Se o governador Jorginho Mello (PL) tinha dúvida sobre o que pensam as lideranças do Progressistas sobre o apoio da legenda a sua pré-candidatura à reeleição, os deputados estaduais Pepê Collaço e Zé Milton Scheffer conseguiram mostrar o tamanho da adesão construída na base do partido. O encontro realizado na noite de quarta-feira, com participação do governador e do filho Bruno Mello, vice-presidente do PL-SC, reuniu 41 dos 52 prefeitos do partido, além de outras lideranças municipais que lotaram uma das salas de eventos do Hotel Majestic, em Florianópolis.

A reunião foi comandada pelo secretário-geral do partido, Aldo Rosa, que fez questão de destacar a presença do ex-presidente estadual Leodegar Tiscoski – substituído pelo senador Esperidião Amin na presidência estadual do PP na semana passada por decisão do presidente nacional Ciro Nogueira. Coube a Tiscoski abrir o encontro vocalizando o desejo da maioria: o apoio à reeleição do governador Jorginho Mello em Santa Catarina e à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República.
Ausente, Esperidião Amin foi citado em quase todos os discursos como “o melhor senador do Brasil”. O grupo liderado por Pepê Collaço e Zé Milton e respaldado por Aldo Rosa e Tiscoski defende que Amin dispute a reeleição como candidato avulso – a chapa de Jorginho Mello terá a deputada federal Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL, como pré-candidatos ao Senado.
Perguntei ao governador na chegada ao evento como o PL lidaria com uma candidatura informal de Amin, fora de sua chapa. Ele respondeu:
– É isso que eles defendem (PP). Nós temos dois candidatos, a Carol e o Carlos, mas qualquer partido pode soltar candidaturas à majoritária. Podem soltar o Esperidião Amin como candidato deles e me apoiar para governador e apoiar o Flávio para presidente. Está tudo certo – disse o governador.
No evento, ao menos dez prefeitos do PP discursaram pregando união da direita em torno da reeleição de Jorginho Mello – incluindo nomes do Oeste do Estado, como os prefeitos Vinicius Ventura (Maravilha) e Agostinho Menegatti. Representante do PP da região na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Altair Silva é defensor do apoio à pré-candidatura do prefeito de Chapecó e não compareceu ao encontro.

Ao encerrar o evento, Jorginho Mello foi saudado pelos presentes e disse ter convicção de que vai vencer a disputa eleitoral ainda em primeiro turno. Prometeu ajudar o PP a aumentar sua bancada na Alesc e voltar a ter cadeira na Câmara dos Deputados. Ao final, fez um pedido às lideranças pela composição com Amin.
– Agradeço a confiança e o trabalho de vocês. Por favor, evitem confusão com o senador Esperidião Amin. Ele é o senador de vocês, já está declarado por todo mundo. Digam para ele que vocês sabem o que estão fazendo. Ele vai ter que entender. Não é possível, ele vai ter que entender.
O evento do PP, à revelia da nova presidência, mas com validade política, mostra o tamanho do apoio que Jorginho Mello tem no partido. Por sua vez, o ausente Amin terá nesta quinta-feira um almoço que pode ser o primeiro ensaio de uma chapa para enfrentar o governador nas urnas. Na mesa do almoço com ele, os presidentes estaduais Fábio Schiochet (União Brasil), Carlos Chiodini (MDB) e Eron Giordani (PSD), além do pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD).
Resta saber se, como e quanto o barulho da base progressista vai ecoar nesse almoço.





