger
O agro brasileiro segue fazendo o que sempre fez bem:
- gera emprego
- produz
- exporta
Santa Catarina prova isso com números.
Mas a semana também mostrou outra realidade:
- cadeias pressionadas
- mercado desorganizado
- necessidade crescente de proteção
Porque, no fim, não basta crescer.
É preciso garantir que quem produz, consiga continuar produzindo.





