09/04/2026

As soft skills que estão redesenhando o futuro do trabalho. Por Artur de Castro

Artigo de Artur de Castro, Managing Partner na Evermonte Executive & Board Search

A crescente complexidade intrínseca aos negócios contemporâneos está acelerando a transformação do que se espera dos profissionais de alta gestão. Em vez de valorizar apenas competências técnicas ou histórico de formação, o mercado passou a priorizar habilidades comportamentais que garantam entrega, adaptação e consistência. A pesquisa People Trends 2026, do Evermonte Institute, revela com clareza esse direcionamento.
Em primeiro lugar, com 70,7% das menções, está a orientação a resultados – a capacidade de transformar metas em execução disciplinada e mensurável. Esse dado confirma que, diante de metas mais desafiadoras e estruturas mais fluidas, os profissionais que realmente entregam são os mais procurados.

Na segunda posição, comunicação e escuta ativa (57,3%) aparecem como alicerce da liderança moderna, essencial para manter times alinhados, reduzir retrabalho e tomar decisões com agilidade. Logo atrás, com 56%, a resiliência ganha destaque como a habilidade de manter a performance mesmo diante de pressão intensa ou mudanças estruturais.

A inteligência emocional, citada por 52%, torna-se cada vez mais indispensável, sobretudo em ambientes colaborativos onde o trabalho depende da qualidade das relações. Em quinto lugar, a agilidade (40%) aponta para um perfil profissional capaz de ajustar caminhos rapidamente sem perder o foco nos objetivos estratégicos.
Completam o ranking o pensamento crítico (38,7%), que fortalece a tomada de decisões mais fundamentadas; a flexibilidade (32%), crucial para atuar em organizações em constante reinvenção; a tomada de decisão (28%), que reforça a necessidade de autonomia com responsabilidade; além de negociação (20%) e criatividade (12%), que seguem relevantes em funções que exigem protagonismo e inovação.

Esse conjunto de competências define uma nova régua de avaliação para empresas e profissionais. Para as organizações, o desafio é adotar critérios mais precisos de seleção e investir no desenvolvimento contínuo dessas habilidades. Para os profissionais, o cenário exige atualização comportamental constante – tão ou mais importante quanto o domínio técnico.

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