07/04/2026

Marcos Klann estreia novo solo de dança contemporânea em Florianópolis

O que faz um corpo parecer vivo? E o que o aproxima da morte? Essas são algumas das perguntas que atravessam Necrópsia – estudos para ressuscitar um cadáver, novo solo de dança contemporânea do artista Marcos Klann, que estreia em Florianópolis nos dias 10, 11 e 12 de abril, às 20h, no Centro Cultural Casa Vermelha, gratuitamente. Com classificação indicativa de 16 anos, o espetáculo busca dialogar especialmente com o público jovem, habituado ao consumo de obras de horror em outras mídias, propondo um deslocamento dessa estética para o encontro ao vivo, no espaço teatral.

Marcos Klann é bailarino, ator e doutor em Artes Cênicas pela UDESC. Uma referência na dança contemporânea do Estado, Klann integrou por 14 anos o Grupo Cena 11 Cia. de Dança e soma vários trabalhos de pesquisa e experimentação em dança. Junto a ele, a construção de Necrópsia reúne a bailarina Jussara Belchior na interlocução artística, Pietra Garcia na dramaturgia, figurino de Karin Serafin, iluminação de Iscarlat Lemes, trilha sonora de Dimitri Camorlinga, produção executiva de Rhaisa Muniz, fotografia de Luana Skibinski e Anderson Nepomuceno na audiodescrição.

Embora o horror seja amplamente explorado no cinema e na literatura, sua presença nas artes da cena ainda é pouco recorrente. Necrópsia se insere nesse território como uma tentativa de provocar o público a partir do desconforto, criando uma experiência próxima ao pesadelo, não pela narrativa, mas pela sensação. Partindo da figura do zumbi – não como personagem, mas como estado físico -, o trabalho investiga a construção de uma corporeidade monstruosa em cena.

Em vez de representar o monstro, Klann propõe um deslocamento: criar movimento a partir do que desestabiliza, do que escapa às noções normativas de corpo, humanidade e presença. A pesquisa se ancora no estudo acadêmico desenvolvido pelo artista no doutorado em Artes Cênicas (UDESC), no qual o zumbi aparece como alegoria para pensar fronteiras entre o humano e o não humano, o vivo e o morto. Em cena, explora-se uma fisicalidade atravessada por tensões, deformações e instabilidades, tendo como plano de fundo as formas possíveis para se existir em um mundo permeado pelo medo.

“Durante o curso investiguei a corporeidade do corpo morto-vivo tendo todas as referências do cinema, HQs e universo do horror desde a década de 1930, perpassando também pelas referências da dança. Aqui eu investigo como a gente pode explorar essa corporeidade sem mimetizar/reproduzir o que é feito no cinema, mas, sim, usar essas referências para criar uma ambiência de horror. Não é sobre assustar as pessoas, mas, sim, pensar o horror artístico, para construir uma ambiência de horror na cena ao vivo”, comenta Marcos Klann sobre essa pesquisa inovadora e importante.

O projeto “Necrópsia – estudos para ressuscitar um cadáver” é realizado com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, pela Fundação Catarinense de Cultura [FCC], por meio do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2024.

Formação
Além das apresentações, o projeto ainda contempla um workshop gratuito ministrado por Klann, voltado a artistas e interessados em experimentar os procedimentos de criação desenvolvidos durante o processo. A ação acontece no dia 12 de abril, das 14h às 18h, também no Centro Cultural Casa Vermelha, em Florianópolis. As inscrições estão abertas por formulário online disponível em instagram.com/marcosklann. As vagas são limitadas.

Sinopse:
Necrópsia – estudos para ressuscitar um cadáver é um espetáculo de dança contemporânea com direção e atuação de Marcos Klann. Neste solo, o artista investiga a construção de uma corporeidade monstruosa a partir de referências do cinema de horror — como o morto-vivo, o vampiro e o lobisomem — e seus atravessamentos com o corpo na contemporaneidade.
Mais do que representar essas figuras, o trabalho busca criar movimento a partir de seus estados, explorando uma fisicalidade atravessada por tensões, deformações e instabilidades. Em um mundo permeado pelo medo, a proposta não aponta para a busca de uma cura, nem para uma forma de resistência ou uma ação de enfrentamento, mas para a possibilidade de existir — ainda que de forma precária, estranha e insistente — enquanto a visagem do cataclisma não se confirma.

Mais sobre o artista:
Marcos Klann é performer, bailarino, ator, produtor cultural e iluminador. Doutor no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas , do Centro de Artes, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), com a pesquisa intitulada O Zumbi como alegoria: práticas sobre o corpo morto-vivo. Dirigiu por dois anos o Necrolab, grupo artístico vinculado a sua pesquisa de doutorado, em que a concentração da investigação estava na construção de uma corporeidade a partir morto-vivo (zumbi) para a dança. O trabalho foi um dos selecionados da Lei Paulo Gustavo D+ / SC 2023, na categoria experimentação artística e foi apresentado no ano de 2024, em Florianópolis. Anteriormente, Klann concretizou a criação de dois solos e um vídeo-dança, os quais produziu, dirigiu e atuou. Fumaça (2020), vídeo-dança realizado através do edital emergencial #SCculturaemsuacasa, disponibilizado no YouTube. Werwolf (2012 – 2019), espetáculo contemplado com o Prêmio Klauss Vianna – 2011 (montagem) – e pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à cultura – 2013 (circulação). O que antecede a morte (2010), um dos participantes do Rumos Dança-Itaú Cultural – 2009/2010. Foi integrante do Grupo Cena 11 Cia de Dança, de Florianópolis, em que atuou como bailarino, de 2006 a 2020. O grupo Cena 11 é reconhecido nacional e internacionalmente por sua pesquisa sobre corpo, dança, arte e tecnologia.

Serviço:
Apresentações:
Dias: 10, 11 e 12 de abril de 2026.
Horário: 20h
Local: Centro Cultural Casa Vermelha, R. Custódio Fermino Vieira, 48 – Saco dos Limões, Florianópolis – SC

Workshop:
Estudos para ressuscitar um cadáver
Dia: 12 de abril de 2026
Horário: 14h às 18h
Local: Centro Cultural Casa Vermelha, R. Custódio Fermino Vieira, 48 – Saco dos Limões, Florianópolis – SC

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